Thor: Encantor assume o comando de Asgard nos quadrinhos

Andre Luiz

As coisas mudaram para a pior em Asgard. The Mortal Thor número 13, com roteiro de Al Ewing e arte de Juann Cabal e Matt Milla trouxe a feiticeira Encantor assumindo o trono da terra dos deuses, lugar que pertenceu a Odin e Thor, seu filho.

Como ela chegou ao trono

O plano não envolveu ataque direto. A vilã aproveitou o luto de Magni, filho de Thor, que ocupava a sala do trono naquele momento. Ela apenas cumpriu uma ordem dada pelo próprio herdeiro. Ele pediu para governar dali de dentro, e ela deixou a porta trancada.

O detalhe cruel está na passagem do tempo. Do lado de fora, transcorreram minutos. Para quem estava preso, foi um intervalo impossível de medir, longo o bastante para não sobrar nada dele.

Por que a jogada impressiona

Aqui está o que diferencia essa vitória de tantas outras tentativas. A personagem derrubou a monarquia asgardiana sem disparar um único feitiço ofensivo contra o adversário.

Vilões como Surtur e Hela sempre buscaram o confronto direto e fracassaram. A abordagem da Encantor lembra mais o método de Loki, que já assumiu o trono por engano e manipulação nas telas e nas páginas.

O detalhe plantado edições antes

A armadilha começou bem antes. Em um capítulo anterior, a vilã recebeu uma arma específica da deusa grega Atena, capaz de atingir um alvo a distância impossível.

Aquela morte gerou exatamente o abalo emocional explorado depois. Trata-se de um plano montado em etapas, com meses de publicação entre a preparação e o desfecho.

Vale registrar a repercussão entre a crítica especializada. A edição vem sendo apontada por veículos estrangeiros como uma das melhores publicações da Marvel neste ano, elogio que se apoia justamente na frieza da solução encontrada pela vilã.

Quem é a Encantor

Para quem só conhece o herói pelo cinema, uma apresentação ajuda. Amora, ou Encantor, é uma feiticeira asgardiana e figura entre os adversários mais antigos do Deus do Trovão.

Reprodução/Marvel Comics

A força dela nunca esteve no combate físico. O poder está no encantamento, na sedução e na capacidade de fazer outras pessoas agirem contra os próprios interesses.

O peso do título que ela assumiu

A escolha do nome não é detalhe menor. Quem governa Asgard recebe tradicionalmente o título de Pai de Todos, posto ocupado por Odin, o líder dos deuses nórdicos naquele universo. Ao adotar a versão feminina do título, ela reivindica legitimidade e não apenas conquista. É uma diferença simbólica considerável dentro daquela cultura.

O trono, aliás, já trocou de mãos várias vezes. Nas adaptações, a própria Valquíria chegou a assumir o comando do reino, em movimento bem menos violento.

Trocas de trono em Asgard costumam durar pouco nos quadrinhos, e a própria estrutura das revistas mensais tende a devolver o cenário ao ponto de partida. Tratar isso como mudança definitiva seria ingenuidade.

O que ainda pode dar errado para ela

Existe uma ameaça correndo em paralelo. Outra trama da série acompanha um personagem agindo na Terra, com potencial de abalar o equilíbrio entre os reinos. A nova liderança pode demorar a perceber o problema. Governar por manipulação exige atenção constante, e quem chega ao poder assim raramente dorme tranquilo.

A edição já está disponível no mercado norte-americano.

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