O filme de Johnny Depp que deixou Alan Moore irritado

Andre Luiz

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Passado um quarto de século, Do Inferno segue como um dos casos mais curiosos de adaptação de Alan Moore para o cinema. O ComicBook.com revisitou a história do longa dirigido pelos irmãos Hughes, que estreou em 19 de outubro de 2001.

Publicada em capítulos entre 1989 e 1998 e reunida em volume em 1999 pela Top Shelf Productions, a obra acompanha os crimes de Jack, o Estripador, em Whitechapel, na Londres vitoriana.

Moore se apoia na teoria de Stephen Knight sobre uma conspiração ligada a um bebê real ilegítimo, e o protagonista é o inspetor Frederick Abberline, figura que existiu de fato e que, no filme, ganha o rosto de Johnny Depp, com Heather Graham como Mary Kelly. A HQ recebeu vários prêmios Eisner e dois Harvey.

As críticas de um autor irredutível

Moore não autoriza que seu nome apareça nos créditos de adaptações e afirma que não assiste a elas. Em entrevista à MTV, em 2006, ele atacou a escolha de interpretação de Depp.

Johnny Depp achou por bem interpretar esse personagem como um dândi que enche a cara de absinto e frequenta fumeiros de ópio.

Johnny Depp em Do Inferno – Reprodução/20th Century Studios

O quadrinista também se queixou de outro filme baseado em sua obra, A Liga Extraordinária, em que Sean Connery viveu Allan Quatermain.

Então a parte principal do caráter de Quatermain foi jogada pela janela por capricho de um ator.

Ele ainda contrapôs o cinema aos quadrinhos.

Eu não tenho esses problemas nos quadrinhos.

O mago vs. Hollywood

A rejeição não se limita a Do Inferno. O autor também recusou Watchmen, de Zack Snyder, a série da HBO que dá sequência à história e V de Vingança. Ele sustenta que a DC o enganou para ficar com os direitos dessas obras e, desde então, inclui em seus contratos cláusulas que impedem a venda de seus trabalhos a estúdios.

O Ei Nerd já abordou a relação do escritor com o cinema ao contar que ele elegeu o Batman de Adam West como seu preferido, justamente por não se levar a sério. O site também destacou a cena clássica cortada de V de Vingança, enquanto a HBO desenvolve uma nova versão em série com produção de James Gunn e Peter Safran.

O aniversário reforça uma lição para os estúdios: adaptar Moore costuma significar lidar com um criador que não perdoa mudanças. Para os fãs, a distância entre a HQ e o filme explica por que muitos preferem a obra impressa. Para a indústria, resta o desafio de convencer um autor que não aceita nem o próprio nome nos créditos.

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