A Maldição da Múmia – Conversamos com o diretor e o produtor do filme!

Vinicius Miranda

Lançado oficialmente nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 16 de abril, o visceral ‘Maldição da Múmia’ (Lee Cronin’s The Mummy) chegou com tudo para chocar o público, e a equipe do Ei Nerd esteve presente em Los Angeles para cobrir todos os detalhes dessa estreia.

Os nossos já conhecidos Breno Jordan e Diana Zambrozuski embarcaram direto para a Califórnia para um bate-papo exclusivo com a trindade por trás dessa produção. Tivemos a imensa honra de entrevistar o diretor Lee Cronin (conhecido pelo seu excelente e sangrento trabalho em A Morte do Demônio: A Ascensão), o produtor Jason Blum (CEO da Blumhouse) e o próprio James Wan (criador do universo de Invocação do Mal), que nesta superprodução uniu forças atuando como roteirista e também como produtor.

Uma nova (e aterrorizante) visão para o monstro

‘Maldição da Múmia’ mergulha o público em um body horror (terror corporal) sujo, grotesco e muito angustiante. Apoiado pelas gigantes Atomic Monster e Blumhouse, Lee Cronin reinventou o conceito da criatura de uma forma chocante.

A trama inédita nos apresenta à família de um jornalista que fica completamente devastada quando a sua pequena filha, Katie, desaparece de forma misteriosa. O verdadeiro pesadelo ganha forma quando a garota ressurge inexplicavelmente 8 anos depois. A faísca inicial de esperança e o alívio pelo recomeço da família logo se transformam em puro terror psicológico, de tom investigativo e sobrenatural, quando os pais percebem uma verdade sombria: aquela jovem definitivamente não é mais a mesma criança. Forças antigas e malignas voltaram para casa com ela.

Um dos grandes diferenciais da obra é justamente a escolha inteligente de subverter e atualizar o cenário clássico. Em vez de prender a ameaça exclusivamente às grandes dunas e tumbas esquecidas do Egito, o terror milenar foi transportado diretamente para a intimidade do lar, com grande parte da trama se desenrolando no interior de uma casa no estado americano do Novo México. Essa mudança dá à obra um ar de terror de possessão e sobrevivência muito mais claustrofóbico e focado.

Para sustentar a densa carga dramática e a forte maquiagem exigida pelo terror corporal da obra, o projeto reuniu um excelente elenco internacional. Entre os destaques, estão os atores Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Verónica Falcón e a jovem Natalie Grace (brilhando e assustando no exigente papel de Katie).

O bate-papo exclusivo com os criadores

Durante a entrevista presencial em Los Angeles, Breno e Diana puderam mergulhar a fundo nas grandes decisões criativas dessa equipe de elite. O trio de cineastas detalhou o processo de construção do roteiro afiadíssimo assinado por Wan, a ousadia visceral da direção de Cronin e a expertise inigualável de mercado da produtora de Blum.

Confira abaixo o nosso bate-papo completo com os criadores do filme:

Eu queria começar quebrando o gelo lendo dois comentários que eu encontrei no YouTube. No trailer, que eu achei hilário. E o primeiro teve 15 mil curtidas: “Você vê uma criança assim, e leva ela pra casa?” Eu não sei, eu só achei engraçado pra caraca. E o segundo comentário é: “Encontramos sua filha desaparecida depois de oito anos agindo como um cadáver maluco… Não man, já superamos isso, tá tudo bem.” Eu só achei hilário porque todo mundo estava tranquilo e aí…

Lee Cronin: “Mas o que essas pessoas não estão prestando atenção é no amor da família, que é uma grande parte do que esse filme se trata. Essa é a coisa e eu gosto quando você quer propor algo com o terror. Tipo, se esse filme de terror fosse: ‘Ah, sua filha parece normal! E você leva ela pra casa.’ Então não existe filme de terror, certo? Mas você sempre, sempre quer que exista algo.”

James Wan: “É. Sabe, se sua filha desaparece por 8 anos e depois ela volta, você provavelmente aceitaria, né? Obviamente. Mas é aí que, pra gente, o filme começa. É aí que o terror começa. “

Como foi pra vocês trabalhar com uma criança demoníaca? E quais foram os desafios em torno disso?

