O Ei Nerd acompanhou, a convite da Disney, a coletiva de imprensa internacional de “Diários de Armário: Coven Academy” (“Coven Academy”). Participaram o criador Tim Federle, as estrelas Malina Pauli Weissman e Malachi Barton e os veteranos Tiffani Thiessen e Devon Sawa. A série de bruxas da Disney está disponível completa no Disney Plus.
Durante a conversa, o grupo falou sobre o tom mais sombrio da produção e os efeitos feitos na raça durante as gravações. Também sobrou espaço, claro, para a campanha por uma nova temporada. Confira a entrevista completa logo abaixo.
DO QUE SE TRATA “COVEN ACADEMY”?
Ambientada em Nova Orleans, a trama acompanha três jovens bruxas em treinamento em um internato de magia de elite. Lá, elas dividem os corredores com feiticeiros, vampiros e segredos perigosos ligados a antigas guerras sobrenaturais.
Malina Pauli Weissman, a eterna Violet de “Desventuras em Série” (“A Series of Unfortunate Events”), vive Briar, uma garota do Brooklyn com poderes telecinéticos. Ao lado dela estão Jordan Leftwich como Sasha e Ora Duplass como Tegan. Malachi Barton interpreta o feiticeiro rebelde Jake, enquanto Louis Thresher dá vida ao vampiro Ollie.
Já Tiffani Thiessen, eternizada como Kelly Kapowski em “Uma Galera do Barulho” (“Saved by the Bell”), é a diretora Miss Graves. Devon Sawa, de “Premonição” (“Final Destination”), entra como o professor e feiticeiro Mr. Cole, em participação especial.
Criada pelo mesmo nome por trás de “High School Musical: A Série: O Musical” (“High School Musical: The Musical: The Series”), a produção foi gravada em Vancouver. Você pode relembrar os primeiros detalhes do projeto nesta matéria do Ei Nerd sobre o anúncio da série.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA COM O ELENCO DE “COVEN ACADEMY”
As perguntas foram enviadas por jornalistas de vários países e lidas pela mediadora da coletiva. As respostas foram traduzidas e levemente editadas para facilitar a leitura.
A série fala sobre personagens que descobrem o que os torna diferentes e transformam isso em força. Algo no seu personagem mudou a forma como você o enxergava ao longo da temporada?
Malachi Barton:
Uma das coisas mais legais, graças ao Tim Federle, é que ele me deu um personagem cheio de camadas. O Jake é tipo uma cebola. Você vai puxando as camadas e ele continua sendo uma cebola, entende? Ele é simplesmente o Jake. Mas, ao longo da temporada, ele passa por muita coisa na relação com o pai. Existe essa coisa maluca que fica marcada na infância de quem cresce sem uma figura paterna por perto. Finalmente encontrar essa pessoa e descobrir que ela não é quem você imaginava é muito louco. Acho que muitos garotos vão se identificar. Ele se adapta muito bem, mas ainda tem muito mais para explorar no Jake.
Tim Federle:
Você já está fazendo campanha pela 2ª temporada, Malachi?
Malachi Barton:
Estou pedindo a 2ª temporada desde o segundo em que recebi a ligação. Acho que ela precisa acontecer, 100%.
Malina Pauli Weissman:
Sinceramente, acho que o público vai desvendando a Briar ao mesmo tempo em que ela descobre a si mesma. Ela muda completamente quando chega à Coven Academy. No começo, ela é super na defensiva. Ela gosta de adrenalina e é meio destemida. Mas logo percebe que confiar nas pessoas e deixá-las se aproximar não é assustador. Ela é do tipo que deixa as coisas acontecerem e vai entendendo tudo no caminho. Acho que são as pessoas ao redor que realmente puxam você para dentro disso. A irmandade é muito importante para ela, e isso é algo que ela aprende nessa nova escola. Ela também descobre um segredo enorme sobre si mesma, e isso muda tudo.
O tom mais ousado e os episódios mais curtos parecem conversar diretamente com a geração mais jovem. Foi essa a ideia?
Tim Federle:
Mesmo com o tom mais ousado, a série continua sendo Disney no coração, porque fala sobre família escolhida. A magia está no centro, ainda que seja uma magia menos fantasiosa do que se espera da Disney. Quando eu estava no sexto ano, eu lia “O Iluminado” (“The Shining”). Eu lia Stephen King no ensino fundamental. Essa série foi pensada para o público do fundamental e do ensino médio. Espero que mães e filhas assistam juntas. Acho que eles estão prontos para isso.
Além disso, estrear ao mesmo tempo no Freeform, no Disney Plus e no Hulu mostra que chegou a hora de a Disney voltar a dominar o Young Adult. Quando eu era criança, assisti Disney até certa idade e depois me afastei por um tempo. Só voltei mais velho, por causa da Pixar e da nostalgia. Espero que a gente conquiste um público que cresça junto com o Malachi e a Malina. E quem tem a minha idade cresceu vendo o Devon e a Tiffani, que eram meus heróis. Acho que essas pessoas vão voltar e perceber que continuam obcecadas por eles.
