Filme de Resident Evil é canônico aos jogos? Entenda

Vinicius Miranda

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O novo “Resident Evil” de Zach Cregger se passa em Raccoon City e promete correr em paralelo aos eventos dos games. Mas um detalhe fundamental da linha do tempo derruba qualquer chance de o filme fazer parte do universo oficial da Capcom. Entenda a situação.

A resposta curta

Não, o filme de “Resident Evil“ não é canônico aos jogos. Apesar de se passar em Raccoon City e de citar a Umbrella, o longa de Zach Cregger existe em uma continuidade própria.

Ela é separada da cronologia oficial da Capcom. A resposta longa, porém, é mais interessante, porque o próprio discurso do diretor alimentou a confusão.

O que diz o diretor

A explicação veio do próprio diretor, em entrevista divulgada pelo PlayStation e repercutida por veículos como o esports.gg. Cregger contou que escreveu o filme para acontecer ao lado dos eventos do surto de Raccoon City visto em “Resident Evil 2”, só que sob outra perspectiva. A ideia é que, enquanto Leon e Claire viviam seus pesadelos nos games, o entregador Bryan enfrentaria o dele em outro canto da cidade.

Quando essa fala circulou pela primeira vez, muitos fãs entenderam que o filme poderia ser canônico. Afinal, uma história paralela dentro do mesmo surto soa como expansão natural do universo. O problema é que o próprio filme torna essa leitura impossível.

O detalhe que muda tudo: a linha do tempo

Resident Evil – Divulgação / Sony Pictures

Os jogos originais da franquia situam a queda de Raccoon City em 1998. O filme, por outro lado, se passa claramente no presente. O protagonista usa smartphone, e toda a ambientação reflete os dias atuais. Não há como os dois cenários coexistirem na mesma cronologia: ou o surto aconteceu em 1998, ou acontece hoje.

O próprio Cregger, aliás, já descreveu o projeto como uma exploração de uma linha do tempo alternativa dentro do universo dos games. Na prática, isso significa que os eventos que o público conhece dos jogos podem até estar acontecendo em paralelo à trama do filme. Mas seriam versões adaptadas desses eventos para a continuidade própria do longa, e não os acontecimentos oficiais da Capcom.

Um universo à parte, de propósito

A distância do cânone fica ainda mais evidente nos detalhes. Nenhum personagem clássico da franquia aparece. O T-Virus não é citado em momento algum. Os zumbis se comportam de forma diferente dos games, e as demais criaturas não guardam relação com o bestiário conhecido. Tirando os nomes Raccoon City e Umbrella, praticamente nada conecta o filme à mitologia estabelecida.

Trata-se, portanto, de um reboot em universo próprio. É uma releitura livre que pega emprestados o cenário e o clima da franquia, mas conta uma história independente, sem compromisso com a cronologia dos jogos.

Resident Evil – Divulgação / Sony Pictures

A escolha tem um lado prático. Livre das amarras do cânone, uma eventual sequência pode seguir qualquer caminho. Não há preocupação em contradizer os games ou em encaixar Leon, Claire e Jill na história. Por outro lado, é exatamente essa distância que frustra parte dos fãs, que esperavam finalmente ver o universo dos jogos tratado com fidelidade no cinema.

No fim, a resposta para a pergunta do título é dupla. Oficialmente, o filme não faz parte do cânone dos games. Narrativamente, ele propõe seu próprio universo, no qual uma versão dos eventos clássicos pode existir ao fundo. Para o fã, fica o consolo: nada do que acontece no longa altera a história dos jogos que você conhece.

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