O clímax de Avatar Aang: O Último Mestre do Ar trouxe um momento importante. O filme pode ter deixado claro uma antiga diferença na forma como o público julga os dois protagonistas da franquia, os avatares Aang e Korra.
O que acontece no filme
Durante uma das batalhas, o protagonista entra no Estado Avatar e acaba morto ainda naquela condição. A sobrevivência dele depende inteiramente da intervenção de Katara e da água espiritual.
Sem aquele socorro, o ciclo de reencarnações teria terminado ali de vez. Não é a primeira vez que isso quase acontece, já que a mesma ameaça surgiu na série clássica, sob Ba Sing Se.
O momento foi celebrado como emocionante e heroico. Praticamente ninguém classificou a decisão como imprudente, apesar de a consequência ser irreversível. A leitura predominante foi de sacrifício. O risco assumido pelo personagem virou virtude, e não descuido.
O caso que gerou reação oposta
Anos antes, em A Lenda de Korra, a ligação com os Avatares anteriores foi perdida durante o confronto com Unalaq. A crítica veio imediata e nunca cessou.
Boa parte do público trata aquele episódio como o maior fracasso da personagem. A perda é atribuída pessoalmente a ela até hoje, mais de uma década depois.
Por que a comparação não se sustenta
O cenário enfrentado por ela não tinha precedente. Havia um Avatar das Trevas em campo, uma entidade libertada depois de dez mil anos e o equilíbrio espiritual do mundo em colapso.
O grupo ao redor dela também era bem menos experiente. Aang contava com um time formado ao longo de uma jornada inteira, enquanto ela ainda tentava entender o próprio papel.
Existe ainda um detalhe que a discussão costuma ignorar. Quem destruiu a conexão foi o vilão, e não a protagonista. Responsabilizar o personagem principal por um ato do antagonista é uma forma no mínimo tendenciosa de interpretar os acontecimentos.

Há também uma diferença de contexto que pesa. Aang enfrentou um inimigo humano dentro de uma guerra política, enquanto Korra lidou com uma ameaça de escala cósmica sem manual de instruções. Exigir o mesmo desempenho nas duas situações não faz sentido.
O que a franquia sempre defendeu
Nenhum dos dois vence sozinho, e isso é proposital. Ele depende de Katara em dois momentos decisivos, enquanto ela sobrevive graças ao círculo que se recusa a abandoná-la.
A dependência mútua é tema central desde o primeiro episódio da animação clássica. Tratar isso como fraqueza em um caso e como virtude no outro revela mais sobre o público do que sobre os personagens.
Vale um contraponto aqui: o novo longa da franquia, usado como argumento dividiu opiniões, com notas medianas em parte da imprensa especializada. A recepção do público foi bem mais calorosa. Esse descompasso entre crítica e plateia, aliás, é exatamente o tipo de fenômeno que alimentou a rejeição à série da sucessora de Aang lá atrás.
Onde assistir e o que vem depois
Avatar Aang: O Último Mestre do Ar está disponível em streaming e tem cerca de uma hora e quarenta. A franquia segue ativa, com o estúdio dedicado ao universo produzindo novos projetos.
Vale lembrar que a animação da sucessora, Avatar: A Lenda de Korra, foi tocada por um estúdio sul-coreano que virou referência em produções ocidentais, casa responsável também por adaptações recentes de games para o formato animado.





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