O Universo Cinematográfico Marvel já colocou nas telas nomes como Thanos, Loki, Killmonger e Kang, mas a editora tem um catálogo gigantesco de vilões da Marvel que nunca receberam uma adaptação no cinema decente.
São os chamados personagens de segundo escalão, aqueles que dão trabalho aos heróis nos quadrinhos há décadas sem nunca virar manchete. Com a chegada da nova fase mutante e a reformulação de vários times, sobra espaço para caras novas. A lista a seguir reúne sete personagens que ainda não pisaram nas telonas do UCM e que teriam tudo para brilhar num filme ou numa série.
Antes de seguir, vale um aviso: nenhum dos sete apareceu nos cinemas do Universo Cinematográfico até agora. Alguns tiveram versões em outras produções da Sony e da antiga Fox, e um deles chegou a aparecer em uma série de TV, mas as grandes telas da Marvel Studios seguem livres para eles. É justamente aí que mora a oportunidade.
Górgona

Poucos vilões conseguiram humilhar o Wolverine como Górgona fez. Criado por Mark Millar e John Romita Jr., o personagem estreou em “Wolverine” (vol. 3) #20, de dezembro de 2004, no arco “Inimigo do Estado”. Tomi Shishido é um mutante japonês genial que transforma em pedra qualquer um que cruze seu olhar, além de contar com força sobre-humana, telepatia de baixo nível e um domínio absoluto da espada. Millar queria dar a Logan um antagonista à altura do que o Coringa é para o Batman, e conseguiu: Górgona matou o herói e ainda o ressuscitou sob controle da Mão.
Um vilão desse calibre daria peso a qualquer produção mutante do UCM. Com os X-Men a caminho da franquia, um adversário capaz de petrificar aliados e liderar organizações como o Tentáculo ou a Hydra encaixaria bem numa trama de espionagem e horror. Górgona combina ameaça física e psicológica, algo que o cinema da Marvel raramente explorou a fundo.
Graviton

Franklin Hall, o Graviton, apareceu pela primeira vez em “The Avengers” #158, de abril de 1977, criado por Jim Shooter e Sal Buscema. O físico ganhou controle total sobre a gravidade após um acidente e virou um dos adversários mais poderosos que os Vingadores já enfrentaram. Ele levita cidades inteiras, esmaga inimigos com o peso do próprio corpo e cria campos que prendem qualquer um no lugar. Nos quadrinhos, derrubar Graviton costuma exigir esforço coletivo.
O personagem já teve uma versão na série de TV “Agents of S.H.I.E.L.D.”, com Franklin Hall introduzido na primeira temporada e a identidade Graviton retomada mais adiante. Em nenhum filme da Marvel, porém, ele apareceu.
E é aí que está o desperdício, porque um vilão que manipula gravidade renderia uma luta épica contra heróis de peso, do Thor ao Hulk. Poucos poderes são tão visualmente grandiosos quanto dobrar a própria física a favor do vilão.
Homem Radioativo

Chen Lu, o Homem Radioativo, surgiu em “Journey into Mystery” #93, de junho de 1963, pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby. Físico nuclear chinês, ele se expôs a doses controladas de radiação até se tornar uma arma viva capaz de enfrentar o próprio Thor. Membro fundador dos Mestres do Mal, o vilão controla radiação, dispara rajadas de energia e resiste a golpes que derrubariam heróis comuns.
O personagem já teve participações em desenhos animados da Marvel, mas nunca em live-action. No UCM, ele poderia funcionar tanto como capanga de um plano maior quanto como ameaça solo. A ideia de um cientista que se transforma numa bomba ambulante conversa diretamente com o tom de origens trágicas que a franquia gosta de usar.
Homem Impossível

