Trailer do filme de Resident Evil apresenta conexão com os games?

Vinicius Miranda

A cena final do novo vídeo entrega a primeira ligação direta entre o filme e os jogos da Capcom. O diretor já havia explicado onde a história se encaixa na cronologia.

O novo trailer de Resident Evil resolveu, ao menos em parte, a maior queixa dos fãs sobre o filme dirigido por Zach Cregger. Até agora, o material divulgado não estabelecia nenhuma conexão explícita com os jogos da Capcom, o que gerou reclamações de quem via o projeto como uma adaptação apenas no nome. A situação mudou com o vídeo lançado em 23 de julho de 2026, que menciona Raccoon City na cena de encerramento.

A revelação guardada para o fim

Boa parte do trailer expande cenas já mostradas anteriormente. Bryan, vivido por Austin Abrams, é um entregador do setor médico que transporta órgãos para transplante entre hospitais. Ele aceita uma corrida que paga o dobro do valor habitual e acaba batendo o carro na neve, o que transforma a noite de trabalho em uma corrida pela sobrevivência.

O detalhe importante vem no último instante. Em um flashback, o personagem pergunta para onde precisa levar a encomenda. A resposta é direta: o destino é o hospital geral de Raccoon City. Outra fala, do personagem de Paul Walter Hauser, reforça a ideia de que tudo naquela cidade aconteceu em questão de horas.

Onde o filme se encaixa na cronologia

O diretor já vinha explicando essa relação em entrevistas anteriores. Segundo Cregger, a história corre em paralelo aos acontecimentos de Resident Evil 2, na primeira noite do surto do vírus T.

Este filme se passa ao lado dos eventos de Resident Evil 2. (tradução livre)

Na prática, enquanto Leon e Claire enfrentam a crise na delegacia, o longa acompanha outra pessoa, em outra ponta da cidade, tentando cumprir uma missão banal que dá errado. O próprio diretor resume a lógica dizendo que o filme não é cânone por usar os personagens, mas é cânone por acontecer no mesmo dia decisivo de Raccoon City.

A polêmica da neve e do celular

Aqui mora a principal crítica dos fãs mais rigorosos. O surto de Resident Evil 2 acontece no fim de setembro de 1998, sem qualquer traço de inverno rigoroso. No trailer, porém, aparecem neve pesada e um protagonista usando smartphone.

A explicação vem do próprio diretor, que descreveu o projeto como uma história ambientada em uma realidade alternativa moderna do universo da franquia. Cregger também admitiu desde o início que não pretendia seguir a continuidade oficial ao pé da letra. Portanto, quem esperava reconstituição fiel do jogo tende a se frustrar.

A tentativa de traduzir a sensação de jogar

Resident Evil – Divulgação / Sony Pictures

A aposta do diretor é outra. Em vez de copiar cenários, ele diz ter tentado reproduzir o que se sente ao jogar. Isso aparece na progressão do arsenal, que começa na pistola, passa pela escopeta e chega a uma submetralhadora.

A angústia com munição também foi transposta para a tela. O trailer mostra o protagonista vasculhando gavetas atrás de balas, imagem imediatamente reconhecível para qualquer pessoa que já jogou a série. Segundo o diretor, o desafio era escrever um jogo em formato de filme. A direção de arte, aliás, buscou referências em criaturas de outros capítulos da franquia, incluindo o quarto e o sexto.

O que dizem os fãs mais rigorosos

Curiosamente, parte da comunidade especializada em cronologia pediu calma. Um fã conhecido por compilar um documento de mais de 2,7 mil páginas sobre o cânone da série avaliou que o diretor foi honesto ao avisar antecipadamente que não seguiria a linha do tempo oficial.

Vale lembrar que a franquia já testou os dois extremos no cinema. As produções estreladas por Milla Jovovich se afastaram bastante dos jogos, enquanto o filme de 2021 prometeu fidelidade ao material original e não alcançou o retorno esperado.

Quando o filme estreia

O longa chega aos cinemas em 18 de setembro de 2026, com sessões também em IMAX, distribuído pela Sony. O elenco reúne ainda Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser, e o roteiro é assinado por Cregger ao lado de Shay Hatten.

Um meio-termo arriscado

A estratégia do filme é escorregadia por natureza. Ao se colocar dentro do universo dos jogos sem adaptar nenhum deles, a produção precisa agradar dois públicos com expectativas opostas. Quem busca reconstituição vai reclamar da neve e do celular. Quem nunca jogou pode não perceber sequer as referências.

Por outro lado, existe mérito na proposta. A série de games sempre funcionou melhor quando trabalhava com pessoas comuns encurraladas, e não com heróis treinados. Contar a noite de Raccoon City pelos olhos de um entregador é justamente o tipo de recorte que o cinema pode oferecer sem competir com o material original, algo que outras adaptações da franquia tentaram com resultados irregulares. Se funcionar, resolve um problema antigo dessas produções.

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