Banjo-Kazooie ganha versão nativa inédita com ajuda da Rare

Vinicius Miranda

A nova coletânea da linha Evercade não usará emulação básica para rodar os famosos clássicos do Nintendo 64. O projeto teve apoio direto do estúdio original e trará músicas inéditas.

A adorada dupla dos videogames está prestes a retornar de uma forma totalmente definitiva. A empresa Blaze Entertainment revelou que a sua aguardada coletânea para os aparelhos da linha Evercade não utilizará emulação básica. Ao invés de rodar arquivos simples, os jogadores receberão ports nativos dos clássicos absolutos de plataforma 3D. Essa novidade surpreendente sobre “Banjo-Kazooie” agitou fortemente a enorme comunidade retrogamer na internet.

O cobiçado cartucho especial foi oficialmente batizado de Banjo-Kazooie Double Pack. O lançamento mundial está marcado para o dia 30 de outubro. O robusto pacote inclui a primeira aventura do urso e a sua excelente sequência direta, “Banjo-Tooie”. Ambos os títulos históricos rodarão de forma impecável em qualquer aparelho atual da marca, incluindo os consoles de mesa, os portáteis e os minicabinetes de fliperama.

As grandes novidades e melhorias da versão nativa

Desenvolver um port nativo moderno permite um controle técnico muito mais preciso sobre o código original. Por conta disso, os talentosos desenvolvedores conseguiram implementar melhorias gráficas bastante significativas. A aventura contará com uma resolução aprimorada e a cobiçada taxa de 60 quadros por segundo (60fps). A jogabilidade clássica também foi amplamente modernizada com controles de câmera refinados e responsivos.

Além da excelente fluidez visual, os nostálgicos encontrarão diversos recursos inéditos no pacote. A coletânea adiciona um esquema de controles totalmente adaptado para os direcionais digitais (D-Pad), facilitando muito a vida nos portáteis. Um novo menu de trapaças e a inclusão de estados de salvamento (save states) também marcam presença. Contudo, o grande destaque fica para o tocador de músicas interno, que trará faixas inéditas e diálogos nunca antes vistos na franquia.

O apoio fundamental e surpreendente da Rare

Todo esse imenso e meticuloso trabalho de modernização só foi realmente possível graças à postura extremamente amigável da Rare. Em uma recente entrevista concedida ao portal FRVR, o CEO da Blaze Entertainment, Andrew Byatt, explicou todos os bastidores dessa forte parceria. O lendário estúdio original forneceu o valioso código-fonte dos títulos de Nintendo 64 e cedeu diversos materiais de áudio que haviam sido descartados no passado.

Nós conseguimos o código-fonte para esses jogos. Nós podemos fazer muito fazendo engenharia reversa do original, mas é muito raro que o código-fonte esteja realmente disponível. Nós já fizemos isso sem o código antes e você tem que projetar e converter tudo da base. Isso adiciona meses de trabalho, mas se você tem o código-fonte, isso faz uma diferença gigantesca.

O executivo também aproveitou a oportunidade para elogiar bastante a atual dedicação dos criadores originais da propriedade intelectual. Segundo Byatt, a desenvolvedora britânica demonstrou um nível de comprometimento altíssimo, focado inteiramente na qualidade final da obra.

Às vezes os licenciadores, neste caso, estão realmente envolvidos e querem ver o melhor produto possível, e eles estão realmente se esforçando. Às vezes eles só querem assinar um contrato e ganhar dinheiro, porque têm outras prioridades. Esta é uma daquelas parcerias em que eles realmente colocaram muita energia nos bastidores para ajudar e aprovar tudo.

O futuro promissor da Evercade e novos ports

Banjo-Kazooie para Evercade – Divulgação / Evercade

A atual linha de cartuchos físicos da plataforma já conta com mais de 80 lançamentos de enorme peso. Esse vasto catálogo abrange centenas de títulos retrô que geralmente rodam através de excelentes emuladores integrados. No entanto, o otimista executivo garantiu que a sua criativa equipe está trabalhando ativamente em outros cobiçados ports nativos. A meta é elevar gradativamente o padrão de qualidade dos jogos oferecidos.

Um excelente e recente exemplo prático dessa nova fase criativa é a recém-anunciada coletânea da brutal saga “Doom”. Esse pacote recheado trará versões nativas do primeiro jogo clássico e do sangrento “Doom 2”. A coleção também adiciona seis expansões de mapas populares criadas pela comunidade, totalizando oito campanhas separadas.

O que isso significa para o mercado retrô?

A elogiável atitude corporativa da Rare demonstra um raro e genuíno carinho pelo seu imenso legado histórico. Liberar o valioso código-fonte original de sucessos estrondosos é uma prática praticamente inexistente em uma indústria tão protetora e fechada. Essa colaboração direta e transparente não apenas barateia significativamente o desenvolvimento, mas também garante de forma absoluta a melhor e mais fiel experiência possível para o consumidor final apaixonado.

Para o crescente ecossistema fechado de hardware focado em nostalgia, oferecer títulos nativos de altíssima qualidade é um divisor de águas. Trata-se de um forte diferencial competitivo frente aos emuladores de computador e serviços de assinatura digitais. Isso atrai inevitavelmente um público colecionador muito mais exigente e engajado, que busca a preservação máxima das obras originais.

Se essa ousada tendência comercial se consolidar de fato nos próximos meses, o lucrativo mercado de nostalgia poderá sofrer uma mudança positiva enorme. Os velhos e conhecidos relançamentos preguiçosos darão lugar para remasterizações mais robustas, respeitosas e completas. Agora, basta aguardar ansiosamente pelo grande e promissor lançamento no final de outubro para conferir o brilhante resultado na prática.

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