A Microsoft teria cancelado o financiamento do jogo durante sua reestruturação. Mesmo assim, a Panache Digital Games decidiu tocar o projeto de forma independente.
Nem todo grande projeto encontra um caminho tranquilo até os jogadores. É o caso de 1666: Amsterdam, o novo jogo de ação com temática de fantasia sombria da Panache Digital Games. Segundo o jornalista Stephen Totilo, do Game File, o título quase foi publicado pela Xbox, mas acabou perdendo o financiamento da Microsoft em meio ao processo de reestruturação da empresa. Com isso, o estúdio decidiu seguir sozinho, apostando na autopublicação.
O jogo que quase saiu pela Xbox
De acordo com Totilo, 1666: Amsterdam estava entre os projetos apoiados pela divisão de games da Microsoft. Isso aconteceu antes de a companhia interromper os investimentos em diversos jogos que ainda não haviam sido lançados, uma decisão que atingiu vários estúdios.
Nos últimos anos, a Xbox vinha bancando produções de nomes de peso da indústria, incluindo o próprio criador do jogo, os irmãos Romero e Hideo Kojima. Nem todas essas parcerias, porém, chegaram a bom porto. No caso de 1666: Amsterdam, o corte de verba, que teria ocorrido em meados de 2025, forçou uma mudança completa de planos.
Um estúdio que segue por conta própria
Vale conhecer quem está por trás do projeto. A Panache Digital Games foi fundada por Patrice Désilets, um dos nomes mais respeitados do meio. Ele é o criador da franquia Assassin’s Creed e também assinou a direção criativa de Prince of Persia: The Sands of Time, além de já ter lançado Ancestors: The Humankind Odyssey pelo estúdio.
A jornada de 1666: Amsterdam é longa e cheia de percalços. O projeto foi anunciado ainda em 2013, mas travou após problemas com antigas editoras e uma disputa judicial com a Ubisoft. Désilets só recuperou os direitos sobre o jogo em 2016. Por tudo isso, mesmo sem o apoio da Microsoft, o desenvolvedor optou por continuar o desenvolvimento de forma independente, em vez de buscar outra editora. Em entrevista, ele resumiu sua determinação com o projeto:
É por isso que lutei tanto por 1666. Amsterdã é apenas o primeiro jogo, é para onde queremos ir a partir daqui.
O caso lembra a Romero Games
A situação de 1666: Amsterdam não é única. Ela lembra bastante o que aconteceu com a Romero Games, estúdio ligado ao lendário John Romero, um dos criadores de Doom. O estúdio também revelou ter perdido o financiamento de um projeto após uma decisão estratégica da editora responsável.
Na época, a CEO Brenda Romero comunicou que a editora havia cancelado a verba do jogo, junto com vários outros projetos ainda não anunciados de outros estúdios. Ela afirmou que o cancelamento ocorreu por motivos que estavam fora do controle da equipe, reforçando o padrão de cortes recentes ligados à mesma reestruturação.
O que é ‘1666: Amsterdam’?
Deixando de lado os bastidores, a proposta do jogo é bastante intrigante. Em 1666: Amsterdam, os jogadores controlam Noa Brooklyn, uma Colecionadora criada pelos Zaindaris para enfrentar forças malignas ligadas a entidades conhecidas como “os Originais”. A ambientação mistura fantasia sombria e ação narrativa, com uma protagonista que domina a bruxaria.
A premissa parte da ideia de que, a cada 333 anos, algo sinistro desperta na cidade. Assim, o jogador investiga a Amsterdã do século 17 durante o dia e enfrenta demônios disfarçados de pessoas comuns ao cair da noite. A aventura ainda promete transitar por diferentes períodos de tempo, uma marca registrada de Désilets. Por ora, o jogo está em desenvolvimento para PC, com uma demonstração já disponível, mas ainda sem data de lançamento confirmada.
No fim das contas, o episódio é mais um reflexo da recente mudança de rumo da Microsoft e da Xbox. A empresa vem revendo seus investimentos, em um movimento que se soma a outros cortes e reestruturações vistos na indústria de games nos últimos tempos.
Por outro lado, a decisão da Panache de seguir em frente mostra a força de um projeto pessoal que atravessa mais de uma década. Resta saber se a aposta na autopublicação dará certo, mas o simples fato de 1666: Amsterdam continuar vivo já é uma boa notícia para quem acompanha o trabalho de Désilets.
E você, ficou curioso para conhecer 1666: Amsterdam? Conta pra gente nos comentários.




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