X-Men ’97: os uniformes da 2ª temporada explicados

Andre Luiz

As novas artes promocionais de X-Men ’97 confirmaram algo que os fãs aguardavam desde a D23 de 2024: a segunda temporada vai trazer uma verdadeira virada no guarda-roupa dos mutantes. São pelo menos quatro visuais distintos, cada um inspirado em uma era diferente das histórias em quadrinhos, refletindo diretamente o caos narrativo deixado pelo final da primeira temporada.

Se os uniformes de X-Men ’97 sempre foram carregados de significado, na segunda temporada eles contam histórias inteiras antes mesmo de um diálogo ser proferido.

Por que os uniformes mudaram: a explicação do próprio criador

A mudança de visual não é por acaso nem apenas um recurso estético. O ex-showrunner Beau DeMayo, responsável pela concepção da segunda temporada, explicou a decisão nas redes sociais antes de ser desligado da Marvel:

“Como acontece com todas as mudanças de figurino, essa decisão foi enraizada na narrativa e nos temas que a segunda temporada vai explorar. Obviamente, esses uniformes têm forte ligação com Genosha e com ‘E is For Extinction’.”

A referência é direta: “E é por Extinção” (“E is for Extinction”) é o arco de abertura da fase de Grant Morrison nos quadrinhos “Novos X-Men”, publicada em 2001, que começa justamente com a destruição de Genosha. Um evento que a primeira temporada de X-Men ’97 trouxe de volta de forma devastadora. Os novos uniformes, portanto, não são só moda, mas sim uma marca de luto, reconstrução e passagem de era.

Os uniformes da X-Corp: os visuais de Grant Morrison e Frank Quitely

Divulgação: Marvel/Disney (via Hex Facility)

O visual mais aguardado é o da X-Corp, nome dado à formação dos X-Men no presente após o retorno dos personagens presos no tempo. Eles aparecem vestindo os uniformes pretos e dourados diretamente inspirados nos quadrinhos de Morrison com arte de Frank Quitely, a partir de “Novos X-Men” #114 (2001).

O design original de Quitely foi uma ruptura radical para a época: nada de espandex colorido e capas. No lugar, jaquetas pretas com o símbolo dourado do X no peito, calças escuras e um visual mais sóbrio, quase tático. Nos quadrinhos, esse traje representou uma renovação proposital da identidade dos X-Men, adequando a equipe a um mundo mais complexo e perigoso, além da óbvia influência dos filmes.

Na animação, a formação que veste esses uniformes é liderada pelo Professor Xavier e inclui Ciclope, Jean Grey, Fera, Vampira, Noturno, Bishop e Polaris. Vale notar que alguns desses personagens, como Polaris e Bishop, nunca fizeram parte da era Morrison nas HQs, o que significa que os roteiristas criaram versões adaptadas dos uniformes para eles especialmente para a série.

A ausência de Emma Frost na formação da X-Corp é um ponto que chama atenção. Nos quadrinhos de Morrison, a Rainha Branca era peça central daquela fase. Segundo informações, isso pode mudar no decorrer da temporada.

Os uniformes do futuro: viagem ao ano 3960 d.C.

Divulgação: Marvel/Disney (via Nexus Point News)

Ciclope e Jean Grey estão presos no futuro distante, por volta do ano 3960 d.C., e as artes mostram que os dois aparecem com uniformes diretamente inspirados nos trajes do X-Factor dos anos 1980, fase em que os cinco X-Men originais se reuniram em uma equipe financiada pelo governo antes de retornar para a Mansão Xavier.

O visual de Ciclope nessa versão é mais sóbrio, com a paleta azul e amarela característica da era clássica. Jean Grey surge com um traje que remete ao período em que ela estava afastada da identidade de Fênix, adotando uma postura mais contida. Já Wolverine, que também está preso no futuro junto com Tempestade e Morfo, aparece no seu visual mais perturbador: o modo “feral” do final dos anos 1990, sem o esqueleto de adamantium arrancado por Magneto no final da primeira temporada, com traços mais animalescos e instintivos.

