Elysium, de Matt Damon e Wagner Moura, merece uma sequência?

Andre Luiz

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Entre astronautas abandonados, assassinos sem memória e golpistas, Elysium raramente aparece quando se fala nos melhores trabalhos de Matt Damon. O thriller distópico de 2013, embora pouco citado, certamente merece ser revisto. Atenção: há spoilers do final.

Cinco dias para chegar ao paraíso

A trama se passa em 2154, com a humanidade espremida em uma Terra poluída enquanto os ricos vivem em uma estação orbital com mansões, gramados e cápsulas médicas capazes de curar doenças em minutos, a Elysium. Damon vive Max Da Costa, ex-presidiário que trabalha em uma fábrica da Armadyne, em Los Angeles. Ao ser exposto a uma dose letal de radiação, ele recebe cinco dias de vida.

Sem outra saída, Max procura o contrabandista Spider, vivido por Wagner Moura, que aceita levá-lo até Elysium se ele ajudar a roubar dados do presidente da empresa, John Carlyle. O que Max rouba é mais valioso que dinheiro: um programa capaz de reiniciar todo o sistema da estação e reconhecer como cidadãos todos os habitantes da Terra. Subir os dados o mataria, mas abriria os recursos médicos para bilhões de pessoas.

Wagner Moura em Elysium – Reprodução/Sony Pictures

Por que o filme soa tão atual

O ponto forte é a forma literal como a ficção trata a desigualdade. Ela destaca uma cena em que uma mãe leva a filha doente a uma cápsula médica, e a máquina identifica a menina como não cidadã e a recusa. Em resumo, o tratamento existe. O problema é que só quem tem dinheiro e acesso pode chegar até ele.

Os líderes desse sistema ficam longe das consequências: Delacourt manda Kruger destruir as naves com famílias e depois o descarta.

Do tombo nas bilheterias ao resgate

A recepção de 2013 foi morna. A Variety registrou fim de semana final de 29,8 milhões de dólares nos Estados Unidos, nota B no CinemaScore e um orçamento de 115 milhões, com estreia abaixo da de Distrito 9, outro sucesso do mesmo diretor, Neill Blomkamp. O IMDb calcula cerca de 286 milhões de dólares arrecadados no mundo, o que o deixou perto do empate com os custos. O longa reúne também Jodie Foster e Sharlto Copley.

Blomkamp, por sua vez, voltou a ser assunto. O Ei Nerd lembra que Distrito 9 ainda espera por sequência, e mostrou o curta feito com IA que dividiu os fãs. Já Damon viveu Odisseu em A Odisseia, de Christopher Nolan, recordista de bilheteria entre os filmes de classificação adulta.

O resgate de Elysium mostra como alguns filmes só ganham sentido com o tempo. Para os fãs, é a chance de reencontrar uma sci-fi autoral com ação e crítica social. Para o mercado, é um lembrete de que bilheteria morna não define a vida útil de uma obra.

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