Destin Daniel Cretton passou cerca de um ano ligado a um filme dos Vingadores que nunca saiu do papel. Ele contou como a frustração virou o convite para dirigir o herói mais popular da Marvel.
Destin Daniel Cretton estreia na próxima semana como diretor de Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day), mas o caminho até ali foi bem mais tortuoso do que parece. Em entrevista ao site IndieWire, o cineasta falou abertamente sobre o cancelamento de Vingadores: A Dinastia Kang, projeto que ele deveria dirigir, e sobre o período de incerteza que veio depois.
O que aconteceu com A Dinastia Kang

O filme foi anunciado na San Diego Comic-Con de 2022 e colocaria o vilão Kang e suas variantes no centro da chamada Saga do Multiverso. Cretton, vindo do sucesso de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, foi escolhido para comandar o projeto.
Vários fatores atrapalharam o plano. O vilão foi derrotado de forma pouco impactante em Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania, filme recebido com frieza pelo público. Em seguida, o ator Jonathan Majors deixou o papel após um processo judicial de grande repercussão. O estúdio acabou redirecionando a saga para o Doutor Destino, com os irmãos Russo assumindo a direção de Vingadores: Doutor Destino.
A tristeza e o medo de perder a relação com Feige
O diretor não escondeu a frustração daquele período. Segundo ele, tudo aconteceu durante a greve que paralisou a indústria, e a dúvida sobre a continuidade do projeto se arrastou por meses.
Quando a notícia veio, o sentimento foi de tristeza. Ele contou, porém, que tenta manter certa distância emocional de situações que não controla.
Eu tento não pendurar minhas emoções em circunstâncias fora do meu controle. (tradução livre)
Havia ainda um receio profissional específico. O cineasta admitiu ter ficado assustado com a possibilidade de a relação dele com Kevin Feige, presidente do estúdio, mudar por causa do cancelamento. Segundo ele, isso não aconteceu.
De prêmio de consolação a prioridade
A conversa sobre o Homem-Aranha começou no mesmo dia em que o projeto anterior caiu, mas não como proposta formal. O convite oficial demorou a chegar. Na avaliação dele, a situação parece bem menos dramática de dentro do que de fora.
Relatos posteriores mostram que o interesse do estúdio era grande. Em coletiva recente, a produtora Amy Pascal afirmou que a equipe insistiu bastante para convencê-lo a aceitar o trabalho, e Tom Holland chegou a dizer que o diretor salvou o filme. Feige, por sua vez, contou que já procurava formas de seguir trabalhando com o cineasta desde Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis.
Três chefes de estúdio na mesma sala
Outro ponto interessante da entrevista trata da estrutura de produção. Diferentemente dos trabalhos anteriores, aqui ele não respondia apenas a Feige. O projeto envolve também Tom Rothman, da Sony, e a produtora Amy Pascal.
No papel, segundo o próprio diretor, a combinação parecia intimidadora. Na prática, ele avaliou que os três se respeitam e colaboraram para melhorar o filme, sem que egos atrapalhassem as decisões. Vale registrar que Cretton se tornou o primeiro cineasta a dirigir tanto um filme da Marvel Studios quanto uma produção da Sony dentro desse universo compartilhado.
Shang-Chi 2 segue em desenvolvimento

O diretor foi cauteloso ao falar do futuro dele no estúdio. Ainda assim, garantiu que a continuação de Shang-Chi segue em desenvolvimento ao lado do roteirista Dave Callaham, e afirmou torcer para que o projeto aconteça.
A expectativa do mercado é que ele também assuma os próximos dois filmes do Homem-Aranha. Nada disso, porém, foi confirmado oficialmente pelos estúdios envolvidos.
O que esperar de Um Novo Dia
O longa chega aos cinemas em 31 de julho de 2026 e retoma a situação deixada por Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, com todo mundo tendo esquecido quem é Peter Parker. É o quarto filme estrelado por Tom Holland e o primeiro sem direção de Jon Watts.
O elenco reúne Zendaya, Jacob Batalon, Sadie Sink, Jon Bernthal, Mark Ruffalo, Tramell Tillman e Michael Mando. O roteiro é de Chris McKenna e Erik Sommers, com trilha de Michael Giacchino. Em outra entrevista, o diretor contou que se identificou com a solidão do protagonista, alguém que passa a acreditar que seu destino é trabalhar sozinho, sentimento que ele diz ter vivido mais de uma vez.
O acaso também move Hollywood
O relato desmonta um pouco a ideia de que grandes estúdios seguem planos rígidos. A Saga do Multiverso mudou de rumo no meio do caminho, e um diretor consolidado passou meses sem saber se teria trabalho, algo que raramente aparece na comunicação oficial. Esse redesenho de planos já vinha sendo percebido pelo público desde que as primeiras pistas sobre as Guerras Secretas começaram a circular.
Por outro lado, o desfecho parece favorável para todos os lados. O estúdio manteve um diretor bem avaliado dentro de casa, e o cineasta assumiu a franquia mais lucrativa disponível. Resta ver se o resultado convence, agora que o calendário de lançamentos do herói volta a se movimentar, tema que já afetou até outras produções em desenvolvimento.




Seja o primeiro a comentar