O fenômeno dos corredores amarelos chegou aos cinemas, mas já havia conquistado games, séries e até a música pop. Relembre as principais adaptações.
Com distribuição da Imagem Filmes, Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms) já está em cartaz nos cinemas. Dirigido por Kane Parsons, o cineasta mais jovem da história da A24, o longa adapta a websérie homônima do próprio diretor, que por sua vez nasceu de uma das creepypastas mais famosas da internet. No entanto, o filme está longe de ser a única obra a explorar esse universo de horror. Desde 2019, a lenda dos Backrooms inspirou games, episódios de séries e até videoclipes. A seguir, conheça cinco produções marcadas por esse fenômeno.
Antes de mais nada, vale destacar a força do projeto que chegou às telonas. Com roteiro de Will Soodik, conhecido por Westworld, o filme traz no elenco dois indicados ao Oscar: Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave), e Renate Reinsve, de Valor Sentimental (Sentimental Value). A trama acompanha personagens que descobrem uma porta misteriosa no porão de uma loja de móveis.
1. The Backrooms, de Kane Pixels

Tudo começou no YouTube. O primeiro curta-metragem da série, intitulado The Backrooms (Found Footage), foi publicado em 7 de janeiro de 2022 no canal Kane Pixels. O vídeo, de cerca de nove minutos, simula uma fita VHS gravada em 1996, na qual um cinegrafista atravessa acidentalmente a realidade e é perseguido por uma criatura nos corredores amarelos.
O curta foi criado por Kane Parsons, então com apenas 16 anos, usando os softwares Blender e Adobe After Effects. Segundo dados oficiais da A24, o vídeo acumula mais de 70 milhões de visualizações. O sucesso o levou a expandir o conceito em uma série com mais de 20 episódios. Não por acaso, o feito atraiu a atenção da A24, que o contratou ainda aos 17 anos para dirigir o longa, transformando-o no diretor mais jovem do estúdio.
2. American Horror Stories – “Backrooms” (2024)

A lenda também invadiu a televisão. Lançado em 2024 em um especial de Halloween, o episódio Backrooms integra a antologia American Horror Stories, disponível no Disney+. A produção é um spin-off de American Horror Story, de Ryan Murphy e Brad Falchuk, e traz uma trama de terror diferente a cada capítulo.
Dirigido por David Gelb, o episódio é estrelado por Michael Imperioli, conhecido por Família Soprano (The Sopranos) e The White Lotus. Ele vive um roteirista isolado cujo filho pequeno desaparece. Atormentado, o personagem passa a deslizar involuntariamente entre a realidade e os Backrooms. Ao longo da história, surge a teoria de que aquele lugar seria uma espécie de purgatório para quem mente para si mesmo sobre fatos graves da própria vida.
3. Escape the Backrooms, da Fancy Games

No mundo dos games, um título se destaca. Escape the Backrooms é considerado o jogo mais popular ambientado nesse universo. Ele chegou em acesso antecipado em 11 de agosto de 2022, na Steam, e ganhou sua versão final em 23 de outubro de 2025. Versões para PlayStation 5 e Xbox Series estão previstas para 2026.
Trata-se de um jogo cooperativo de horror em primeira pessoa, para até quatro jogadores, que precisam explorar mais de 50 níveis distintos enquanto fogem de criaturas hostis. Em 2026, o título acumula mais de 36 mil avaliações na Steam, sendo 89% delas positivas. Curiosamente, seu desenvolvedor principal, conhecido apenas como Fancy, começou o projeto após assistir ao primeiro curta de Parsons, com a intenção declarada de “assustar os amigos”.
4. Party By Myself, de Juice Wrld

A música pop também entrou nesse universo. O álbum The Party Never Ends, do rapper Juice Wrld, foi lançado em 29 de novembro de 2024, quase cinco anos após a morte do artista, em dezembro de 2019. Uma das faixas, Party By Myself, ganhou um videoclipe inteiramente ambientado nos corredores amarelos dos Backrooms.
Dirigido por Steve Cannon, o clipe mostra o artista vagando por espaços vazios, enquanto a letra aborda solidão e isolamento. O álbum estreou na quarta posição da parada Billboard 200. Apesar das críticas mistas ao disco, o clipe foi recebido pelos fãs como um marco da passagem dos Backrooms da subcultura de internet para a cultura pop mainstream.
5. Ruptura (2022 – presente)

Por fim, há uma influência mais sutil, porém poderosa. Embora não seja uma adaptação oficial, a aclamada série Ruptura (Severance), da Apple TV, tem inspiração declarada nos Backrooms. Em entrevista à revista Inverse, o criador Dan Erickson listou suas referências, que incluíam O Show de Truman (The Truman Show) e Como Enlouquecer Seu Chefe (Office Space). Sobre a lenda, ele declarou:
Tem também coisas como o Backrooms, que é uma lenda urbana de internet meio estranha. Foram várias influências bem diferentes umas das outras.
A menção, ainda que breve, bastou para que a imprensa especializada apontasse a conexão. Os corredores fluorescentes infinitos da fictícia Lumon Industries e a sensação de estar permanentemente perdido em um ambiente de trabalho dialogam diretamente com a estética dos Backrooms. Assim, Ruptura tornou-se um dos exemplos mais visíveis de como uma estética nascida em um fórum anônimo migrou para o streaming de prestígio.
O fenômeno que saiu da internet
A trajetória dos Backrooms é um retrato fascinante da cultura digital contemporânea. O que começou como um simples post anônimo em um fórum ganhou regras, vocabulário e um universo próprio, alimentado coletivamente pela comunidade da internet. Essa construção colaborativa é justamente o que torna o fenômeno tão singular e atraente para criadores de diferentes mídias.
Para o mercado do entretenimento, a chegada da lenda aos cinemas pelas mãos da A24 simboliza uma validação importante. O sucesso de Kane Parsons abre portas para que outros criadores nascidos na internet tenham suas obras levadas a sério pela indústria. Resta saber se o longa conseguirá traduzir para as telonas todo o terror que conquistou milhões de espectadores nos corredores amarelos.
Para acompanhar mais novidades, confira nossa cobertura completa sobre terror e fique por dentro de tudo sobre o universo dos filmes aqui no Ei Nerd.





Seja o primeiro a comentar