‘Baldur’s Gate 4’: mais um estúdio recusa o projeto

Vinicius Miranda

Depois da Larian, o veterano James Ohlen também disse não à sequência. Segundo ele, competir com o fenômeno Baldur’s Gate 3 seria uma loucura.

Fazer a continuação de um dos maiores RPGs da história parece um sonho, mas, para muitos desenvolvedores, é praticamente um pesadelo. A Hasbro segue em busca de alguém disposto a criar Baldur’s Gate 4, e a lista de recusas só aumenta. Depois de a própria Larian Studios declinar do convite, agora foi a vez de um veterano com passagem pela franquia rejeitar a missão. Ou seja, suceder o aclamado Baldur’s Gate 3 tem se mostrado uma tarefa que ninguém quer encarar.

A Larian já havia dito não

Faz sentido que a Hasbro, dona da Wizards of the Coast e da marca de Dungeons & Dragons, tenha procurado primeiro a Larian Studios. Afinal, o estúdio fez um trabalho espetacular em Baldur’s Gate 3. No entanto, a equipe recusou a proposta, pois seus desenvolvedores estavam mais interessados em criar algo novo e original.

Segundo o CEO da Larian, Swen Vincke, a equipe até chegou a começar o desenvolvimento de Baldur’s Gate 4. Contudo, ele percebeu que o time estava fazendo o jogo por obrigação, e não com paixão. Diante disso, o estúdio preferiu voltar a se dedicar às suas próprias franquias, como a série Divinity, que nasceu de sua criatividade. Assim, a busca da Hasbro continuou.

James Ohlen também recusa

Baldur’s Gate 3 – Divulgação / Larian Studios

Com a negativa da Larian, a Hasbro mirou em outro nome de peso: James Ohlen, designer líder dos dois primeiros Baldur’s Gate. De acordo com uma entrevista à PC Gamer, o CEO da Hasbro, Chris Cox, ligou para Ohlen no mesmo dia em que soube que a Larian não faria o jogo. A resposta do veterano, porém, foi direta: ele afirmou que fracassaria e explicou os motivos.

Para Ohlen, o problema é o tamanho do desafio. Ele lembrou que Baldur’s Gate 3 deu certo não só pela qualidade da Larian, mas porque o estúdio era perfeito para aquele jogo, com anos de experiência acumulada. Concorrer com esse legado, na visão dele, seria pedir para dar errado:

Fazer Exodus já é bem difícil, mas ter que competir com Baldur’s Gate 3? Isso seria uma loucura.

O designer ainda apontou uma barreira técnica. Como Baldur’s Gate 3 foi construído no motor gráfico proprietário da Larian, criar tudo do zero levaria, em suas palavras, “pelo menos meia década de horror”. Curiosamente, Ohlen anunciou recentemente que deixou tanto o estúdio Archetype Entertainment quanto o desenvolvimento de games, alegando esgotamento profissional.

Vítima do próprio sucesso

No fundo, Baldur’s Gate 3 parece sofrer de um problema curioso: ser bom demais. O jogo venceu diversos prêmios, incluindo o de Jogo do Ano, e vendeu mais de 20 milhões de cópias. Tanto novatos quanto fãs de longa data se apaixonaram pelo título, que ainda ganhou muito conteúdo extra ao longo de várias atualizações.

Por ser tão revolucionário para o mercado de RPGs, o jogo acabou assustando quem pensaria em sucedê-lo. Não à toa, a Larian segue dando suporte constante a Baldur’s Gate 3, reforçando o quanto a régua ficou alta. Para Ohlen, a única saída seria a próxima equipe “fazer tudo diferente”, exatamente como ele fez ao criar o primeiro jogo da série.

Como seria um ‘Baldur’s Gate 4’

Sem a Larian e sem o seu motor gráfico exclusivo, é bem provável que Baldur’s Gate 4 seja bastante diferente de seu antecessor. Vale lembrar que já existem grandes diferenças entre Baldur’s Gate 2 e Baldur’s Gate 3, embora boa parte disso se deva aos mais de vinte anos que separam os dois lançamentos.

Muita coisa sobre o futuro da franquia ainda é um mistério. De qualquer forma, uma coisa parece certa: a Hasbro não quer esperar mais duas décadas por uma nova sequência. Resta saber, então, quem terá coragem de aceitar o desafio e quanto tempo isso levaria.

A boa notícia: ‘Baldur’s Gate 2’ pode voltar

Baldur’s Gate 2 – Divulgação / Bioware

Nem tudo, porém, são recusas. Enquanto Baldur’s Gate 4 segue provavelmente distante, vazamentos recentes indicam que Baldur’s Gate 2 pode estar de volta. Segundo essas informações, ainda não confirmadas oficialmente, um remake do segundo jogo já estaria em desenvolvimento, com Kevin Martens, outro designer da equipe original, supostamente a bordo.

Se o rumor se confirmar, seria uma ótima oportunidade para quem começou pelo terceiro jogo conhecer o segundo capítulo em uma versão modernizada. Não está claro se o Baldur’s Gate original também ganhará um remake. Ainda assim, como as duas histórias são diretamente ligadas, faria sentido começar do início e seguir dali.

No fim das contas, a saga vive um momento curioso: nunca foi tão amada, e nunca deu tanto medo em quem pensa em continuá-la. E você, gostaria de ver um Baldur’s Gate 4, mesmo sem a Larian no comando? Conta pra gente nos comentários.

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