Escola onde Paris Hilton alegou ter sofrido abusos na adolescência perde a licença

Cheyna Corrêa

Autoridades de Utah revogaram a licença do campus feminino da Provo Canyon School. A socialite, que fez campanha pelo fechamento, disse que o local falhou com as crianças.

Uma antiga bandeira da socialite Paris Hilton alcançou um resultado concreto nos Estados Unidos. A Provo Canyon School, um internato e centro de tratamento para adolescentes em Utah, teve a licença de seu campus feminino revogada pelas autoridades estaduais. Trata-se do mesmo local onde a herdeira alega ter sofrido abusos quando era adolescente, nos anos 1990. A instituição, voltada a jovens do sexo feminino de 12 a 18 anos, deverá encerrar suas atividades em breve, embora ainda estude recorrer da decisão.

A revogação da licença

A decisão partiu dos órgãos reguladores de Utah. Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos do estado, a escola “falhou em fornecer os serviços de saúde e segurança aplicáveis aos clientes”. Por isso, a licença de funcionamento do campus de Springville foi cancelada.

Entre os problemas de descumprimento apontados, que remontam a 2025, os reguladores citaram casos de contenção desnecessária, contato físico agressivo e instâncias de negligência. De acordo com o comunicado oficial, todos os serviços da unidade precisam ser encerrados até 6 de agosto. Ainda assim, a instituição tem um prazo de 15 dias para contestar a medida.

A reação de Paris Hilton

Para Paris Hilton, hoje com 45 anos, a notícia representa uma vitória em uma luta pessoal e antiga. A socialite passou quase um ano na escola durante a década de 1990, quando a unidade tinha outros donos, e se tornou uma das principais vozes contra esse tipo de estabelecimento. Em nota enviada à imprensa, ela celebrou a decisão e destacou a coragem dos sobreviventes.

Hoje, o estado confirmou o que os sobreviventes sempre souberam: a Provo Canyon School falhou com as crianças sob seus cuidados. Eu fui uma dessas crianças.

As alegações e a resposta da escola

As denúncias de Paris Hilton sobre o período vieram a público em um documentário sobre sua vida, lançado em 2020. Na ocasião, ela alegou ter sido agredida fisicamente, forçada a tomar medicamentos e mantida em confinamento solitário, tudo em nome de programas que prometiam corrigir seu comportamento. Segundo a herdeira, a experiência a assombra até hoje.

Por outro lado, é importante registrar o posicionamento da instituição. A escola informou à imprensa local que está avaliando todas as opções legais e administrativas, incluindo um possível recurso. Em nota, a administração afirmou que, por se tratar de um assunto em andamento, tem pouco a declarar, mas garantiu que sua prioridade segue sendo oferecer um atendimento seguro e de qualidade aos adolescentes e suas famílias.

O contexto do caso

Vale ressaltar que Paris Hilton não estava sozinha nessa cobrança. A escola já vinha enfrentando pedidos de fechamento por parte de outros ex-residentes, e novas queixas foram registradas junto à agência de licenciamento no mês passado. A pressão, portanto, era crescente sobre a unidade.

A situação também afeta o campus masculino da instituição, localizado em Provo, que recebeu restrições temporárias em junho e está proibido de aceitar novas admissões. Nos últimos anos, a socialite transformou sua experiência pessoal em ativismo, testemunhando perante o Congresso dos EUA em 2024 e em legislaturas estaduais. Seu objetivo é aprovar leis que protejam adolescentes dentro dessa rede de centros privados com fins lucrativos, conhecida como a “indústria dos adolescentes problemáticos”. Para ela e outros sobreviventes, a revogação representa um passo importante na busca por mais fiscalização e responsabilização.

Fontes: BBC News, Salt Lake Tribune, APM Reports

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