A gente fala em tom ousado porque tem assassinato, sangue, vampiros e bruxas. Mas o segredo da série é que, no fundo, ela fala sobre irmandade e sobre o que esses elementos mágicos representam como metáfora.
Tiffani e Devon, vocês também trabalharam para o público jovem no começo da carreira. Como enxergam esse tom?
Tiffani Thiessen:
É bem diferente de onde eu comecei, nas manhãs de sábado. Era tudo muito iluminado, muito comercial e superseguro. As histórias eram bem mais leves, mas ainda eram histórias. Acho que o nosso episódio sobre drogas foi o das pílulas de cafeína. Foi o mais pesado a que chegamos. Essa é a versão moderna daquilo. Tenho dois filhos, de 16 e 11 anos, e é exatamente isso que eles assistem hoje. Eles estão superanimados para ver a série. Isso dá aquela sensação de que a mamãe voltou a ser legal.
Devon Sawa:
O Tim acertou em cheio ao dizer que a série tem cara de Disney, mas com ousadia. Percebi isso assim que cheguei e comecei a gravar com o elenco jovem. Eles eram centrados, verdadeiros e estavam fazendo coisas mais ousadas. As crianças de hoje assistem a “Stranger Things”, “Wandinha” (“Wednesday”) e séries desse tipo. Então o tom me pareceu ótimo. Adorei desde o começo.
Tim Federle:
Foi assim que eu apresentei a série, aliás. O pitch foi Wandinha com bruxas, porque desde o começo a gente queria deixar claro que esse é o espaço em que queremos jogar. Por isso, a escalação foi muito pensada. A Malina e o Malachi cresceram diante do público, e eu vejo isso nos comentários. As pessoas escrevem que a Violet voltou. São jovens que estão crescendo junto com a audiência. A Ora e a Jordan estão estourando agora, parece o começo de tudo para elas. E a Tiffani e o Devon trazem os pés no chão e uma credibilidade real. Meu celular nunca bombou tanto quanto no anúncio da escalação de vocês. Vocês estavam nas paredes dos quartos de muita gente.
Devon Sawa:
Tenho filhos de 10 e 12 anos, e a minha menina de 10 é completamente apaixonada por vocês dois. Ela admira demais vocês. Ela assiste a Wandinha e à antiga série de vocês.
Quanto da magia foi feita na prática no set e quanto foi adicionado depois? Algum efeito mudou a forma como vocês interpretaram uma cena?
Tim Federle:
Eu dirigi o piloto, que gravamos no ano passado em Vancouver. Nunca tinha dirigido nada com efeitos visuais, então decidi fazer tudo de forma prática. Eu queria que o episódio ficasse bonito desde o início. Logo no primeiro episódio, a Malina entra no escritório da Miss Graves, personagem da Tiffani. Eu pensei: vamos explodir o escritório. Gravamos a Tiffani em várias camadas. Tínhamos um especialista em efeitos especiais das antigas em Vancouver, o Darren, que parecia o velho pescador de “Tubarão” (“Jaws”). Ele disse que, para explodir um escritório, precisaria de mais ou menos uma semana. Foi o máximo.
No trailer, a Jordan, que interpreta a Sasha, lança um feitiço mental na Malina e vários objetos flutuam pela sala. Tudo aquilo foi prático, com fios que removemos depois.
Tiffani Thiessen:
O que ajuda muito como atriz, quando você realmente está vendo e sentindo aquilo.
Tim Federle:
Conforme a série avança, aparecem outros momentos. O Devon e o Malachi interpretam feiticeiros. Em certo ponto, o Jake começa a se envolver com outro tipo de magia, e tem uma sequência em que papéis flutuam ao redor dele. Metade daquilo foi prático. A outra metade foi do tipo: um dia isso vai ficar legal, provavelmente.
Malachi Barton:
Lembro do dia em que gravamos com os papéis. Tinha umas três pessoas fora de quadro disparando papel com armas de dinheiro. Foi incrível. E, como vocês disseram, isso facilita muito o nosso trabalho, porque está tudo ali na sua frente. Mas também é muito louco quando nada está acontecendo e depois você assiste. Você pensa que se sentiu ridículo, mas ficou ótimo.
Malina Pauli Weissman:
Sem dar spoiler, teve aquela cena em que tudo estava tremendo. Os caras ficavam na mesa, só sacudindo tudo. E o vaso de planta se espatifou.
Tim Federle:
Uma das habilidades dos feiticeiros é o teletransporte. Em um dos três primeiros capítulos, o Devon deixa cair uma folha de papel e ela aparece na mesa do Jake. Lembro de dizer que ia ficar legal, eu prometia.
Devon Sawa:
Tim, isso parece bobo. Parece muito bobo.
