Remake ou remaster? Entenda a diferença nos games

Vinicius Miranda

Os dois termos vivem confundindo os jogadores na hora da compra. E saber distinguir um do outro pode salvar o seu bolso de uma decepção.

Quase todo mês surge o anúncio de um clássico voltando aos consoles atuais. Nesse meio, uma dúvida persegue os gamers: afinal, qual é a diferença entre remake e remaster? A confusão é compreensível, mas a distinção importa muito. Ela define se você está pagando por um jogo reconstruído do zero ou apenas por uma versão mais bonita de algo que já jogou. Para acabar com essa dúvida de vez, vamos explicar cada conceito com calma e exemplos reais.

O que é um remaster

Dynasty Warriors 3 Remastered – Divulgação / Koei Tecmo

O remaster é, em essência, um retoque técnico. A empresa pega o código original do jogo e aplica melhorias de resolução, desempenho e, às vezes, áudio. O objetivo é simples, ou seja, fazer o título rodar bem em uma TV 4K sem virar um borrão de pixels. Na prática, porém, continua sendo o mesmo jogo de antes, apenas mais nítido e estável.

Bons exemplos não faltam. “Dark Souls Remastered” e “The Last of Us Remastered” elevaram o visual e a fluidez, mas mantiveram a alma e a jogabilidade intactas. Alguns pacotes ainda trazem conteúdo extra ou DLCs reunidos, o que é sempre bem-vindo. Para sentir essa lógica na prática, vale conferir o caso de “Dynasty Warriors 3” em sua versão remasterizada.

Cuidado com o “HD” preguiçoso

Nem tudo, no entanto, merece aplausos. Algumas produtoras fazem apenas um upscale simples e vendem o resultado como uma luxuosa “Edição HD”. Nesses casos, o esforço é mínimo e o preço nem sempre se justifica. Por isso, ler bem o que está sendo oferecido evita arrependimentos.

O que é um remake

The Legend of Zelda: Ocarina of Time Remake – Divulgação / Nintendo

O remake joga em outra liga. Aqui, o jogo não é apenas polido, e sim reconstruído totalmente do zero. Os desenvolvedores adotam uma nova engine, criam modelos 3D inéditos e costumam regravar as vozes. Em outras palavras, nasce um jogo novo, que usa o clássico apenas como ponto de partida.

Esse processo é bem mais caro e demorado que uma remasterização. Em troca, ele entrega uma experiência moderna de verdade, capaz de conquistar tanto veteranos quanto novatos. O remake confirmado de “Ocarina of Time”, por exemplo, promete justamente esse tipo de renascimento, como o Ei Nerd já detalhou ao falar sobre a nova versão do clássico da Nintendo.

Existem dois tipos de remake

Aqui mora um detalhe que pouca gente conhece. Nem todo remake segue a mesma filosofia, e eles se dividem em dois grandes grupos. Entender essa separação ajuda a calibrar as expectativas antes de comprar.

Os puristas

Demon’s Souls Remake – Divulgação / Sony

O primeiro tipo é o remake purista. Nele, o estúdio reconstrói todo o visual, mas preserva a jogabilidade original quase no detalhe. Foi o que aconteceu com “Shadow of the Colossus” e com “Demon’s Souls”. Ambos ficaram irreconhecíveis em termos gráficos, embora a mecânica continuasse fiel à raiz.

As reimaginações

Final Fantasy VII Revelation – Divulgação / Square Enix

O segundo tipo é mais ousado. As reimaginações mudam praticamente tudo, incluindo combate, ritmo e até partes da história. “Resident Evil 2”, “Final Fantasy 7 Remake” e “Silent Hill 2” são exemplos perfeitos disso. Eles transformaram clássicos antigos em experiências quase inéditas, para o bem ou para o mal.

E onde entra o reboot?

Tomb Raider – Divulgação / Crystal Dynamics

Vale abrir um rápido parêntese para não confundir os termos. O reboot vai além do remake, pois reinicia uma franquia inteira.

Nesse caso, os desenvolvedores descartam a cronologia anterior e começam uma história nova. Foi assim com “Tomb Raider”, de 2013, e com o aclamado “God of War”, de 2018.

Por que essa onda de relançamentos existe

A análise aqui é direta e revela uma estratégia clara. Para os estúdios, relançar um clássico é menos arriscado do que apostar em uma marca nova. Afinal, já existe uma base de fãs e uma história consagrada por trás. Além disso, esses projetos ajudam a preservar a memória dos videogames para as novas gerações.

Os números confirmam essa tendência. Segundo um estudo divulgado em 2025, cerca de 90% dos jogadores experimentaram ao menos um remake ou remaster no último ano, e a maioria aprovou. O sucesso comercial reforça o caminho, já que o remake de “Resident Evil 4” superou dez milhões de cópias vendidas. Dessa forma, fica evidente que a indústria não vai abandonar esse formato tão cedo.

No fim das contas, cada formato tem seu valor. O remaster aposta na nostalgia pura, enquanto o remake entrega uma jogabilidade totalmente moderna. E você, prefere reviver o clássico do jeitinho de antes ou redescobri-lo com a tecnologia de hoje?

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