Editor de Dragon Ball critica One Piece e outros shonens modernos

Andre Luiz

Kazuhiko Torishima, ex-editor de Dragon Ball e um dos principais nomes por trás do sucesso da obra de Akira Toriyama, gerou repercussão ao comentar o atual cenário dos mangás e animes. Durante participação na Comicon Napoli 2026, o veterano da indústria fez críticas diretas a produções modernas, incluindo One Piece, Demon Slayer, Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man.

As declarações rapidamente ganharam força nas redes sociais após um resumo do painel ser compartilhado pelo usuário @XmathemagicianX, no X/Twitter. Segundo a tradução divulgada online, Torishima afirmou que várias obras contemporâneas se tornaram “difíceis demais para crianças” e excessivamente carregadas de texto.

Editor de Dragon Ball diz que One Piece ficou “difíil de acompanhar”

Entre os comentários que mais chamaram atenção, o veterano citou diretamente One Piece, obra criada por Eiichiro Oda. De acordo com o resumo do evento, Torishima acredita que o mangá se tornou “verboso”, além de apresentar uma narrativa considerada complicada para novos leitores.

O editor também teria declarado que o título ficou “inacessível para crianças”, comparando a obra ao estilo mais simples e direto adotado em Dragon Ball. Segundo ele, o clássico de Akira Toriyama buscava atingir públicos de diferentes idades com uma leitura mais dinâmica e visual.

Além de One Piece, Torishima também comentou sobre outros sucessos recentes. Conforme a tradução compartilhada online, ele teria chamado Jujutsu Kaisen, Demon Slayer e especialmente Chainsaw Man de “lixo”.

Apesar da repercussão, o contexto completo das falas não foi oficialmente divulgado em vídeo integral, e parte das nuances pode ter se perdido na tradução.

Críticas aos animes modernos envolvem excesso de diálogos e mudança de público

Durante o painel, Kazuhiko Torishima também falou sobre a evolução da indústria de mangás e animes nas últimas décadas. Segundo o editor, produções atuais passaram a apostar em mais diálogos, construções narrativas complexas e foco maior em públicos adolescentes e adultos.

O veterano destacou que os clássicos da era de ouro da Shonen Jump priorizavam histórias mais objetivas, ação constante e leitura acessível. Já as obras recentes adotariam uma estrutura mais cinematográfica, com temporadas menores, visuais elaborados e temas considerados mais sombrios.

A mudança também acompanha a transformação do mercado global de anime, que hoje é fortemente impulsionado por plataformas de streaming e redes sociais.

Mesmo criticando One Piece, Torishima elogiou Eiichiro Oda

Apesar das críticas, Torishima também fez elogios ao criador de One Piece. Segundo o resumo divulgado do evento, o editor descreveu Eiichiro Oda como “um enorme nerd de quadrinhos/mangás com uma paixão genuína pela mídia”.

O veterano ainda teria destacado positivamente a construção de personagens da obra, reconhecendo a dedicação do autor ao universo criado ao longo de mais de mil capítulos publicados.

Essa não é a primeira vez que Torishima comenta sobre One Piece. Em entrevistas anteriores, ele já havia afirmado que a história possui uma trama “pesada demais” e que Oda teria liberdade excessiva dentro da franquia.

Editor também comentou sobre Naruto e Dragon Ball DAIMA

Nem todas as observações feitas durante o evento foram negativas. Torishima elogiou títulos como Hirayasumi, Touch e parte da trajetória de Naruto e Naruto Shippuden, especialmente até o arco de Pain.

Além disso, ele comentou sobre Dragon Ball DAIMA, afirmando que o anime “começou com o pé errado”. O editor ainda revelou que a transição entre Dragon Ball e Dragon Ball Z foi um dos momentos mais desafiadores da franquia.

Diferença entre o shonen clássico e o moderno segue gerando debate

As declarações reacenderam discussões entre fãs sobre as diferenças entre os shonens clássicos e os sucessos atuais da indústria. Enquanto obras antigas apostavam em narrativas longas e progressivas, séries contemporâneas costumam focar em temporadas curtas, ritmo acelerado e estética cinematográfica.

A popularização global dos animes também alterou o perfil do público e a forma como os estúdios produzem conteúdo atualmente. Com isso, opiniões divergentes entre veteranos da indústria e criadores da nova geração se tornaram cada vez mais comuns.

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