Batman: o que Alfred Pennyworth pensa de Bruce Wayne?

Andre Luiz

A edição mais recente de Batman/Superman: World’s Finest Annual, recém-lançada nos Estados Unidos, trouxe uma cena comovente para quem acompanha as história do Homem-Morcego. Nela, a DC respondeu uma dúvida que os leitores carregam há décadas.

A pergunta que nunca teve resposta

O debate parece bobo à primeira vista. Alfred Pennyworth criou Bruce Wayne sozinho depois do assassinato de Thomas e Martha Wayne, e permaneceu ao lado dele por toda a trajetória como Batman.

A dúvida, porém, nunca foi resolvida. Leitores discutem há anos se o herói realmente enxerga o mordomo como família ou apenas como empregado leal da casa.

O que a edição mostra

A revista coloca as figuras paternas de dois heróis em destaque. Alfred conversa com Jonathan Kent, pai adotivo do Superman, e faz uma confissão desconfortável. O mordomo admite pensar em Bruce como um filho. Ele também reconhece que jamais conseguiu determinar se o sentimento é correspondido.

A ironia dói justamente por isso. De fora, a resposta parece óbvia, mas o personagem que viveu aquilo por dentro nunca teve certeza.

Por que a resposta já existia

O argumento mais forte vem de outra história. Em 2019, o arco escrito por Tom King mostrou a morte do mordomo pelas mãos de Bane, e aquele acontecimento segue valendo na linha atual. A reação do Batman diz tudo. A fase escrita por Matt Fraction, com arte de Jorge Jiménez, mostra Bruce Wayne incapaz de superar a perda.

Ele criou um assistente virtual à imagem do falecido. Quando a mansão finalmente contratou outra pessoa, a escolhida foi Verity Pennyworth, sobrinha-neta do antigo funcionário.

A morte de Alfred – Reprodução/DC

O tema aparece em outros lugares

A questão também surgiu na animação. Em Batman: Cavaleiro das Trevas, série do Prime Video, o mordomo se descreve como um lacaio obediente enquanto sofre efeito de uma toxina.

Aquele detalhe reforça o padrão. A insegurança do personagem parece ser leitura consolidada entre os criadores atuais, não invenção pontual.

Quem assina a edição

O roteiro é de Mark Russell, indicado ao prêmio Eisner e responsável por outras histórias dos dois heróis. A arte fica com Clayton Henry, e as cores com Pedro Estouco.

Vale lembrar o peso do personagem no imaginário popular. Ele funciona ao mesmo tempo como bússola moral e alívio cômico do herói, papel que atores como Michael Caine e Jeremy Irons ajudaram a consolidar. A história dele já rendeu produção própria, aliás. Uma série dedicada ao passado do mordomo o apresentou muito antes da mansão dos Wayne.

A dinâmica entre os dois já apareceu na televisão também. Uma série ambientada na juventude de Bruce Wayne mostrou o mordomo assumindo a criação do garoto logo após o assassinato dos pais, origem que sustenta toda a relação.

Alfred Pennyworth estreou em 1943 e passou décadas como figura secundária, ganhando profundidade só a partir dos anos 1980. A morte dele em 2019 dividiu leitores. Parte do público considerou a decisão desnecessariamente cruel, enquanto outra viu ali a única forma de dar peso real a uma perda naquele universo.

O cinema também explorou isso

A relação entre os dois já foi tratada como núcleo emocional. Andy Serkis, que viveu o mordomo em The Batman, descreveu a conexão entre Alfred e Bruce como o verdadeiro centro daquele filme. A leitura combina com a da revista. Aquela dinâmica funciona melhor quando o afeto aparece complicado, e não resolvido de forma simples.

Batman/Superman: World’s Finest Annual número 1 já está disponível nas lojas americanas.

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