Quando um personagem passa anos sendo lapidado, qualquer passo atrás costuma gerar discussão. Foi o que aconteceu com o reset de Venom (2026) #1, já disponível nas lojas dos Estados Unidos.
Na edição, Eddie Brock e o simbionte reaparecem como uma dupla briguenta e desconfiada do mundo. Eles dizem aos heróis de Nova York que não precisam, nem desejam, a aprovação de ninguém. O simbionte chega a se oferecer para eliminar criminosos pequenos que os heróis deixaram presos.
O cenário contrasta com o que veio antes. Eddie já foi o Rei de Preto no lugar de Knull, o filho Dylan chegou a se unir ao simbionte, Eddie se uniu a Carnificina para tentar controlar a própria selvageria, Mary Jane Watson também vestiu o traje, até o reencontro final de Eddie com o Venom original ao término de Rainha de Preto.
A bronca de alguns
Alguns fãs e críticos afirmam que a trajetória construída na fase de Donny Cates foi descartada. Nessa leitura, o redirecionamento ignora a redenção do herói e o relacionamento com Dylan, que talvez nem volte a aparecer.
Há quem veja até uma contradição, já que a edição fala em não ser colocado em uma caixa, mas o comportamento do protagonista parece encaixá-lo exatamente em uma. Embora os fãs de longa data tendam a se sentir mais traídos, a qualidade do material não é questionada por si só. A questão é o abandono de um desenvolvimento que vinha se consolidando nos últimos anos.


A reta final recente do simbionte foi movimentada. O Ei Nerd explicou em outubro como Sleeper, simbionte que já foi o sétimo filho do Venom, ocupou o trono do Rei de Preto, e já havia antecipado em junho o evento que colocou Mary Jane no centro da guerra entre Hela e Knull.
Recomeço com risco
Quadrinhos de super-heróis vivem de ciclos, e voltar ao básico pode atrair leitores novos que nunca viram a fase de Donny Cates. O risco, porém, é soar como um passo atrás para quem acompanhou a transformação do herói ao longo dos anos.
Como a revista acaba de estrear, ainda é cedo para cravar qualquer veredito. Para a Marvel, o desafio é não afastar quem acompanhou Eddie amadurecer. Cabe aos próximos números mostrar se o tom raivoso é só um ponto de partida para uma nova jornada ou um retrocesso definitivo.





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