Com as três primeiras edições na praça, o Universo Midnight já virou alvo de comparações diretas com o Universo Absoluto, da DC. Uma análise publicada pelo ComicBook defende que a editora de Nova York copiou a atmosfera sombria, mas não a lógica que sustenta o selo concorrente.
O segredo do Universo Absoluto
Lançado em 2024, o Universo Absoluto roda em paralelo à cronologia principal da DC e reinterpreta seus ícones com liberdade criativa. O Ei Nerd comparou o selo com os Novos 52 e apontou Batman Absoluto, de Scott Snyder e Nick Dragotta, como o título mais comentado do momento.
A fórmula funciona porque o miolo de cada personagem continua intacto. Bruce Wayne perde a fortuna, Superman perde a família Kent e a Mulher-Maravilha fica sem Themyscira, mas todos seguem reconhecíveis em seus valores centrais. A dor vem das perdas, não de uma troca de identidade.

Onde o Midnight escorrega
O Universo Midnight aposta em terror e dá carta branca a autores de peso. Midnight Spider-Man tem roteiro de Phillip Kennedy Johnson, Midnight Fantastic Four é escrita por Benjamin Percy, e Midnight X-Men chega com Jonathan Hickman. O problema é que os heróis foram reconstruídos de dentro para fora.
Peter Parker equilibra poder e monstruosidade, os mutantes abandonaram o sonho de convivência com os humanos, e o Quarteto perdeu seu laço afetivo. Sobre este último, a mudança é ainda maior, sem traços de qualquer unidade familiar entre os personagens. O resultado soa como personagens inéditos usando nomes conhecidos.
Riscos e pontos a favor
Há perigo real em afastar o leitor do que o fez gostar desses heróis. Um exemplo seria a vida profissional de Peter Parker nesse cenário. Em contrapartida, existem méritos: a liberdade dos criadores é grande, e histórias menos presas à continuidade tendem a cansar menos o público.

A comparação diz muito sobre o momento dos quadrinhos americanos. Para a DC, o Universo Absoluto virou prova de que reinventar sem romper a essência rende vendas e debate. Para a Marvel, o Universo Midnight é um teste ousado de quanto o leitor aceita ver seus heróis se transformarem em algo quase irreconhecível.
Se a resposta dos fãs for fria, a editora terá um recado claro sobre o que o público espera de uma versão alternativa. Se for calorosa, esse é apenas mais um ponto de vista numa discussão que promete durar.




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