Mestres do Universo: pôster revela versão original e diferente do He-Man

Andre Luiz

Quem cresceu nos anos 1980 associa o herói de Eternia a um objeto específico. A imagem agora em leilão, porém, mostra outra coisa: He-Man montado no Gato Guerreiro, empunhando um machado enorme e carregando um escudo.

O que a peça mostra

A pintura é assinada por Earl Norem, ilustrador celebrado por trabalhos daquele período. Ao fundo aparecem as torres de Eternia, cenário familiar a qualquer criança da época. A finalidade original era comercial. A arte foi criada para um pôster destacável distribuído em uma revista da franquia no segundo semestre de 1986.

O material está em leilão pela casa Heritage Auctions. O lance atual gira em torno de 5,3 mil dólares, valor que varia conforme o câmbio e que ainda pode subir bastante.

Reprodução/Heritage Auctions

Por que ele não carrega a espada

A explicação surpreende quem só conhece o desenho. Nas primeiras versões, o personagem era um guerreiro bárbaro de uma tribo de Eternia, sem qualquer ligação com realeza. A comparação mais fácil é direta. Tratava-se de algo próximo a uma versão infantil de Conan, com machado no lugar da espada mágica.

Tudo mudou em 1983. A animação criou a identidade dupla, transformando o Príncipe Adam no herói sempre que ele erguia a arma e gritava o bordão que virou marca registrada.

O peso disso para o público brasileiro

Poucos desenhos marcaram tanto por aqui. A animação passou em canal aberto e criou uma geração inteira de fãs que reproduzia a frase de transformação no quintal.

A dublagem nacional tem parte enorme nisso. O vilão principal ganhou a voz de Isaac Bardavid, profissional que acumulou mais de 40 mil trabalhos e foi homenageado até por Hugh Jackman após a morte, em 2022.

Aquele timbre definiu o antagonista para o público daqui. Quem cresceu com a série provavelmente ouve a voz dele ao ver qualquer imagem do personagem.

Reprodução/Netflix

A franquia segue viva

O universo nunca sumiu por completo. Houve uma continuação animada lançada em 2021, com elenco de vozes de peso, além de outras produções recentes. Um novo filme chegou neste ano, aliás. Mestres do Universo reacendeu o interesse pela marca e ajuda a explicar por que uma peça daquele período desperta tanta atenção agora.

Vale registrar como a franquia nasceu, aliás. Ela veio de uma linha de brinquedos da Mattel, e a animação foi criada depois, para sustentar a venda dos bonecos. É o caminho inverso do habitual, em que o produto costuma seguir a história.

O valor de itens assim

Arte original de brinquedo virou mercado próprio. Peças produzidas para embalagens, catálogos e revistas promocionais eram tratadas como material descartável na época.

Justamente por isso, sobrou pouca coisa. A raridade explica boa parte dos valores praticados hoje.

A coleção segue disponível para consulta no site da casa leiloeira. Vale a visita mesmo para quem não pretende dar lance algum, só pelo prazer de rever a arte daquela época.

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