Satoru Iwata previu o fim dos jogos físicos em 2009

Vinicius Miranda

O falecido presidente da Nintendo cravou que a mídia digital levaria cerca de 20 anos para dominar. Com a Sony encerrando os discos em 2028, a previsão dele quase acertou na mosca.

A conversa sobre o fim da mídia física nos games voltou com força depois que a Sony anunciou que vai parar de produzir discos para os jogos de PlayStation 5. E, curiosamente, um velho comentário do falecido presidente da Nintendo, Satoru Iwata, ressurgiu entre os fãs por ter previsto exatamente esse cenário. Ainda em 2009, ele já apostava que a transição para o digital seria questão de tempo, e o tempo parece ter lhe dado razão.

A previsão de Iwata lá em 2009

Durante uma reunião com investidores em 2009, Iwata, que comandou a Nintendo de 2002 até seu falecimento em 2015, foi questionado sobre o avanço das lojas digitais. Na ocasião, ele evitou o exagero de quem cravava a morte imediata do varejo, mas reconheceu que a mudança viria de forma gradual, ao longo de muitos anos. Sua estimativa foi bastante específica.

Em cerca de 20 anos, eu diria que provavelmente terá mudado. Mas em uns 5 anos, não concordo totalmente com quem diz que ninguém mais vai comprar jogos no varejo.

A fala de Iwata foi reproduzida em tradução livre. O interessante é que a projeção dele, feita em 2009, apontava para algo em torno de 2029. Como veremos, a realidade chegou quase no ponto previsto, com apenas um pequeno adiantamento.

A Sony encerra os discos em 2028

Foi a própria Sony quem confirmou a virada. Segundo comunicado publicado no PlayStation Blog no começo de julho, a produção de discos físicos para todos os novos jogos de PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028. Depois dessa data, os lançamentos passam a ser vendidos apenas em formato digital, seja pela PlayStation Store, seja em varejistas. A empresa faz questão de frisar que a mudança não afeta os jogos lançados antes de 2028, que seguem disponíveis em disco. A justificativa oficial, apresentada em tom institucional, é a de que a preferência do público pelo digital já superou de longe a mídia física.

Os números ajudam a entender a decisão. De acordo com os resultados financeiros da Sony, os downloads digitais já respondem por cerca de 85% das vendas de jogos completos no PS4 e no PS5, deixando as cópias físicas com uma fatia bem menor. A empresa ainda anunciou o fechamento gradual das lojas digitais de PS3 e PS Vita nos próximos meses, outro sinal claro da guinada.

Um movimento que já vinha se desenhando

A decisão da Sony não surgiu do nada. Poucos dias antes, a Rockstar irritou parte dos fãs ao confirmar que a edição física de Grand Theft Auto VI traria apenas um código de download dentro da caixa, sem o disco em si. Some a isso o encolhimento do varejo especializado, como a rede GameStop, que teria fechado mais de mil lojas nos últimos anos, e o cenário fica evidente. Assim como aconteceu com filmes e música, os jogos digitais já dominam as vendas e vêm empurrando o mercado para um futuro sem discos.

E os outros fabricantes?

Por enquanto, cópias físicas ainda devem existir em 2029, mas o horizonte é incerto para todos. A Microsoft não anunciou oficialmente o abandono dos discos no Xbox, embora os sinais preocupem: relatos apontam que alguns lançamentos físicos recentes vêm quase sem dados no disco, e há rumores, ainda não confirmados, de que o próximo hardware da marca poderia vir sem leitor. A Nintendo, por sua vez, apostou no chamado Game-Key Card, uma espécie de mídia física que, na prática, não guarda o jogo, embora ao menos permita a revenda. Todos esses pontos envolvendo Xbox e Nintendo devem ser encarados com cautela, já que não há confirmação definitiva.

Satoru Iwata – Reprodução

A migração para o digital traz comodidade inegável, mas acende um alerta importante sobre preservação e posse. Sem discos, colecionadores perdem espaço, o mercado de usados encolhe e a ideia de realmente ser dono de um jogo fica mais frágil, já que tudo passa a depender de contas e servidores online.

Vale lembrar que valores de consoles e jogos variam bastante conforme a região e o momento, e no Brasil os preços podem seguir uma lógica própria. Para o público que aguarda grandes lançamentos como GTA 6, o recado é claro: o futuro dos games é digital, e Iwata parece ter enxergado isso quase duas décadas antes de virar realidade.

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