Black Myth: Zhong Kui não vai usar IA generativa

Vinicius Miranda

Diretor de arte da Game Science afirmou que design e produção de assets ficarão longe da tecnologia. Ele citou Christopher Nolan para explicar a escolha.

A corrida da indústria pela inteligência artificial não convenceu todo mundo. Yang Qi, cofundador da Game Science e diretor de arte da série, falou sobre o tema. Ele afirmou que Black Myth: Zhong Kui não recorrerá à IA generativa nas etapas de concepção e produção de assets. A declaração foi dada na madrugada desta segunda-feira, no Weibo, após um internauta perguntar o quanto a tecnologia atual poderia acelerar o desenvolvimento do jogo.

Sem pressa e sem resistência

Black Myth: Zhong Kui – Divulgação / Game Science

A resposta do executivo chamou atenção pelo tom equilibrado. Ele deixou claro que a decisão não nasce de rejeição à tecnologia. A intenção, na verdade, é manter o padrão artesanal da equipe até o fim do processo.

Vamos ficar longe da AIGC nas fases de design e produção de assets, não por resistência, mas simplesmente para dar o nosso melhor até o final. (tradução livre)

AIGC é a sigla usada na China para conteúdo gerado por inteligência artificial. Segundo Yang, ainda há muito tempo pela frente para adotar esse tipo de ferramenta, sem qualquer urgência.

A lição vinda de Christopher Nolan

O argumento ganhou um reforço curioso. Horas antes, o diretor de arte havia elogiado no Weibo o novo filme do cineasta Christopher Nolan. Ele chamou a obra de resposta definitiva sobre como fazer um épico. Na sequência, usou o exemplo do britânico para justificar sua postura.

Para Yang, o cinema digital e a pós-produção em 3D parecem ter chegado a um beco sem saída. Ainda assim, Nolan segue brilhando justamente ao apostar em técnicas mais antigas. Consequentemente, o executivo conclui que não existe um último trem que a equipe precise pegar a qualquer custo.

O que se sabe do jogo

Black Myth: Zhong Kui foi revelado em agosto de 2025, durante a Gamescom Opening Night Live. O trailer em CG passou dos nove milhões de visualizações no Bilibili. Desde então, saíram apenas um curta temático de Ano Novo Lunar e um vídeo feito na engine do jogo.

O protagonista é inspirado em uma figura clássica do folclore chinês, conhecida como caçador de fantasmas e protetor dos lares. A ideia, aliás, nasceu de um sonho do próprio Yang, no qual um homem de rosto escuro e barba vermelha segurava um tigre.

Fase inicial e expectativa alta

Nada de esperar o jogo tão cedo. O desenvolvimento pleno começou apenas em junho de 2025, e o estúdio confirma que o projeto segue em estágio inicial.

Além disso, a produtora já adiantou que desta vez o jogador não controlará um macaco, marcando distância do antecessor. O modelo de negócio, por outro lado, será o mesmo, com lançamento previsto para PC e os principais consoles.

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