A Terra-média volta aos cinemas com uma discussão bem contemporânea na bagagem. O diretor Andy Serkis detalhou à revista Variety como a inteligência artificial será aplicada em O Senhor dos Anéis: A Caçada a Gollum. A resposta, porém, é mais contida do que o alarde sugere.
Onde a tecnologia entra?
O uso é pontual e tem um objetivo específico. De acordo com o cineasta, o aprendizado de máquina faz parte do processo de rejuvenescimento digital de alguns personagens, recurso necessário porque já se passaram 25 anos desde a estreia de A Sociedade do Anel.
Afinal, o novo longa se passa entre os acontecimentos de O Hobbit e da trilogia original, acompanhando a busca de Aragorn pela criatura para confirmar a identidade do Um Anel. Ou seja, os rostos precisam corresponder àquela época.

Ainda assim, ele fez questão de estabelecer um limite claro sobre o alcance da ferramenta.
Não estamos criando planos com inteligência artificial no nosso filme. Cada plano é feito de maneira tradicional. Uma das coisas que eu realmente queria era resgatar as grandes técnicas de cinema, das miniaturas às próteses, e casar tudo isso.
O artista também relembrou um precedente curioso. Segundo ele, o programa criado por Peter Jackson para dar comportamento individual a milhares de orcs nas batalhas já era, na prática, um exemplo brilhante de uso da tecnologia.
Uma posição matizada
Sobre o debate ético, o realizador adotou um tom equilibrado. Serkis considera a ferramenta valiosa como apoio criativo, desde que não seja exploratória, não difame ninguém e, principalmente, desde que os profissionais sejam devidamente remunerados por seus trabalhos.
Vale contextualizar por que o assunto é tão delicado. O rejuvenescimento digital virou praxe em franquias longas, já que os atores envelhecem enquanto as histórias voltam no tempo. Contudo, os resultados sempre oscilaram bastante, e o tema divide a indústria e o público.
Por outro lado, o ator e diretor deixou claro que condena usos abusivos. Na visão dele, a humanidade seria uma espécie de responsável pela criação dessa tecnologia e teria o dever de educá-la bem, o que renderia benefícios em diversas indústrias.

E a captura de movimento?
Como o maior nome vivo dessa técnica, ele descartou a substituição dos atores. Para o intérprete, a dramaturgia nasce daquilo que acontece entre pessoas, e as minúcias das decisões de um ator ao longo de um roteiro inteiro dificilmente poderiam ser replicadas por uma máquina.
O que isso significa?
A postura de Andy Serkis tenta equilibrar inovação e artesanato, algo caro aos fãs da saga. Vale lembrar que a produtora Philippa Boyens já havia indicado que o futuro da franquia depende justamente da recepção a projetos independentes como este. Portanto, agradar a base é essencial.
Não à toa, a nostalgia segue sendo o maior ativo da marca, tanto que a trilogia clássica continua lotando salas em reexibições. A estreia de O Senhor dos Anéis: A Caçada a Gollum está marcada para 17 de dezembro de 2027.
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