O serviço de streaming tentou fechar um contrato exclusivo de 500 milhões de dólares para adaptar as grandes franquias da Microsoft. A negociação fracassou após demissões em massa e divergências de valores.
No início de outubro deste ano, a Microsoft revelou oficialmente a criação da Xbox XP, uma nova e ambiciosa divisão focada exclusivamente em expandir as suas famosas franquias de videogames para o cinema e para a televisão. Contudo, os bastidores dessa expansão escondem uma negociação gigantesca. Antes da criação dessa iniciativa interna, a Netflix esteve muito perto de assumir o controle total e exclusivo de todas as adaptações do catálogo verde.
A oferta de 500 milhões e a contraproposta da Microsoft

Segundo um recente relatório divulgado pelo jornalista Matthew Belloni, do portal Puck, as negociações envolveram cifras astronômicas. A então chefe de conteúdo da Netflix, Bela Bajaria, apresentou uma proposta de 500 milhões de dólares para adquirir os direitos exclusivos de adaptação para TV e cinema do Xbox por um longo período de sete anos.
Apesar da proposta agressiva, a liderança de games não cedeu facilmente. A atual CEO do Xbox, Asha Sharma, e a sua equipe executiva enviaram uma pesada contraproposta. O relatório aponta que a gigante da tecnologia exigiu 800 milhões de dólares pelos mesmos direitos e tempo de contrato. A enorme diferença de 300 milhões esfriou as conversas iniciais.
Demissões em massa e o fim das negociações
Antes que qualquer meio-termo pudesse ser arduamente negociado pelas duas partes, o instável cenário corporativo da indústria do entretenimento cobrou o seu preço. Bela Bajaria deixou a companhia de streaming exatamente no mesmo período em que a Netflix anunciou a drástica demissão de mil funcionários. Essa massiva reestruturação interna foi o prego final no caixão do bilionário acordo.
Com a saída de Bajaria, o acordo saiu totalmente da mesa. O Xbox agora busca acordos menores com mais parceiros na indústria.
O futuro das adaptações: Xbox XP, Minecraft e Diablo

Com o fim do acordo de exclusividade, a estratégia da Microsoft mudou radicalmente para um formato muito mais pulverizado e independente com a recém-criada Xbox XP. A meta agora é licenciar marcas individuais para diferentes estúdios, maximizando o alcance global das propriedades. Apesar do colapso no mega-contrato de 500 milhões, a relação entre as duas empresas não foi prejudicada e diversas colaborações pontuais continuam em pleno desenvolvimento ativo.
A própria empresa se manifestou oficialmente sobre a atual relação com a plataforma de streaming em um recente comunicado oficial enviado à imprensa.
Temos recebido um interesse recorde em nossas propriedades intelectuais. A Netflix é um parceiro valioso e estamos empolgados com o futuro lançamento conjunto de nossas séries animadas de Minecraft e Diablo, entre outras adaptações.
O mercado de entretenimento vive um verdadeiro frenesi pelas adaptações de jogos digitais. O profundo interesse de Hollywood em fechar exclusividades monstruosas prova que os games são a atual mina de ouro da cultura pop. Ao manter o controle da distribuição e fatiar as parcerias, o Xbox garante não apenas uma maior rentabilidade a longo prazo, mas também o poder de veto criativo para proteger a essência de suas marcas mais valiosas nas telas globais.






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