Poucos personagens carregam tanto peso simbólico quanto no universo do Homem-Morcego. Azrael completou 34 anos de existência nesta semana, e hoje é fácil e seguro afirmar que Jean-Paul Valley fracassou como Batman , mas acertou como personagem.
A Ordem de São Dumas
A estreia aconteceu em Batman: A Espada de Azrael, publicada em 11 de agosto de 1992. O rapaz descobre a verdade quando o pai chega ferido em casa, vestindo a armadura. A revelação vira o mundo dele de cabeça para baixo: a família servia havia gerações a um grupo secreto chamado Ordem de São Dumas.
O treinamento veio antes da escolha. Ele fora preparado desde a infância sem saber, por meio de condicionamento que a DC batizou de Sistema.

A promoção que deu errado
A chance de redenção para o assassino apareceu no pior momento possível. Quando Bane quebrou a coluna de Bruce Wayne, foi Jean-Paul quem recebeu o manto do Cavaleiro das Trevas.
O condicionamento falou mais alto. Azrael adotou métodos cada vez mais violentos e acabou se afastando por completo dos princípios do titular do capuz. O desfecho foi previsível. O Batman original retornou, retomou o posto e encerrou aquele período.
O que veio depois
A queda não foi o fim. O personagem passou anos buscando um propósito próprio e acabou virando aliado de confiança da Batfamília. Azrael trabalhou ao lado de nomes conhecidos, incluindo a parceria com a Batgirl e com Oráculo, que rendeu histórias bem recebidas por leitores.
A morte também não foi definitiva. Jean-Paul Valley voltou na reformulação dos Novos 52 e segue ativo em Gotham.
Um personagem interessante
O conflito dele é interno, não externo. Fora do traje, Jean-Paul é descrito como tímido e gentil, alguém que nunca quis machucar ninguém. A armadura desperta outra coisa. Cada vez que a veste, Azrael precisa lutar contra o treinamento que recebeu sem consentimento.

Isso o distingue dos demais. Enquanto o restante da família enfrenta os próprios demônios, ele enfrenta a ideia de anjo que lhe impuseram.
O peso daquele momento na franquia
A saga que gerou tudo aquilo é marco dos anos 1990. A quebra da coluna do protagonista redefiniu o que a editora estava disposta a fazer com o herói titular. Foi uma década de experimentação intensa. Registramos por aqui o retorno de outra obra que redefiniu o herói na mesma época, publicada sob supervisão do autor original.
A ideia de sucessores nunca saiu de cena. Já detalhamos como outro parceiro histórico do Batman trilhou caminho próprio fora da sombra do mentor, percurso bem diferente do vivido por Jean-Paul.






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