Pouca gente sabe, mas uma das histórias mais emocionantes de ‘One Piece’ pode ter raízes em uma obra literária de mais de dois séculos atrás que também originou uma das músicas mais icônicas do Iron Maiden. Existe uma semelhança temática entre todas essas diferentes obras. Da trajetória de Brook e o clássico poema “The Rime of the Ancient Mariner”, de Samuel Taylor Coleridge, depois adaptado pela lendária banda britânica.
Mas afinal, Eiichiro Oda se inspirou no poema original, na música do Iron Maiden ou em ambos? A resposta nunca foi confirmada, mas é bem provável que seja nos dois. Até porque, o Oda é muito fã de música e ela tem um papel central no universo de ‘One Piece’.
Um marinheiro amaldiçoado e uma jornada marcada pela culpa
Na história escrita por Samuel Taylor Coleridge, um velho marinheiro conta sua terrível aventura. Durante uma expedição, seu navio acaba preso nas águas geladas próximas à Antártida até que um albatroz surge e guia a embarcação para a salvação.
O problema é que o marinheiro mata a ave com um disparo. O ato desperta uma terrível maldição sobre toda a tripulação. O navio fica à deriva por um longo período, sem vento, comida ou água, enquanto fenômenos sobrenaturais passam a atormentar todos a bordo.
Marcados principalmente pela presença da Morte e da Vida-Além-da-Morte, duas entidades que ditaram o rumo da jornada. Trazendo como punição ao marinheiro uma existência além da morte, destinada à expiação de seu pecado.
Essa narrativa foi eternizada na música “The Rime of the Ancient Mariner”, lançada pelo Iron Maiden, que adaptou boa parte do poema para uma das composições mais ambiciosas da banda. A faixa ajudou a popularizar mundialmente essa história e apresentou o clássico literário para gerações de fãs do heavy metal.

A ligação surpreendente entre essa história e Brook em ‘One Piece’
E aí claro que as semelhanças com Brook já ficam claras. Em ‘One Piece’, o músico dos Chapéus de Palha também é um marinheiro condenado a viver uma existência solitária após perder toda a sua tripulação. Durante décadas, ele permanece preso em um navio fantasma, cercado apenas pelos corpos de seus antigos companheiros.
No poema, o protagonista presencia um por um de seus colegas morrerem enquanto permanece vivo por causa de uma punição sobrenatural. Em ‘One Piece’, Brook sofre destino parecido ao sobreviver graças aos poderes de sua Akuma no Mi, retornando à vida apenas para encontrar todos os amigos mortos. A culpa, a solidão e o peso psicológico de continuar existindo quando todos ao redor desapareceram são temas centrais nas duas histórias. E claro, a morte.

No poema, figuras sobrenaturais como a própria Morte e a enigmática Vida-na-Morte disputam em um jogo de dados o destino da tripulação. Já Brook literalmente se torna um esqueleto ambulante, convivendo diariamente com o simbolismo da morte enquanto tenta preservar sua humanidade por meio da música e das lembranças.
Oda se inspirou no Iron Maiden, no poema ou nos dois?
A verdade é que não existe uma confirmação oficial de Eiichiro Oda afirmando qual foi sua fonte de inspiração.
É perfeitamente possível que Oda tenha conhecido a história justamente por meio da versão do Iron Maiden. A banda britânica transformou o poema em uma canção icônica do heavy metal, mantendo boa parte de sua narrativa original e ajudando a difundir esse conto para um público muito maior do que o alcançado pela literatura clássica.
No fim das contas, seja através da música, do poema ou de ambos, a influência de “The Rime of the Ancient Mariner” parece ecoar em diversos aspectos da construção de Brook. E isso só reforça uma das características mais fascinantes de ‘One Piece’: a capacidade de Eiichiro Oda de misturar referências históricas, mitológicas, culturais e musicais para criar personagens que conquistam gerações de fãs ao redor do mundo.




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