Lee Cronin: “Eu tenho uma sala cheia de crianças demoníacas. Eu só vou chamando uma por uma: ‘Você está pronta pro seu momento?'”

James Wan: “Ele é assim em casa.”

Lee Cronin: “Sim, exato! (risos)” “Eu acho que é tudo sobre… Você precisa estar na pele do demônio. Entender o lado demoníaco ou esse aspecto de terror do personagem na sua história também. Literalmente. Mas também é tipo acertar o vilão no filme. Eles precisam ter um ponto de vista e uma espécie de perspectiva também. Então, uma das coisas nesse filme, eu costumava falar com Natalie (Grace) sobre interpretar Katie no filme, e lembrava que essa coisa maligna ficou presa por muito tempo. Então imagine que ela ficou presa no pior voo longo na classe econômica. Você não sai do avião e começa a dançar por aí. Vai levar alguns momentos pra você se orientar, esticar as pernas, e realmente conseguir ficar de pé e ser, nesse caso, a pior versão de si mesmo de novo. Então, por mais que seja fácil arruinar alguém em casa, colocar próteses e dizer: ‘ei, faça um barulho estranho, faça algo assustador.’ Você ainda precisa entender tudo isso. É assim que você consegue uma boa performance. É assim que se tem uma linguagem direta no set em termos de comunicação. E a Natalie faz um trabalho incrível no filme, em termos do que ela tem que fazer com a família dela. Mas também em termos de como ela entretém o público.”

A Blumhouse é bastante conhecida por orçamentos baixos, e eu só queria te perguntar porque Maldição da Múmia é meio que uma produção de escala maior. E como você aborda isso?

Jason Blum: “Eu acho que a empresa… Ao longo do tempo, o horror mudou e a empresa mudou junto com ele. Eu acho que as pessoas estão procurando por filmes de terror maiores, estilo ‘evento’. Eu acho que Maldição da Múmia é um filme evento realmente assustador e divertido. E esses filmes simplesmente custam um pouco mais de dinheiro. Então, nos anos mais recentes, nós temos quebrado nossas regras e gastando um pouco mais de dinheiro para dar ao público o que eles querem ver.”

Sobre a cena das unhas. Foi inesquecível. E eu estava me perguntando de onde vêm essas ideias de gore.

Lee Cronin: “Bom, aquela eu exagerei no filme. Você pode dizer isso. A maioria das pessoas não gosta delas. Eu não gosto delas. Minha irmã é… Eu não sei como vocês chamam a profissão. Deve ser, como dizemos na Irlanda, podóloga. Ela é uma médica de pés. E ela me contou algumas histórias realmente perturbadoras. E como eu tenho o tipo de mente que tenho, elas foram catalogadas e eu sabia que precisava realmente fazer algo com uma dessas histórias. Agora, eu levei isso muito, muito além de algo que ela tenha vivenciado.”

Jason Blum: “Eu espero que sim” (risos)

Lee Cronin: “Não. Sem dúvidas. A maneira como ela teria sido caçada é, na verdade, que ela não estaria mais clinicando nunca mais. Também é uma história de horror corporal. Mas, novamente, o que é realmente importante é você se aprofundar. Tem essa cena assustadora envolvendo um dedão, e é muito visceral. Mas sobre o que é realmente? É sobre uma mãe e uma avó e a filha e a neta, e elas estão tentando fazer uma transformação. Embelezar e trazê-la de volta de alguma forma. Então, se torna horrível, mas não é apenas por ser horrível. E então, também depois que se torna horrível, isso abre uma camada de mistério extra na história.”

James Wan: “Sim, e é um ponto da trama também, o seguir em frente.”

Lee Cronin: “Então, pra mim, momentos como esse, eu adoro e quando você desvenda, quando você está escrevendo porque é tão visceral, quanto emocional. Por causa do contexto do porquê isso foi feito. E então isso muda, como Lee disse, é aí que você entra no mistério e no plot do filme também.”

Deixamos aqui o nosso imenso e especial agradecimento à Warner Bros. Pictures pela parceria e por proporcionar essa oportunidade incrível de levar a equipe do Ei Nerd para participar dessa rodada de entrevistas.

‘Maldição da Múmia’ já está disponível nos cinemas.

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