Do debut em 2013 ao retorno triunfal com “ARIRANG”, o septeto reescreveu as regras do pop. Entenda os passos que levaram sete coreanos ao topo do mundo.
O BTS é, sem disputa, o maior nome que o K-pop já exportou para o mundo. O grupo sul-coreano transformou um gênero antes restrito à Ásia em um verdadeiro fenômeno global, com recordes em paradas, estádios lotados e uma legião de fãs chamada ARMY. Mas, afinal, como sete jovens de Seul construíram esse império cultural? A seguir, revisitamos a trajetória que levou o septeto ao posto de maior banda pop do planeta.
Formado pela então Big Hit Entertainment (hoje parte da HYBE), o grupo estreou em 13 de junho de 2013 com o single “No More Dream”. À frente do projeto estava o produtor Bang Si-hyuk. A formação reúne RM, Jin, SUGA, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook, cada um com um papel próprio dentro do conjunto.
O início: hip-hop, identidade e muito trabalho
Diferentemente de muitos grupos da época, o BTS nasceu com forte influência do hip-hop. Além da música, as letras abordavam temas pouco comuns no pop adolescente, como pressão social, saúde mental e auto aceitação. Dessa forma, o grupo criou uma conexão profunda com o público jovem.
O nome “Bangtan Sonyeondan” carrega a ideia de blindar a juventude contra preconceitos. Portanto, a proposta artística sempre teve um lado de mensagem, e não apenas de entretenimento.
A virada com “Wings” e a explosão internacional
O salto de reconhecimento veio em 2016, com o álbum “Wings” e o hit “Blood Sweat & Tears”. Naquele momento, o grupo alcançou a melhor posição já obtida por um ato de K-pop na parada Billboard 200. Em seguida, vieram prêmios importantes, como American Music Awards e Billboard Music Awards.
Boa parte desse crescimento se deve a uma estratégia digital agressiva. O grupo soube usar redes sociais e plataformas de streaming como ninguém. Assim, construiu uma comunidade engajada que se espalhou por todos os continentes.
“Dynamite” e “Butter”: o domínio das paradas
O grande marco global chegou em 2020. Com “Dynamite”, seu primeiro single totalmente em inglês, o BTS se tornou o primeiro grupo de K-pop a liderar a Billboard Hot 100. A faixa, lançada em plena pandemia, apostava em pura positividade.
No ano seguinte, “Butter” permaneceu dez semanas no topo da mesma parada. Vieram ainda outros hits, como “Permission to Dance” e a colaboração “My Universe”, ao lado do Coldplay. O septeto, então, deixou de ser apenas um fenômeno de nicho para virar fixação do mainstream.
A pausa: serviço militar e projetos solo
Após o lançamento da antologia “Proof”, em 2022, o grupo entrou em hiato. O motivo era o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, exigido de todos os homens do país. Jin foi o primeiro a se alistar, ainda em dezembro de 2022, seguido pelos demais integrantes.
Durante o período de afastamento, cada membro investiu na carreira solo. Jung Kook brilhou com “Golden”, Jimin emplacou “FACE”, RM explorou um lado mais artístico em “Indigo”, e SUGA rodou o mundo como Agust D. Como resultado, o BTS nunca saiu de cena de fato, mesmo separado. Os últimos integrantes foram dispensados em meados de 2025, quando o grupo começou a preparar o retorno aos palcos.
O retorno histórico com “ARIRANG”
O aguardado comeback foi confirmado no início de 2026. Em 20 de março, o grupo lançou “ARIRANG”, seu primeiro álbum de estúdio desde “Be” (2020). O título faz referência a uma canção folclórica coreana ligada à saudade e ao reencontro.
O impacto foi imediato. O disco estreou no topo da Billboard 200 e da Hot 100 ao mesmo tempo, com cerca de 641 mil unidades na primeira semana nos Estados Unidos. Além disso, o single principal, “SWIM”, alcançou o primeiro lugar da Hot 100, e o álbum se tornou o trabalho de K-pop mais ouvido da história do Spotify.
Esperamos fazer um retorno seguro e tornar o BTS um grande sucesso.
A frase, dita pelos integrantes durante uma transmissão de Ano Novo, resumiu o clima de expectativa. Pouco depois, o grupo ainda venceu como Melhor Artista de K-pop Masculino no American Music Awards 2026.
Turnê mundial e shows no Brasil
Para acompanhar o álbum, o BTS embarcou na turnê “Arirang World Tour”. A maratona começou em abril de 2026, em Goyang, cidade natal de RM, e segue até 2027, passando por dezenas de cidades. Segundo a imprensa especializada, a turnê pode até rivalizar em receita com a “The Eras Tour”, de Taylor Swift.
Para alegria do público nacional, o Brasil entrou na rota. Estão marcados três shows em São Paulo, no estádio MorumBis, nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026. A última passagem do grupo pelo país havia sido em 2019. Quem quiser se organizar pode conferir a agenda de shows de K-pop no Brasil em 2026.
Por que o fenômeno BTS importa tanto
O sucesso do BTS vai além dos números. Em primeiro lugar, o grupo provou que não era preciso cantar em inglês para dominar o mercado ocidental. Com “ARIRANG”, aliás, o septeto reforçou a identidade coreana e foi, segundo críticos, na contramão da americanização do gênero.
Para a indústria, o impacto é enorme. O grupo abriu portas para uma nova geração de artistas e ajudou a tornar a chamada onda hallyu parte do cotidiano global. Para os fãs, por fim, o retorno representa muito mais do que música nova: é a prova de que, mesmo após anos de pausa, o BTS continua reinando absoluto.
Fontes: Billboard, Wikipedia, CNN, Rolling Stone





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