O cinema de ficção científica tem uma longa história de obras-primas que resistem ao tempo, de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, a Blade Runner e Alien, de Ridley Scott. O século 21 seguiu essa tradição com força total, e um dos maiores exemplos completa 17 anos: Distrito 9, longa de estreia do sul-africano Neill Blomkamp, lançado em 14 de agosto de 2009.
Por que o filme ainda impressiona quase duas décadas depois
Uma das maiores qualidades de Distrito 9 é contar uma história repleta de crítica social relevante e ao mesmo tempo original. Os alienígenas, apelidados pejorativamente de camarões, fogem completamente dos clichês tradicionais do gênero. O longa os transforma em refugiados vivendo sob vigilância governamental na África do Sul.
A humanização das criaturas permite explorar temas como xenofobia e o histórico do Apartheid no país sem meias palavras. Não há aqui vilões alienígenas em busca de dominação mundial: eles estão perdidos e precisam de ajuda.
Christopher Johnson, o alienígena central da trama, apenas quer voltar para casa. É por meio de sua perspectiva que o público compreende as condições precárias e os experimentos desumanos que os camarões sofreram.
Um orçamento baixo que não comprometeu os efeitos
Distrito 9 também envelheceu muito bem do ponto de vista visual. O longa foi feito com um orçamento baixíssimo para um filme de alienígenas, apenas 30 milhões de dólares. Mesmo assim, os efeitos visuais das criaturas seguem de altíssimo nível.
As mudanças físicas do protagonista Wikus também impressionam. Boa parte do filme ainda parece tão boa, ou até melhor, do que blockbusters recentes com cinco vezes o orçamento. É uma façanha digna de clássicos do gênero como Blade Runner 2049, outro exemplo de ficção científica visualmente ambiciosa com recursos relativamente contidos para os padrões de Hollywood.

O elemento que envelheceu mal: a falta de sequência
Distrito 9 se ergue graças à direção precisa de Blomkamp. Somam-se o uso inteligente do formato pseudodocumental, a atuação marcante de Sharlto Copley e a força de seus temas. É tão divertido quanto significativo, e isso não mudou nem um pouco em 17 anos. Talvez a única coisa que tenha envelhecido mal seja o fato de ainda não termos a sequência, Distrito 10.
O longa de 2009 foi um sucesso estrondoso, arrecadando 210 milhões de dólares mundialmente, recebendo críticas elogiosas e concorrendo a quatro Oscars, incluindo Melhor Filme. Com o final do primeiro filme deixando a porta aberta para uma continuação, parecia questão de tempo até Distrito 10 acontecer.
Só que já estamos chegando perto de duas décadas desde o lançamento, e a sequência segue sem previsão concreta.
O que se sabe sobre o futuro da franquia
Blomkamp sempre afirmou acreditar que Distrito 10 sairá do papel algum dia, mas nunca cravou um prazo. A notícia mais animadora sobre o projeto veio em 2021. O diretor revelou nas redes sociais estar trabalhando no roteiro ao lado de Copley e de Terri Tatchell, corroteirista do longa original. No momento, não existe cronograma de produção nem data de estreia confirmados.
A trama deve girar em torno do retorno de Christopher à Terra para cumprir sua promessa de curar Wikus. O roteiro também mostraria como andam as condições de vida dos camarões depois de tantos anos. Blomkamp não tem outro filme em desenvolvimento no momento. Talvez isso abra espaço para a sequência finalmente avançar, um pouco à moda de como Denis Villeneuve conduziu sua própria continuação de sucesso em Duna.
Por ora, resta reassistir ao clássico e seguir na torcida.






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