Os primeiros sete minutos da versão feita com o Grok já estão no ar, e a recepção está longe do que o bilionário prometeu. Críticos falam em personagens com ar de zumbi e rostos que mudam a cada cena.
A Odisseia feita com inteligência artificial por Elon Musk finalmente ganhou seu primeiro episódio, com cerca de sete minutos. Produzido com a Grok Imagine, o material foi vendido como uma adaptação historicamente precisa do poema de Homero. A estreia, porém, rendeu uma chuva de críticas e piadas nas redes.
O que foi lançado e quem está por trás
O episódio foi divulgado entre 23 e 25 de outubro de 2026. De acordo com o post oficial da Grok Imagine, o projeto é uma colaboração com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker. A promessa, feita por Musk em julho, era entregar um longa completo até o fim do ano.
A ideia surgiu como resposta ao filme A Odisseia (The Odyssey), de Christopher Nolan. Musk criticava a produção desde que os primeiros detalhes do elenco vieram à tona. Agora, o bilionário tenta provar que sua versão seria mais fiel a Homero.
A reação da crítica à Odisseia de IA
A avaliação mais dura veio do jornal The Telegraph. O crítico Ed Power descreveu o episódio como perturbador e destacou a falta de expressão dos personagens.
É tão perturbador que dá para sentir os olhos tremerem diante de seu aspecto macabro e desleixado […] os personagens de olhar vidrado e vozes sem expressão dão ao episódio uma qualidade de zumbi […] Penélope parece completamente diferente em cada cena […] uma versão da história de Troia que merece ser passada na espada, queimada até o chão e escondida para sempre sob as areias do tempo (tradução livre)
Mesmo assim, o crítico reconheceu um ponto positivo. As cenas de batalha teriam algo da qualidade épica de 300, filme de Zack Snyder sobre os espartanos.
Outras vozes e o público
O tom negativo se repetiu em outros veículos. O britânico The Guardian comparou o episódio a um protetor de tela sem sentido, enquanto o AV Club o viu como um trailer picotado. Já o Consequence of Sound o chamou de sem vida.
Entre os espectadores no X, a mudança de aparência de Penélope e erros de figurino foram os alvos mais comuns. Alguns comentários, porém, elogiaram o realismo das imagens como sinal da evolução dos vídeos por IA.
Como começou a briga entre Musk e Nolan

Segundo a imprensa, Musk teria atacado a escolha de Lupita Nyong’o, de Pantera Negra (Black Panther), para interpretar Helena de Troia. Ele também teria acusado Nolan de racismo contra brancos e compartilhado mensagens ofensivas sobre Elliot Page, que vive o soldado Sínon, e não Aquiles, como muitos chegaram a supor.
Nolan defendeu a atriz e, em entrevista, comparou a IA a um cavalo de Troia. O boicote pedido por parte do público, no entanto, não deu resultado. O filme estreou em julho de 2026 e acumulou perto de US$ 1,8 bilhão nas bilheterias mundiais, o maior valor da carreira do diretor.
Outras versões do clássico de Homero
Aliás, o poema já rendeu várias adaptações, algumas bem livres. A primeira foi o filme mudo de 1911, de Giuseppe de Liguoro, seguido por Ulisses (Ulysses, 1954), com Kirk Douglas.
Também vieram E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (O Brother, Where Art Thou?, 2000), dos irmãos Coen, e O Retorno (The Return, 2024), com Ralph Fiennes. Fãs de animação ainda lembram de Ulisses 31 (Ulysses 31), série dos anos 1980 com visual futurista.
O que a Odisseia de IA diz sobre o futuro
O episódio mostra o tamanho do desafio da IA no audiovisual. Gerar imagens bonitas é uma coisa. Manter rostos, vozes e emoções coerentes por horas é outra bem diferente. Por enquanto, o resultado reforça o argumento de que a tecnologia ainda não substitui diretores, atores e roteiristas.
Para os fãs de cinema, a notícia é um alívio e um alerta. De um lado, o público rejeitou o material. De outro, a evolução rápida pode melhorar essas ferramentas em pouco tempo. Para o mercado, o caso também vira lição sobre promessas grandiosas e entregas apressadas.
E você, assistiria a um longa inteiro feito por IA? Conte para a gente nos comentários!





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