Aqui entra um caso curioso. O Homem Impossível não é bem um vilão, mas também não é bem um herói: é um agente do caos. Criado por Stan Lee e Jack Kirby, o ser verdinho estreou em “Fantastic Four” #11, de fevereiro de 1963. Ele é um poppupiano, alienígena capaz de mudar de forma para qualquer coisa que imaginar, e chega à Terra apenas em busca de diversão.
Sua ignorância das regras humanas trouxe muitos problemas para o Quarteto Fantástico, embora ele nunca aja por maldade de verdade. Com o tempo, o personagem chegou a ser adotado pelo próprio Quarteto e até enganou Galactus.
Esse perfil ambíguo é exatamente o que torna o Homem Impossível uma aposta divertida para o UCM. Depois de tantos vilões sombrios, um trapaceiro cósmico traria leveza sem perder o potencial de bagunçar a vida dos heróis. Com o Quarteto Fantástico recém-chegado ao UCM, ele seria um nome forte para novos filmes da equipe.
Rhino

Aleksei Sytsevich, o Rhino, nasceu em “The Amazing Spider-Man” #41, de outubro de 1966, criado por Stan Lee e John Romita Sr. O russo passou por um experimento que fundiu uma armadura à sua pele, garantindo força e resistência colossais. A fama de brutamontes pouco esperto acompanha o personagem, mas justamente aí está o charme: quadrinhos como “Spider-Man’s Tangled Web” #6 revelaram um lado humano surpreendente por trás da carga de músculos.
Vale registrar que o Rhino já apareceu em live-action fora do UCM, com Paul Giamatti em “O Espetacular Homem-Aranha 2” (The Amazing Spider-Man 2) e uma versão em “Kraven, o Caçador” (Kraven the Hunter), ambos da Sony. No universo oficial da Marvel Studios, porém, ele nunca surgiu.
Para o Homem-Aranha de Tom Holland, o Rhino seria uma ameaça divertida e visualmente marcante, seja como capanga de um vilão maior, seja como alívio cômico com potencial dramático.
Ômega Vermelho

Desenhado por Jim Lee no auge da popularidade dos anos 1990, Ômega Vermelho estreou em “X-Men” (vol. 2) #4, de janeiro de 1992, em história de Lee e John Byrne. Arkady Rossovich é um supersoldado soviético equipado com tentáculos de carbonadium e o chamado “fator morte”, que drena a energia vital dos inimigos para fortalecê-lo. O visual imponente e a rivalidade com o Wolverine tornaram o personagem um favorito imediato dos fãs.
Ômega Vermelho teve uma pontinha em “Deadpool 2”, ainda sob a antiga Fox, mas segue ausente do UCM. Um vilão vampírico e quase indestrutível como ele daria fôlego às histórias mutantes que a Marvel está montando.
Encantor

Amora, a Encantor, apareceu pela primeira vez em “Journey into Mystery” #103, de abril de 1964, também por Stan Lee e Jack Kirby. Feiticeira asgardiana de imenso poder, ela usa magia e manipulação para tentar conquistar o coração de Thor e atrapalhar a vida do Deus do Trovão há décadas. Seu retorno recente em “Immortal Thor” mostrou o quanto a personagem ainda tem a oferecer quando bem escrita.
É importante não confundir: a série “Loki” apresentou Sylvie, uma variante do próprio Loki, e não Amora. A verdadeira Encantor dos quadrinhos nunca entrou no UCM, apesar de anos de rumores. Com Asgard estabelecida na Terra e a magia ganhando cada vez mais espaço na franquia, uma vilã que rivaliza com Loki em feitiçaria seria um acréscimo natural para futuras histórias de Thor ou até de Wanda e do Doutor Estranho.
A fila de candidatos está cheia
Górgona, Graviton, Homem Radioativo, Homem Impossível, Rhino, Ômega Vermelho e a Encantor são só uma amostra do que a Marvel guarda nos quadrinhos. Sobra talento no segundo escalão, e falta pouco para algum deles cruzar a ponte até as telonas.




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