Capitão Brasil: conheça todos os heróis brasileiros lançados com esse nome

Vinicius Miranda

Todo mundo conhece o Capitão América. Mas poucos sabem que o Brasil tem seu próprio equivalente. Na verdade, tem vários. O nome Capitão Brasil já batizou diversos personagens ao longo da história dos quadrinhos nacionais. Cada versão tem identidade e origem próprias. Algumas homenageiam os super-heróis estrangeiros. Outras fazem crítica direta à realidade brasileira, sempre com muito humor. A seguir, apresentamos todas as versões conhecidas do herói.

O Capitão Brasil de Nico Rosso (anos 1950)

Capitão Brasil – Divulgação / Nico Rosso

A versão mais antiga registrada do Capitão Brasil surgiu nos anos 1950. O personagem foi publicado no “Jornalzinho”, de São Paulo. Seu criador foi Nico Rosso, quadrinista ítalo-brasileiro que chegou ao país em 1947.

Rosso ficou famoso principalmente pelo gênero de horror. Ele foi um dos responsáveis pelos quadrinhos de Zé do Caixão. O próprio Guia dos Quadrinhos alerta que esse herói pioneiro não deve ser confundido com o Capitão Brasil super-herói publicado posteriormente.

O Capitão Brasil de Ari Moreira (1987)

Capitão Brasil
Capitão Brasil – Divulgação / Ari Moreira (imagem restaurada usando IA)

O quadrinista Ari Moreira criou seu próprio Capitão Brasil em 1987, segundo informações do site do artista. A página oficial está fora do ar atualmente.

Ainda assim, capas com o herói podem ser encontradas por meio do Web Archive, que preserva registros antigos da internet.

O Capitão Brasil de Juliano Rocha (1995)

Capitão Brasil – Divulgação / Juliano Rocha

Esta é a versão de humor mais conhecida do personagem. Criado pelo roteirista e ilustrador Juliano Rocha, o Capitão Brasil é um super-herói sem papas na língua. Ele trata de assuntos do cotidiano, como salário dos professores, IPTU e preço da energia elétrica, sempre com humor. O personagem existe desde 1995 e já teve tirinhas publicadas em jornais.

Em 2013, o herói ganhou revista própria. A edição contava com 36 tiras, quatro histórias em quadrinhos e um pôster central. Nas páginas, o Capitão enfrenta inimigos como a temível Amélia Mokreia. As tirinhas do personagem também circulam pela internet, onde o herói já encarou até vilões como o Homem-Pizza, sempre com crítica social leve e bem-humorada.

O Capitão Brasil de Eloyr Pacheco (1997/98)

Capitão Brasil – Divulgação / Eloyr Pacheco

O quadrinista Eloyr Pacheco criou sua versão do Capitão Brasil entre 1997 e 1998. Na época, ele trabalhava ao lado de Luke Ross, Rod Reis e Fábio Laguna no projeto “Corporação Brasil”. A iniciativa tinha como princípio divulgar a produção nacional de quadrinhos. Sobre o personagem, Pacheco costuma brincar dizendo que todo mundo tem o seu próprio Capitão Brasil.

O projeto rende um gancho curioso. Luke Ross e Rod Reis, colegas de Pacheco na empreitada, se tornaram depois artistas de destaque na Marvel e na DC. Ou seja, o quadrinho nacional serviu de ponto de partida para nomes que hoje desenham os maiores heróis do mundo.

O Capitão Brasil de Maurício dos Santos

Capitão Brasil – Divulgação / Maurício dos Santos

A internet também tem seu Capitão Brasil. A versão do desenhista Maurício dos Santos circula de forma independente na rede desde o início dos anos 2010. Ela aparece em blogs e edições digitais, incluindo uma HQ de 46 páginas publicada na plataforma Issuu. O próprio autor divulga o personagem como criação de 1982. Nessa encarnação, o herói é o alterego de Estevão Corrêa Dions, cidadão brasileiro dedicado à ciência.

Ele desenvolveu um projeto avançado envolvendo uma câmara de computador molecular. Quem passa pela câmara ganha força ampliada, um campo molecular à prova de projéteis e a capacidade de voar. O personagem ainda conta com um traje de nanobots que se transforma para proteger o hospedeiro. Movido por um ideal patriótico, esse Capitão Brasil representa a face mais artesanal do herói: um projeto de autor, mantido com dedicação pessoal na cena digital independente.

O Capitão Brasil de Antonio Peres Volpone

Capitão Brasil – Divulgação / Antonio Peres Volpone

Na cena independente, o Capitão Brasil de Antonio Peres Volpone ganhou sua primeira revista em quadrinhos em 2015. A edição eletrônica tinha 24 páginas em cores. Nela, o herói estrela a saga em três partes “Fora de Controle”, enfrentando os Heróis Nacionais, criados por Marcos Gratão.

Antes disso, o personagem já havia protagonizado um quadrinho digital em parceria com a ROX Quadrinhos. Na história, ele dividiu cena com o personagem Ciclone, de Jorge Araujo, em uma trama no estilo nonsense da década de 1960.

O Capitão Brasil de Barthô Tarsus Rosa

A Ameaça do Capitão Brasil – Divulgação / Editora Kimera

Fechando a lista, há o Capitão Brasil criado pelo roteirista Barthô Tarsus Rosa, formado em Comunicação Social e especializado em roteiros de cinema e TV. A versão se destaca por existir em dois formatos. O personagem estrela o livro Heróis Nacionais: A Origem do Capitão Brasil e também a HQ A Ameaça do Capitão Brasil, com arte de Gabriel Silva. Ambos são publicados pela Editora Kimera, casa carinhosamente apelidada pelos fãs de “Marvel Brasileira” por seu catálogo de super-heróis nacionais.

A trama é uma sátira voltada ao público adulto. Na história, ambientada a partir de 2010, o país mergulha no caos após escândalos políticos e um Congresso Nacional em chamas. É nesse cenário que surge o herói, disposto a agir pela Ordem, pelo Progresso e pelo jeitinho brasileiro. Enquanto isso, um detetive particular de supradotados investiga os acontecimentos. Ao mesmo tempo, um misterioso justiceiro fantasiado de bate-bola carioca começa a punir quem se aproveita do tal jeitinho.

Um nome, muitos Brasis

A multiplicidade de versões diz muito sobre os quadrinhos nacionais. Enquanto o manto do Capitão América passa de herói para herói dentro de uma mesma editora, o Capitão Brasil se multiplicou de forma independente, em traços e propostas completamente diferentes. Do horror dos anos 1950 à sátira do transporte público, cada versão reflete um pedaço do país.

Como curiosidade final, até a Marvel já teve sua Capitã Brasil: a personagem Thauany Lima, do desenho animado Super Hero Squad, criada em 2009 no universo alternativo da Terra-91119. Prova de que a ideia de um herói vestindo as cores nacionais segue rendendo boas histórias, dentro e fora do Brasil.

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