Ex-presidente da PlayStation quebra o silêncio sobre a famosa franquia da FromSoftware. Descubra os graves obstáculos jurídicos que impedem uma sequência.
O sombrio universo de “Bloodborne“ continua sendo um dos maiores pilares de sucesso já construídos na história do PlayStation. Mesmo completando 11 anos desde a sua estreia original no ano de 2015, a obra gótica continua registrando vendas incrivelmente constantes no mercado global de games. Por conta dessa enorme popularidade, a ausência completa de um suposto “Bloodborne 2” ou de uma simples remasterização gera debates acalorados na comunidade. Afinal, por que a empresa ignora uma de suas propriedades intelectuais mais amadas e lucrativas?
A resposta para esse grande mistério da indústria finalmente veio à tona. O ex-presidente da PlayStation, Shawn Layden, concedeu uma extensa entrevista ao podcast The Trophy Room. Durante o bate-papo, o executivo decidiu ser transparente e explicar os verdadeiros motivos que travam o retorno da franquia. Segundo suas declarações, o problema passa muito longe da falta de vontade criativa ou de interesse comercial. O buraco é muito mais burocrático e profundo.
Os pesados desafios contratuais com a FromSoftware

De acordo com as informações reveladas pelo ex-executivo, o obstáculo primário para o desenvolvimento de uma continuação envolve um autêntico pesadelo jurídico. A divisão de direitos autorais e as aprovações contratuais do jogo são extremamente complexas. Isso ocorre porque a marca não pertence integralmente a apenas uma corporação. A negociação exige um alinhamento perfeito entre três frentes distintas, tornando qualquer avanço corporativo incrivelmente lento e desgastante.
Há muitos direitos envolvidos associados a isso. E algo assim onde a Sony está lá, e a FromSoftware está lá, e a empresa-mãe da FROM está lá, acho que fazer com que todos assinem tudo é provavelmente o maior desafio lá.
Ou seja, para que um novo projeto receba sinal verde, todas as três partes envolvidas precisam concordar com a divisão de lucros, orçamentos e prazos de desenvolvimento. Conseguir a assinatura da Sony, da FromSoftware e da Kadokawa (empresa-mãe do estúdio oriental) ao mesmo tempo parece ser o grande gargalo que asfixia a expansão do amado jogo de terror cósmico.
A pressão criativa para recriar um fenômeno mundial
Além da batalha nos tribunais e nos escritórios, existe um peso artístico colossal sobre os ombros dos desenvolvedores. A aventura nas ruas de Yharnam redefiniu o gênero e conquistou uma legião de fãs fervorosos. Portanto, qualquer estúdio que assumisse a produção de uma sequência precisaria lidar com expectativas praticamente inalcançáveis.
Você pode fazer algo que não seja apenas respeitoso com o original, mas consiga recriar o fenômeno?
Essa forte declaração demonstra que existe um receio enorme de manchar o legado impecável do título original. Lançar um produto inferior apenas para capitalizar em cima da nostalgia poderia gerar uma revolta sem precedentes na comunidade. Durante a mesma entrevista reveladora, o profissional também discutiu suas visões sobre o futuro hardware do PlayStation 6 e a importância da aquisição da Insomniac Games para a companhia.

Mas, afinal, o que esse labirinto de contratos significa para o futuro da franquia e para o mercado de games de grande orçamento? Em primeiro lugar, a transparência de Shawn Layden joga um enorme balde de água fria nas esperanças de um anúncio iminente. A diplomacia corporativa entre publicadoras gigantes e estúdios japoneses é famosa por ser engessada. Consequentemente, enquanto um modelo de negócios não for considerado perfeito e livre de riscos financeiros para as três empresas, a marca continuará trancada no cofre.
Por outro lado, essa revelação expõe uma falha sistêmica na indústria atual. Grandes corporações acabam asfixiando suas próprias criações de sucesso por conta de cláusulas contratuais mal elaboradas no passado. O medo do risco financeiro e as disputas acirradas por porcentagens de lucro muitas vezes falam muito mais alto do que a demanda gritante dos milhões de consumidores. De qualquer forma, a esperança é a última que morre para os caçadores de Yharnam.





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