Tiffani Thiessen:
Mas ficou ótimo.
Tim Federle:
Sobre os episódios mais curtos, é curioso. Quando olho para a temporada inteira, são mais de cinco horas de TV. Ela foi pensada para ser maratonada. Tem menos a ver com os hábitos dos jovens e mais com puxar você para dentro desse mundo. A ideia é que você queira passar tempo com esses personagens e desvendar o mistério que está no centro da história. Estamos tentando algo um pouco novo. No fim, o autoplay continua rodando e você vai direto para o próximo capítulo.
Devon Sawa:
Nunca me pareceu curto demais. Tudo flui muito bem. O ritmo ficou perfeito.
Tiffani Thiessen:
Porque um capítulo emenda no outro de forma muito natural. Você decide como quer assistir.
Tiffani, sua carreira é longa e cheia de personagens. O que interpretar a Miss Graves te ensinou que você não esperava?
Tiffani Thiessen:
Sempre que tive a oportunidade de trabalhar com um elenco mais jovem, como aconteceu de novo agora, aprendi algo novo. Faço isso há mais de 40 anos, o que é loucura de pensar. Essa é a minha segunda ou terceira série mais voltada ao público jovem, e a energia dessa garotada é contagiante. Estou mais velha agora, e as gravações noturnas não foram tão fáceis para mim. Mas ver o entusiasmo e a empolgação deles me deixou igualmente animada para fazer um bom projeto. Foi isso que levei dessa experiência. Aceitar esse trabalho foi quase como viver meu primeiro emprego de novo.
Malina Pauli Weissman:
Você não está velha. Nem um pouco.
Já vimos muitas histórias sobre bruxas e escolas de magia. O que torna “Coven Academy” diferente?
Devon Sawa:
Ela simplesmente parece original. Quando ouvi o conceito pela primeira vez, achei que seria algo como “Harry Potter” ou “Crepúsculo” (“Twilight”), que são ótimas produções. Mas essa tinha algo original e orgânico, era bem diferente. Somado a isso, tem um elenco excepcional que interpretou tudo de forma mais madura, mais pé no chão e mais ousada. A série tem uma vibe própria.
Malachi Barton:
Ela também combina muito com o momento que estamos vivendo. A gente não tem nenhuma série de bruxas com essa pegada de academia. A última coisa parecida de que me lembro é “The Umbrella Academy”, e já faz alguns anos. Quando estávamos gravando, eu me identificava pessoalmente com tudo o que acontecia na série. Era o que eu estava vivendo naquela época. Então dá para mergulhar de verdade no projeto. Mesmo que bruxas e academias já tenham sido feitas antes, essa é uma versão nova, feita para os dias de hoje.
Tiffani Thiessen:
Você acha que é uma série sobre uma escola de bruxas, certo? Mas, na verdade, ela fala sobre família escolhida. É sobre relacionamentos, e a escola fica meio de lado. O foco são os personagens, o que descobrimos sobre eles e como se relacionam.
Malina Pauli Weissman:
A identidade deles e o quanto eles mudam uns por causa dos outros. Também é algo diferente para o canal, porque é uma série muito mais serializada, e isso é empolgante. E é muito nostálgica, porque todos nós crescemos com séries assim.
Tim Federle:
É divertido, principalmente nessa época do ano, com aquele clima aconchegante de Halloween. A gente queria fazer algo nostálgico, uma série de conforto. E é estranho fazer uma série de conforto com vampiros. Talvez o que a torne diferente seja a conexão entre os personagens. Existe uma história dos garotos que fala muito sobre masculinidade, sobre o que significa ser homem e assumir seu poder no mundo. É uma grande metáfora sobre crescer.
VAI TER 2ª TEMPORADA DE “COVEN ACADEMY”?
Apesar da campanha animada de Malachi Barton, a Disney ainda não confirmou a renovação. Os números iniciais, no entanto, jogam a favor. Segundo dados do FlixPatrol, a série chegou ao topo do ranking global de séries do Disney Plus poucos dias após a estreia. Além disso, a Nielsen apontou a produção como a mais vista entre jovens de 12 a 17 anos no fim de semana de lançamento nos Estados Unidos.
Esse desempenho pode indicar que a estratégia funcionou. Depois de anos apostando em comédias familiares e reboots, a Disney encontrou uma produção original que conversa com a geração Alpha. Ao mesmo tempo, a série não afasta quem cresceu com Kelly Kapowski e “Gasparzinho, o Fantasminha Camarada” (“Casper”). Se a renovação vier, o estúdio terá em mãos uma franquia YA própria, algo raro desde a era de ouro do Disney Channel. Para os fãs, o recado é simples: o mistério de Briar ainda tem muito chão pela frente.
Onde assistir “Coven Academy”?
Todos os capítulos da primeira temporada de “Diários de Armário: Coven Academy” estão disponíveis no Disney Plus.






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