Modern Warfare 4 chega em outubro para provar que a compra da Activision valeu a pena. Os números recentes da franquia, porém, acendem um sinal de alerta na Microsoft.
A Activision anunciou Call of Duty: Modern Warfare 4, o novo grande lançamento da franquia de tiro mais popular do planeta. O jogo chega em 23 de outubro de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, PC e, pela primeira vez em mais de uma década, em um console da Nintendo, o Switch 2. Só que o anúncio vem em um momento delicado, capaz de definir se a Microsoft acertou ou errou em uma das maiores apostas da história dos games.
Uma compra de 75 bilhões de dólares
Vale relembrar o contexto. Em janeiro de 2022, a Microsoft anunciou a compra da Activision Blizzard por 68,7 bilhões de dólares. Após quase dois anos de brigas com órgãos reguladores, o negócio fechou em outubro de 2023, com custo final estimado em até 75,4 bilhões, a maior aquisição já vista no setor. A lógica era simples: colocar Call of Duty, Warcraft, Diablo e Overwatch dentro do Xbox Game Pass e usar a franquia mais lucrativa dos games para turbinar a assinatura.
Para essa conta fechar, porém, o COD precisava seguir imbatível ano após ano. E foi justamente aí que a engrenagem travou.
O tombo de Black Ops 7

Lançado em novembro de 2025, Call of Duty: Black Ops 7 teve um desempenho bem abaixo do esperado. Segundo dados da consultoria Circana, divulgados pelo analista Mat Piscatella, o jogo fechou 2025 apenas na quinta posição entre os mais vendidos dos Estados Unidos, atrás de Battlefield 6, NBA 2K26, Borderlands 4 e Monster Hunter Wilds.
O dado é histórico por dois motivos. Primeiro, é a pior colocação anual da série desde 2008, na época de World at War. Além disso, foi a primeira vez que Battlefield superou Call of Duty em um ano-calendário nos Estados Unidos. Para uma franquia que batia recordes de engajamento com Black Ops 6 apenas um ano antes, a queda impressiona. Analistas apontam ainda a concorrência de Arc Raiders e um certo cansaço da comunidade como fatores relevantes.
O Game Pass era mesmo o plano infalível?
A reação interna veio rápido. Em abril de 2026, já sob a liderança de Asha Sharma, que assumiu o Xbox em fevereiro no lugar de Phil Spencer, a Microsoft anunciou uma redução no preço do Game Pass Ultimate, mas com uma contrapartida: os próximos Call of Duty deixariam de entrar no serviço no dia do lançamento.
O motivo teria relação com dinheiro. Segundo relatos, colocar os jogos da Activision no catálogo do Game Pass desde o primeiro dia custou caro, com uma perda estimada em 300 milhões de dólares em vendas diretas apenas no caso de Black Ops 6. Ou seja, a sinergia perfeita que justificaria a aquisição não se confirmou como o esperado. Vale reforçar que esse número não foi confirmado oficialmente pela empresa.
Afundar a Microsoft? Dificilmente
Aqui, no entanto, cabe um contraponto importante. A Microsoft é uma gigante avaliada em trilhões de dólares, sustentada principalmente por nuvem e inteligência artificial, e um ano ruim de Call of Duty não derruba a empresa. A divisão de games é uma fatia pequena do bolo. Ainda assim, essa fatia vem sofrendo: na temporada de fim de ano, a receita de games caiu 9%, e o hardware do Xbox despencou mais de 30% em trimestres recentes.
Some-se a isso a dolorosa reestruturação em andamento, com sucessivas rodadas de demissões desde a conclusão da compra, incluindo o corte de milhares de vagas anunciado em 2026 e o fechamento de estúdios. Por isso, Modern Warfare 4 carrega um peso enorme. Ele não vai afundar a Microsoft sozinho, mas precisa reconquistar a confiança dos jogadores e mostrar que a aposta bilionária ainda faz sentido. E você, acha que a franquia se recupera?





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