É tarde demais pra incluir o Batman de Robert Pattinson no DCU?

Vinicius Miranda

A DC Studios segue trabalhando intensamente na reestruturação do seu universo cinematográfico nas telas. A gestão do executivo James Gunn confirmou que o filme ‘The Brave and the Bold’, com direção assinada por Andy Muschietti e focado na introdução do jovem Damian Wayne, será o pilar central do herói no novo DCU. No entanto, a fundação criada pelo diretor Matt Reeves na obra Batman, estrelada pelo ator Robert Pattinson, continua colecionando as melhores avaliações do público e da crítica especializada.

O forte contraste de aceitação levanta um debate válido na comunidade de fãs sobre a necessidade real de forçar a coexistência de 2 versões do herói nos cinemas. Separamos 5 motivos centrais que explicam detalhadamente por que a integração do vigilante vivido por Robert Pattinson ao cânone principal da produtora pode ser a decisão mais inteligente. Adaptar a franquia isolada para o universo compartilhado exigiria muito menos esforço logístico do que lançar uma propriedade inédita do zero.

Uma alteração fácil e orgânica na continuidade

Pacificador – Divulgação / DC Studios

O controverso longa-metragem ‘The Flash’ utilizou o conceito de multiverso e viagens no tempo para tentar substituir a versão interpretada por Ben Affleck. A trama chegou a trazer o veterano Michael Keaton de volta e, após regravações constantes, o papel foi parar nas mãos de George Clooney. Apesar de estar promovendo um reboot oficial nos cinemas, o recém-formado DCU já escolheu manter os atores de figuras marcantes do passado, como o violento Pacificador de John Cena e a tática Amanda Waller de Viola Davis.

Observando atentamente este histórico corporativo, oficializar o herói de Robert Pattinson como o vigilante definitivo deste novo universo não seria uma tarefa complexa. Não há elementos narrativos no enredo do aclamado ‘Batman’ que contradigam o grande planejamento de James Gunn. A aguardada sequência do título de suspense poderia iniciar essa conexão de maneira sutil, mencionando nomes gigantes como Superman ou o vilão Lex Luthor em diálogos investigativos casuais.

O peso e as dúvidas sobre a direção de Andy Muschietti

The Flash – Divulgação / Warner Bros.

O fraco desempenho técnico e comercial do filme ‘The Flash’ gerou uma desconfiança severa dentro da indústria do entretenimento. O conturbado projeto apresentou efeitos visuais considerados inacabados, participações especiais polêmicas e uma história bagunçada que falhou gravemente em adaptar os quadrinhos do famoso arco ‘Ponto de Ignição’. Essas falhas operacionais se tornaram o centro das discussões sobre o futuro da marca nas telas.

Embora Andy Muschietti tenha mostrado momentos inventivos no passado, a sua permanência no comando de um projeto colossal do tamanho de ‘The Brave and the Bold’ é um grande risco. O desempenho da produção televisiva ‘It: Bem-Vindo a Derry’ ajudou a recuperar parte do prestígio criativo do cineasta, mas o seu verdadeiro encaixe na linguagem do gênero de super-heróis ainda gera debates acalorados. A DC Studios não pode correr o perigo iminente de falhar com um personagem tão vital.

A confusão constante para o público casual de cinema

Coringa – Divulgação / Warner Bros.

O conceito editorial do selo “Elseworlds”, que define a existência de mundos alternativos independentes, é amplamente compreendido pelos ávidos leitores de histórias em quadrinhos. No entanto, a ideia de ter 2 intérpretes do mesmo super-herói no cinema ocorrendo simultaneamente tende a confundir os espectadores casuais, como pais ou parentes distantes da cultura pop. O público geral busca uma linha narrativa simples e unificada ao comprar os ingressos nas bilheterias.

Lançar a vindoura continuação da saga urbana de Matt Reeves e, logo no biênio seguinte, apresentar um herói completamente diferente criando o seu violento filho como Robin pode causar problemas comerciais graves. A coexistência destas franquias criaria um ambiente tóxico de competição direta entre as produções no mercado. É muito difícil imaginar como a equipe de produtores conseguiria diferenciar de forma eficaz o novo protagonista desta encarnação detetivesca e tão aclamada.

O melhor projeto da era recente da DC

Batman – Divulgação / Warner Bros.

Avaliando rigidamente a antiga gestão da marca nos cinemas, formalmente conhecida como o extinto DCEU, o saldo de filmes elogiados pelas massas não é muito longo. O primeiro longa da ‘Mulher-Maravilha’ é rotineiramente lembrado pela comunidade como um verdadeiro clássico isolado daquela fase. Fora daquele escopo de heróis integrados, a aclamada história do primeiro ‘Coringa’ dividiu opiniões ferozes e teve o seu legado cultural profundamente impactado pela baixa recepção do título ‘Coringa: Delírio a Dois’.

Com a eliminação dessas peças do tabuleiro, o longa policial urbano de ‘Batman’ permanece de forma inabalável como a melhor obra cinematográfica lançada antes do atual relançamento capitaneado pela nova diretoria. Títulos ainda agendados, como ‘Supergirl’ ou o suspense focado em ‘Cara de Barro’, dificilmente apresentarão uma concorrência técnica para o justiceiro. O universo isolado se provou tão lucrativo que a recente minissérie ‘Pinguim’ foi um sucesso estrondoso e contou com o apoio direto de James Gunn e Peter Safran.

O real impacto logístico para o futuro do novo DCU

A confirmação e incorporação do denso universo do diretor Matt Reeves traria mudanças inevitáveis para a atual agenda corporativa dos estúdios. O executivo chefe James Gunn possivelmente precisaria adiar a ambiciosa introdução imediata de Damian Wayne e frear as apresentações dos membros adicionais da famosa Bat-Família. O cineasta criador da atual saga de Gotham City também teria que ceder em alguns pontos criativos e aceitar sutilmente a presença da vasta vizinhança de meta-humanos em seu mundo.

O respeitado ator Robert Pattinson também precisaria ser convencido a participar pontualmente de outros projetos do cronograma oficial para fortalecer as interações da empresa. Contudo, o seu temido personagem poderia continuar operando como um mito urbano misterioso, sem necessariamente atuar como um líder sempre presente na Liga da Justiça. Os constantes e fortes rumores sobre a introdução clássica do ajudante Robin na trama de ‘Batman: Parte II’ apenas confirmam que a propriedade está pronta para o futuro.

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