Um projeto criado pela comunidade está trazendo de volta “The Witcher: Monster Slayer”, jogo mobile de realidade aumentada encerrado em 2023. A iniciativa já possui uma versão funcional para Android, permitindo que jogadores voltem a caçar monstros pelo celular.
Desenvolvido pela Spokko, integrante do grupo CD PROJEKT, “The Witcher: Monster Slayer“ chegou aos celulares em 2021 com uma proposta semelhante à de jogos como “Pokémon GO”. A diferença estava no universo de fantasia sombria da franquia, que transformava o mundo real em um território de caça para bruxos.
O projeto original deixou de funcionar oficialmente em 30 de junho de 2023. Agora, mais de três anos depois, fãs estão tentando preservar a experiência por meio de uma reconstrução não oficial.
Projeto recupera “The Witcher: Monster Slayer”
A iniciativa conhecida como “Witcher: Monster Slayer Revival Project” é liderada pelo desenvolvedor conhecido como NatusAnima. O trabalho começou como uma tentativa experimental de recuperar um jogo cujo componente de servidor original já não estava disponível.
O projeto evoluiu consideravelmente nos últimos meses. A versão atualmente disponibilizada utiliza como referência o patch 1.1.116 de “The Witcher: Monster Slayer” e conta com um servidor reconstruído para permitir que o aplicativo volte a funcionar.
O resultado ainda está longe de ser uma versão definitiva. Os próprios responsáveis classificam o projeto como uma versão Alpha. Mesmo assim, a experiência já pode ser executada em aparelhos Android modernos.
Jogo funciona sem conexão com os servidores originais

Um dos maiores obstáculos para preservar “The Witcher: Monster Slayer” era justamente sua dependência da infraestrutura online utilizada pela versão oficial.
O Revival Project contorna esse problema com uma implementação própria do servidor. Dessa maneira, a experiência pode funcionar offline, sem depender dos serviços que sustentavam o jogo original.
Segundo os responsáveis pelo projeto, grande parte dos recursos já está funcionando. A reconstrução inclui sistemas essenciais da experiência, embora algumas funções continuem incompletas ou apresentem problemas.
“O jogo funciona completamente offline e quase todos os recursos estão funcionando como deveriam.”
Os desenvolvedores ressaltam que existem exceções. A loja do jogo não está disponível, enquanto determinados recursos multiplayer ainda possuem limitações.
O que já funciona na versão Alpha?
O avanço do projeto é particularmente significativo porque a iniciativa começou em uma situação muito mais limitada. Em julho de 2026, os responsáveis ainda descreviam o trabalho como uma prova de conceito, com grande parte da experiência inutilizável.
Desde então, diferentes sistemas foram recuperados. O tutorial completo voltou a funcionar, incluindo a criação do personagem e o sistema de combate.
Também houve progresso na campanha. Cerca de 60% da linha de missões do prólogo já havia sido restaurada em uma atualização publicada no início de outubro.
Os menus principais também receberam atenção. O jogador pode equipar diferentes espadas, armaduras, óleos e bombas, embora alguns atributos dos itens ainda precisem ser reconstruídos.
Esse detalhe é importante porque determinadas informações do jogo original eram armazenadas no servidor. Por isso, os responsáveis precisam recuperar esses dados por outros meios, utilizando registros e materiais que ainda estão disponíveis.
Como era “The Witcher: Monster Slayer”?
Lançado em 21 de julho de 2021, “The Witcher: Monster Slayer” utilizava realidade aumentada e localização para transformar a região ao redor do jogador em um cenário de caça.
A proposta colocava o usuário no papel de um bruxo responsável por investigar ameaças e enfrentar monstros encontrados durante a exploração do mundo real.
As criaturas apareciam de acordo com fatores como horário e localização. O sistema incluía diferentes categorias e níveis de monstros, criando motivos para o jogador continuar caminhando e explorando novas áreas.
A ideia seguia uma tendência popularizada por “Pokémon GO”, mas adaptava a fórmula ao universo de “The Witcher”. Em vez de capturar criaturas, o objetivo era encontrá-las e eliminá-las utilizando as ferramentas características dos bruxos.
A própria CD PROJEKT RED descrevia o título como um RPG de realidade aumentada baseado em localização, no qual os jogadores poderiam sair pelas ruas para caçar criaturas do Continente.
Por que o jogo foi encerrado?
Apesar de ter conquistado uma comunidade dedicada, “The Witcher: Monster Slayer” não permaneceu ativo por muito tempo.
A Spokko anunciou o encerramento do jogo e posteriormente desligou seus servidores em 30 de junho de 2023. O fim deixou os jogadores sem acesso à experiência, já que os sistemas online eram fundamentais para o funcionamento do título.
O fechamento também criou um problema maior para a preservação. Diferentemente de um jogo tradicional para console ou PC, simplesmente guardar uma cópia do aplicativo não era suficiente para manter todos os seus recursos funcionando.
É justamente nesse ponto que o Revival Project ganhou relevância para a comunidade.
Projeto não distribui os arquivos protegidos do jogo
Existe uma diferença importante entre preservar um jogo e redistribuir seus arquivos comerciais. O Revival Project disponibiliza o código e ferramentas necessárias para a reconstrução, mas não inclui no pacote os arquivos do jogo protegidos por direitos autorais.
Isso significa que o projeto depende de arquivos que precisam ser obtidos pelo próprio usuário. Os responsáveis também recomendam que o cliente seja recuperado a partir de uma instalação legítima.
Portanto, não se trata de um relançamento oficial de “The Witcher: Monster Slayer”. A iniciativa é independente e não representa um novo produto anunciado pela CD PROJEKT RED.
Android é a prioridade no momento
A versão atual do Revival Project foi desenvolvida para dispositivos Android modernos. O suporte a todos os aparelhos Android ainda está sendo trabalhado, enquanto uma versão para iPhone permanece incerta.
O motivo é principalmente técnico. Os responsáveis precisam ter acesso aos arquivos necessários para reconstruir a experiência em cada plataforma. No caso do iOS, eles afirmam não possuir atualmente os arquivos necessários para realizar esse trabalho.
Por isso, quem esperava jogar novamente no iPhone terá de aguardar. Não existe, neste momento, uma garantia de que o projeto chegará ao sistema da Apple.
Instalação ainda exige paciência