Tempestade, por sua vez, surge com o uniforme de treino da era Jim Lee dos anos 1990, um visual icônico que os fãs de longa data vão reconhecer imediatamente. A escolha reforça a ideia de que cada figurino carrega um peso narrativo específico para cada personagem.

Os uniformes do Egito Antigo: adaptação à época

Divulgação: Marvel/Disney (via Nexus Point News)

No passado, a situação é bem diferente. Magneto, Vampira, Fera, Noturno e Bishop foram parar no Egito de 3000 a.C. e as artes mostram que a maioria da equipe abandonou seus uniformes convencionais, adotando vestimentas características da época.

A exceção é Bishop, que aparece ainda com seu traje clássico. A escolha provavelmente tem uma explicação narrativa: o personagem vem do futuro, então sua relação com o tempo e com sua própria identidade visual é diferente dos demais. Magneto, curiosamente, aparece com seu uniforme da era “Novos X-Men” dos anos 2000, o mesmo design escuro e simplificado que Grant Morrison adotou para redefinir o vilão na página impressa.

Ver os X-Men vestidos como habitantes do Egito Antigo é uma das apostas visuais mais ousadas da série e indica que a temporada não vai economizar na criatividade para mostrar como os personagens se adaptam, ou não, a cada período histórico.

Os uniformes da X-Force: identidade noventista com misturas

Divulgação: Marvel/Disney (via Nexus Point News)

A X-Force tem uma estética bem definida. O time de Cable usa o logotipo original dos anos 1990 e os uniformes seguem a paleta mais militar e paramilitar da equipe naquela era. Mancha Solar aparece com seu visual clássico dos anos 90 nas HQs.

Arcanjo e Psylocke trazem uniformes mais associados à versão da “Uncanny X-Force” dos anos 2010, a releitura sombria e violenta escrita por Rick Remender. Isso cria um visual híbrido intencional, misturando duas décadas de história da equipe em uma só formação animada. Jubileu completa o time com um figurino que se distingue do seu visual tradicional dos X-Men, marcando visualmente sua transição para uma equipe com objetivos bem distintos.

Os uniformes da X-Factor: fidelidade à era Mutant Genesis

A X-Factor traz o visual fiel à chamada era “Mutant Genesis” do início dos anos 1990, relançamento dos X-Men que disparou as vendas da franquia. Destrutor, Polaris, Fortão, Lupina e Homem-Múltiplo aparecem com trajes que remetem à fase em que a equipe era um grupo patrocinado pelo governo americano, com Val Cooper como agente de ligação.

A presença de personagens como Fortão e Homem-Múltiplo na animação é inédita e representa uma das maiores celebrações da história mutante impressa que a série já fez. Seus uniformes específicos daquela época são detalhes que os fãs de quadrinhos vão captar na primeira cena.

O que toda essa mudança de uniforme significa para a franquia

Ver quatro eras diferentes dos quadrinhos representadas visualmente em uma mesma temporada é algo sem precedente em animações da Marvel. X-Men ’97 está usando os uniformes como linguagem narrativa: cada traje é um mapa do estado emocional e temporal de cada personagem.

Além disso, a adoção dos uniformes de Grant Morrison sinaliza claramente que a série pretende avançar cronologicamente na história dos X-Men, deixando para trás a estética puramente noventista e abrindo espaço para adaptações de arcos dos anos 2000, como a saga do Apocalipse e os desdobramentos de Genosha. Para os fãs que cresceram com os quadrinhos da virada do milênio, ver esses visuais na animação é quase tão impactante quanto ver a série sendo renovada.

A estreia mundial de X-Men ’97 está confirmada para o Festival de Tribeca em 13 de junho de 2026, com a chegada ao Disney+ prevista logo na sequência.

A primeira temporada de X-Men ’97 está disponível na íntegra no Disney+.

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