Payback: o jogo cancelado que seria o futuro de Destiny

Vinicius Miranda

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A Bungie chegou a desenvolver um projeto batizado de “Payback” para ser o próximo grande capítulo do universo Destiny. O jogo, cancelado em 2024, tinha uma proposta radicalmente diferente da franquia original e mirava um público que a saga nunca conseguiu conquistar.

Um projeto que não seria “Destiny 3”

Enquanto a Bungie foca energia em restaurar conteúdo antigo de “Destiny 2“, um capítulo recente da história da franquia ganhou novos detalhes. Segundo apuração do jornalista Jason Schreier, divulgada em vídeo no YouTube, o estúdio cancelou no verão de 2024 um projeto batizado internamente de Payback. A informação foi repercutida pelo Insider Gaming. A ideia era que o jogo se tornasse o futuro da franquia, mas os próprios desenvolvedores nunca tiveram certeza se deveriam chamá-lo de “Destiny 3”.

O projeto era comandado por dois nomes de peso dentro da Bungie: Luke Smith e Mark Noseworthy, apelidados internamente de responsáveis máximos pela franquia. O cancelamento veio logo depois do lançamento da expansão “The Final Shape”, e ambos deixaram o estúdio na sequência.

Mais parecido com Genshin Impact do que com Destiny

Destiny 2 – Divulgação / Bungie

Payback fugia completamente da fórmula clássica da série. Em vez de manter a perspectiva em primeira pessoa que definiu “Destiny” desde o início, o jogo adotaria uma câmera em terceira pessoa. A comparação de Schreier com “Genshin Impact” não tinha relação com o modelo de monetização. O ponto era a estrutura de jogabilidade: os jogadores poderiam controlar diretamente heróis já existentes do universo de Destiny, em vez de criar um Guardião genérico personalizável.

Reportagens anteriores da Bloomberg, também assinadas por Schreier, detalham ainda mais o conceito. O jogo permitiria aos jogadores usar personagens já estabelecidos da franquia para explorar um mundo aberto, cooperando entre si para enfrentar monstros e resolver quebra-cabeças. Além de “Genshin Impact”, a inspiração declarada incluía títulos como “Warframe” e a série “Zelda”. É uma combinação e tanto para uma marca conhecida historicamente pelos tiroteios em primeira pessoa.

Um projeto pensado para conquistar novos jogadores

A motivação por trás de Payback ia além de simples experimentação criativa. Segundo Schreier, o público de “Destiny” foi envelhecendo junto com o próprio jogo. A franquia nunca conseguiu atrair uma leva relevante de jogadores mais jovens ou recém-chegados.

O novo projeto seria justamente a aposta para reverter esse cenário. A proposta era uma abordagem mais acessível, focada em heróis reconhecíveis, sem exigir do público o conhecimento aprofundado da lore acumulada ao longo de mais de uma década de jogos.

Destiny 2 – Divulgação / Bungie

O cancelamento de Payback reforça um sinal que a Bungie já vinha dando. Um “Destiny 3” tradicional, nos moldes que os fãs mais nostálgicos pedem, parece cada vez mais distante. Games do porte que a franquia exigiria hoje podem facilmente ultrapassar a casa dos US$ 500 milhões em desenvolvimento.

É um valor que torna qualquer aposta arriscada especialmente difícil de justificar internamente. Não à toa, o estúdio optou por outro caminho nos últimos meses. A prioridade virou restaurar campanhas, destinos e raids retirados do jogo ao longo dos anos, movimento que já rendeu uma petição popular por mais novidades na franquia.

Para os fãs, a lição de Payback é agridoce. De um lado, mostra que a Bungie estava disposta a repensar radicalmente a fórmula para garantir a sobrevivência a longo prazo da marca. De outro, confirma que esse caminho não deu certo, ao menos por enquanto. O futuro de “Destiny” segue mais uma vez concentrado em preservar o que já existe do que em reinventar o que pode vir a seguir.

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