O aguardado lançamento da cinebiografia ‘Michael‘ em 2026 finalmente chegou e reacendeu os debates em torno do Rei do Pop. A superprodução cinematográfica chegou às telonas dividindo opiniões: enquanto enfrenta duras críticas por parte da mídia especializada, o projeto tem conquistado rapidamente o coração do grande público. Mas afinal, o longa é apenas incompreendido ou a paixão dos fãs mascara os seus defeitos?
A narrativa principal foca na ascensão meteórica de Michael Jackson, traçando o seu caminho desde os primeiros holofotes com o grupo Jackson 5 até os imortais anos dourados de sua carreira solo.
Uma cinebiografia envolvente e atuações de peso
Um dos maiores trunfos da produção reside na imensa competência de seus protagonistas. O filme prende a atenção através do carisma inegável da dupla escalada: tanto o jovem Juliano Valdi, responsável por viver a fase infantil do cantor, quanto Jaafar Jackson (o próprio sobrinho do astro, que assume a fase adulta), entregam performances magnéticas que encarnam o ídolo com perfeição nas telonas.
O roteiro acerta o tom ao explorar as passagens pelos bastidores da indústria, exibindo o método de composição, a relação de Michael com a sua equipe técnica e o processo criativo na gravação de videoclipes icônicos e álbuns históricos.
No entanto, o verdadeiro núcleo dramático do filme e o seu ponto mais alto repousam na relação conturbada entre Michael e o seu pai Joseph Jackson, interpretado por Colman Domingo. Contrariando o medo geral do público de que a produção pudesse tentar amenizar as atitudes do empresário, o roteiro não “pegou leve”. Joseph assume abertamente a figura de antagonista do longa, expondo o extremo rigor e os profundos traumas que moldaram a vida do artista.
Omissões sentidas e uma linha do tempo apressada

Apesar de sua força emocional incontestável, a estrutura cinematográfica de ‘Michael’ apresenta falhas e discrepâncias notáveis que saltarão aos olhos dos conhecedores da história. O longa sofre gravemente com a ausência e a subutilização de figuras centrais. Membros conhecidos da família, como a irmã Janet Jackson, sequer são retratados — um reflexo dos complexos impasses envolvendo direitos de imagem e discordâncias nos bastidores reais da produção.
O apagamento narrativo também se estende aos próprios irmãos que formavam os Jackson 5/The Jacksons, que foram relegados a papéis quase mudos, sem o devido desenvolvimento ou exploração de sua relação com o protagonista. Nomes lendários da produção musical, como Berry Gordy e Quincy Jones, marcam presença, mas são reduzidos a quase “figurantes de luxo”. Um erro grosseiro de roteiro.
O problema mais brutal do corte, no entanto, é a sua montagem apressada. Em determinado momento, o filme executa um salto temporal brusco e questionável diretamente para o auge do Rei do Pop nos anos 80. Essa decisão técnica corta pela raiz momentos importantes da trajetória do artista, ignorando completamente eventos cruciais como a conturbada saída da gravadora Motown e o lançamento de seus primeiros e álbuns solos.
Infelizmente, porém, os cortes não param por aí. Outros momentos também são ignorados, o que para alguns simplesmente “faz parte”, outros vão achar um crime não ser sequer mencionado. Momentos como uma certa música produzida ao lado de Lionel Richie.
O veredito: emocionante, mas divisivo para os puristas

Em sua essência, ‘Michael’ é um filme ágil e competente que emociona profundamente quem entra na sala de cinema com a mente aberta e sem preconceitos. O longa retrata de forma honrosa e sensível a inocência do cantor, o seu amor genuíno pelos animais, a sua ousadia artística e a turbulenta relação familiar.
Contudo, o projeto possui alvos de satisfação muito distintos. Para os fãs assíduos, puristas e estudiosos que dominam a cronologia exata e cada pormenor biográfico, a obra inevitavelmente causará certa frustração pelas etapas ignoradas e erros cronológicos. Ironicamente, o espetáculo musical e dramático agradará em cheio justamente àqueles que não conhecem a fundo todos os detalhes da vida do cantor.
Mais uma obra que será amplamente discutida com o passar dos anos. Mas isso é bom. Pois seja porque os fãs amaram ou odiaram o filme, eles fizeram isso porque amam Michael Jackson e só querem o melhor para a sua história.
Vida Longa ao Rei do Pop!






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