Euphoria: entenda o final da terceira e última temporada

Andre Luiz

Atenção: este texto contém spoilers do final de Euphoria e aborda temas sensíveis, como vício e morte.

Depois de uma espera de quatro anos, Euphoria chegou ao fim. O episódio derradeiro da terceira temporada, intitulado “Em Deus Confiamos“, encerrou de vez a aclamada e controversa série da HBO, deixando os fãs profundamente divididos.

O desfecho, marcado por um tom sombrio e por uma guinada para o universo do crime organizado, gerou intenso debate nas redes sociais e fechou o ciclo da protagonista Rue, vivida por Zendaya.

Uma temporada que dividiu opiniões

Boa parte da crítica e do público recebeu a temporada final com ressalvas. Para muitos, a série abandonou sua premissa original de drama adolescente e abraçou um tom de faroeste violento que destoou do que havia sido construído nos primeiros anos.

O episódio final reforçou essa percepção, dedicando grande parte do tempo ao confronto entre os chefes do crime da trama, enquanto alguns personagens centrais ficaram em segundo plano.

Vale lembrar o peso cultural da produção. Desde a estreia, em 2019, Euphoria se tornou um fenômeno e ajudou a lançar uma nova geração de estrelas de Hollywood, como a própria Zendaya, além de Sydney Sweeney, Jacob Elordi e Hunter Schafer.

A série acumulou diversas indicações e vitórias no Emmy ao longo de sua trajetória.

O destino de Rue (SPOILERS)

O ponto mais debatido do episódio foi, sem dúvida, o desfecho de Rue. O vício sempre foi o maior conflito da personagem, e a série encerrou sua jornada de forma trágica: ela morre por overdose. Segundo a trama, o vilão Alamo, ao descobrir que Rue colaborava com a polícia, troca os comprimidos de analgésico dela por uma substância letal, selando seu destino.

Antes do fim, a protagonista vive uma longa sequência de fantasia que funciona como uma despedida emocional. Nesse delírio, ela reencontra Fezco, personagem do falecido ator Angus Cloud, e revive momentos importantes de sua vida, como passeios com a família e instantes de paz.

Em seus últimos momentos, Rue tenta retornar para casa e para a mãe, buscando uma forma de redenção. A cena final, carregada de simbolismo religioso, sugere que a personagem finalmente encontrou a paz que lhe faltou em vida.

A defesa de Sam Levinson

O criador da série, Sam Levinson, passou boa parte da temporada defendendo suas escolhas mais polêmicas. Sobre o destino de Rue, ele afirmou, em um segmento exibido após o final, que buscava um encerramento honesto sobre o vício e suas consequências.

“Pareceu um final honesto. O final honesto é que pessoas como a Rue não conseguem se salvar. No fim, eu queria contar uma história honesta sobre o vício, e também sobre o luto e a turbulência emocional que ele pode criar.

Em entrevista ao podcast Popcast, do jornal The New York Times, Levinson revelou ainda que a morte de Angus Cloud, em 2023, foi um agravante decisivo para a forma como conduziu o desfecho.

O criador afirmou querer mostrar as consequências reais do consumo de drogas, sem qualquer romantização. A homenagem ao ator no episódio, segundo ele, foi pensada para honrar Angus e quem não teve uma segunda chance.

Angus Cloud em ‘Euphoria’ – Divulgação/HBO

O fim de cada personagem

O episódio amarrou as histórias dos demais protagonistas de maneiras variadas. Ali, o padrinho de Rue interpretado por Colman Domingo, ganha protagonismo na reta final e parte em busca de justiça contra Alamo, antes de cumprir o último desejo da personagem ao visitar uma fazenda no Texas.

Cassie (Sydney Sweeney) e Maddy (Alexa Demie) se reaproximam e seguem juntas em um novo empreendimento, enquanto Lexi (Maude Apatow) decide trilhar o próprio caminho, longe da sombra da irmã.

Jules (Hunter Schafer) aparece em uma única cena, sem falas, processando o luto pela perda de Rue através da pintura. Para parte dos fãs, o tratamento dado a personagens tão queridos foi um dos aspectos mais frustrantes do encerramento, ainda que outros tenham defendido o tom realista proposto por Levinson.

Por que o fim é definitivo

Na mesma noite da exibição, Levinson e a HBO confirmaram que não haverá uma quarta temporada.

Em suas palavras, em relação à história sobre o vício e suas consequências que ele se propôs a contar, aquele era o ponto final natural. O criador já havia sugerido essa possibilidade antes mesmo da estreia da temporada, afirmando que escrevia cada ano como se fosse o último.

O legado de Euphoria será, no mínimo, complexo. Apesar das críticas válidas ao último ano, a série influenciou a forma como a TV aborda temas como adolescência, trauma e saúde mental, além de revelar talentos que hoje brilham no cinema.

Todas as três temporadas de Euphoria estão disponíveis no HBO Max.

Este texto trata de temas sensíveis. Se você ou alguém próximo enfrenta questões relacionadas a vício em substâncias ou saúde mental, procurar o apoio de um profissional ou de serviços especializados pode fazer diferença.

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