A franquia Rambo sempre foi lembrada pela ação visceral dos anos 1980. Mas por trás dos tiroteios sempre existiu uma história sobre trauma e os efeitos da guerra sobre um soldado.
Em participação no podcast Happy Sad Confused, comandado por Josh Horowitz, o ator Noah Centineo revelou qual cena de Rambo: Programado Para Matar teve mais peso na construção do novo prequel John Rambo. A resposta pode ser a passagem mais emocional de toda a saga.
O colapso que virou norte para o elenco
Segundo Centineo, o momento mais importante para ele e para a equipe está entre as cenas finais do primeiro filme do Rambo. É quando o personagem de Sylvester Stallone desaba diante do coronel Trautman.
Nessa passagem, Rambo desabafa sobre não conseguir manter um emprego comum, mesmo sabendo pilotar helicóptero, e sobre a dor de ter perdido amigos na guerra. Para o ator, esse monólogo funcionou como bússola de toda a produção. Ele destacou a importância de fazer o público sentir, de forma visceral, a dor que transformou Rambo no lutador implacável que os fãs conhecem.
Rambo sempre foi mais que um filme de ação
Ainda que boa parte do público lembre a franquia apenas pelas cenas de combate, Rambo: Programado Para Matar sempre tratou de temas mais profundos. Um deles é o tratamento cruel dado a quem é visto como diferente. No filme, Rambo chega à pequena cidade de Hope, no estado de Washington, como um andarilho lidando com a notícia da morte de um companheiro de armas.
Em vez de acolhimento, recebe hostilidade do xerife local e chega a sofrer abuso das autoridades. A crueldade toma o lugar da compaixão para um homem já fragilizado. Isso detona a fúria que o transforma em uma máquina de guerra pelo resto do filme.

Uma humanidade que as sequências deixaram de lado
O filme original não isenta Rambo de responsabilidade, e ele acaba enfrentando consequências legais pelo que faz em Hope. Ainda assim, o desfecho concede ao personagem uma humanidade que as autoridades da cidade jamais lhe deram.
A cena citada por Centineo revela o lado fragilizado do combatente. Ela mostra quem ele é além da violência que carrega, tanto no filme quanto, presumivelmente, em seu passado militar. Ao escolher justamente esse momento como referência, tudo indica que o diretor Jalmari Helander e o próprio ator entendem algo importante: Rambo é mais do que uma arma humana.
É uma camada de profundidade que Rambo II – A Missão e Rambo III deixaram de lado. Não à toa, Programado Para Matar é amplamente considerado pelos fãs o melhor filme da saga. O equilíbrio entre ação e humanidade soa como bom presságio para o novo capítulo.
Vale lembrar que nem toda sequência recente da franquia repetiu essa fórmula: o último filme estrelado por Stallone recebeu recepção bem mais dividida da crítica. Já Centineo, acostumado a papéis de ação físicos como o Esmaga-Átomo em Adão Negro, parece disposto a equilibrar músculo e emoção no novo herói.
John Rambo estreia nos cinemas em 4 de junho de 2027.





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