E se James Cameron realmente parar de dirigir filmes de Avatar?

Andre Luiz

Passar mais de duas décadas dedicado a uma única franquia cobra seu preço criativo. James Cameron alinhou projetos fora de Avatar, e a análise do site ScreenRant argumenta que aquela a pode fazer bem à carreira dele.

O projeto mais delicado

O principal projeto de Cameron no momento trata de um episódio histórico grave. Ghosts of Hiroshima adapta livro do autor Charles Pellegrino sobre os bombardeios atômicos de 1945. A história tem foco humano. O relato acompanha Tsutomu Yamaguchi, engenheiro japonês reconhecido como a única pessoa a sobreviver aos dois ataques.

O diretor conheceu o sobrevivente pessoalmente. Aquele encontro moldou o interesse dele pelo assunto ao longo dos anos.

Por que ele quer fazer aquilo

A motivação não é comercial. O cineasta declarou ao veículo Deadline que considera importante lembrar o público sobre os efeitos daquelas armas. Ele admite o risco financeiro. Em conversa com a publicação The Hollywood Reporter, reconheceu que o filme pode se tornar o maior fracasso de bilheteria da carreira dele.

A disposição, porém, permanece. Segundo o diretor, ele pretende contar aquela história justamente porque ninguém mais está fazendo isso.

O outro projeto na fila

Há também uma adaptação de fantasia. O cineasta comprou os direitos de The Devils, romance recente de Joe Abercrombie.

Aquilo o levaria a terreno inexplorado. O diretor nunca trabalhou com fantasia medieval em toda a carreira.

James Cameron Meta
James Cameron – Foto: Angela George [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

A mudança de método

Ele já sinalizou querer trabalhar diferente. Segundo declarações recentes, não pretende passar anos seguidos dedicado exclusivamente a uma franquia. A ideia é delegar mais. Cameron indicou que buscará processos mais colaborativos, sem controlar cada detalhe da produção.

A postura contrasta com o histórico dele. Nossa cobertura registrou que ele costuma defender o próprio trabalho citando os números de bilheteria, em resposta a críticas sobre diálogos e escolhas narrativas.

O peso de uma carreira de sucesso

O currículo dele fora de Pandora é considerável. Ele assina O Exterminador do Futuro, Aliens, O Segredo do Abismo e Titanic. Essa variedade sustenta o argumento da análise. O cineasta construiu reputação justamente alternando entre gêneros bem diferentes.

Ele também nunca teve receio de opinar publicamente. Cameron deu declarações polêmicas dele sobre temas ambientais e sobre outros filmes, postura que costuma render debate. O tema do projeto histórico também tem alcance amplo: trata-se de assunto estudado em escolas e presente em obras de várias mídias, o que amplia o interesse além do público de cinema.

Nenhum dos dois projetos tem data. Ambos seguem em desenvolvimento, sem cronograma anunciado. O diretor também não descartou a franquia Avatar totalmente. Novos capítulos daquele universo seguem no horizonte, ainda que ele pretenda participar de forma menos intensa.

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