O retorno de “The Witcher: Monster Slayer” também não acontece com uma instalação convencional. O processo atual possui algumas exigências e pode levar vários minutos.
O projeto informa que são necessários aproximadamente 6 GB a 10 GB de espaço livre durante o processo. Depois da instalação, o tamanho ocupado é menor, ficando na faixa de 2 GB a 3 GB.
Existe ainda uma exigência relacionada à conta Google utilizada para obter o jogo originalmente. Atualmente, o procedimento requer uma conta que tenha baixado “The Witcher: Monster Slayer” em algum momento durante o período em que o aplicativo esteve disponível.
Como se trata de uma versão Alpha, também existem riscos de erros e incompatibilidades. Os próprios desenvolvedores alertam que determinadas funções podem quebrar enquanto o trabalho continua.
Preservação de jogos ganha mais um exemplo
O caso de “The Witcher: Monster Slayer” mostra um dos principais desafios da preservação de jogos modernos. Quando um título depende de servidores próprios para funcionar, o encerramento do serviço pode significar o desaparecimento de partes importantes da experiência.
Projetos criados por fãs podem ajudar a recuperar essas obras, mas o processo é tecnicamente complexo. Além disso, existem questões legais relacionadas ao uso de software, marcas e arquivos protegidos por direitos autorais.
No caso de “Monster Slayer”, a comunidade conseguiu transformar uma tentativa inicial bastante limitada em uma experiência funcional. Ainda há trabalho pela frente, mas o progresso demonstra que jogos mobile dependentes de servidores não precisam necessariamente desaparecer completamente da memória dos jogadores.
Um novo caminho para o bruxo
O retorno de “The Witcher: Monster Slayer” não significa que o jogo tenha sido oficialmente ressuscitado pela CD PROJEKT RED. É uma iniciativa comunitária e ainda está em desenvolvimento.
Mesmo assim, o projeto oferece algo que parecia impossível há poucos anos: voltar a caminhar pelo mundo real em busca de monstros como um bruxo.
Se os responsáveis conseguirem concluir a restauração das missões, corrigir os problemas técnicos e ampliar a compatibilidade, o projeto poderá se transformar em uma importante peça de preservação de jogos.
Por enquanto, o cenário é promissor, mas exige cautela. “The Witcher: Monster Slayer” voltou a funcionar graças ao trabalho da comunidade, porém ainda está em uma fase inicial e pode apresentar falhas durante a instalação ou execução.
Para os antigos jogadores, entretanto, a simples possibilidade de retornar a Vanária e voltar a caçar monstros já representa uma segunda chance para um título que parecia definitivamente perdido.





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