Naoki Hamaguchi diz que os RPGs precisam de mais escolhas para o jogador. Assim, o público não se contenta apenas em assistir a transmissões.
O diretor da trilogia “Final Fantasy 7 Remake” levantou um debate curioso sobre o futuro do gênero. Segundo Naoki Hamaguchi, os RPGs modernos precisam oferecer mais liberdade de escolha ao jogador. O motivo é direto: evitar que as pessoas se contentem em apenas assistir a lives, em vez de comprar o jogo. A declaração veio em entrevista ao site japonês 4Gamer. Para o produtor, essa mudança no consumo de entretenimento já influencia diretamente o desenvolvimento de games como “Final Fantasy 7 Revelation”.
A “crise” das transmissões para os RPGs
O raciocínio de Hamaguchi é simples. Quando um RPG segue um caminho fixo, sem muito espaço para mudanças, a experiência fica igual para todo mundo. Como consequência, parte do público se sente satisfeita só de ver um influenciador jogando.
O diretor classificou essa tendência como um problema para a indústria.
As pessoas podem se satisfazer apenas assistindo a uma transmissão, sem nunca jogar.
Vale reforçar que ele não é contra as lives. Pelo contrário, Hamaguchi reconhece que esse formato faz parte do cenário atual. O ponto, segundo ele, é que assistir à história inteira de graça pode tirar a vontade de jogar.
A solução é dar mais escolhas ao jogador

Para o produtor, a saída está na liberdade de escolha. A ideia é que cada jogador viva uma experiência única, impossível de reproduzir totalmente em uma transmissão. Dessa forma, a curiosidade fala mais alto.
Hamaguchi acredita que, ao assistir a uma live, o ideal é o público se perguntar como agiria naquela situação. Esse tipo de reflexão, segundo ele, inspira a pessoa a pegar o controle. Além disso, o diretor defende que os desenvolvedores não devem se prender a fórmulas antigas. Afinal, o jeito de consumir entretenimento muda com o tempo.
Como Final Fantasy 7 Revelation aplica a ideia
Essa filosofia molda diretamente o próximo jogo. “Final Fantasy 7 Revelation” é o capítulo final da trilogia de remakes. Embora tenha apenas um final, o game traz bastante conteúdo ramificado.
Na prática, isso significa que uma única jogada não revela tudo. Para ver toda a experiência, será preciso rejogar o título mais de uma vez. A própria palavra “escolha” é um dos conceitos centrais da obra. Em comparação a “Final Fantasy 7 Rebirth”, o novo capítulo aposta em mais tensão e decisões importantes.
Um final planejado desde o início

Em outra entrevista, desta vez ao site VGC, Hamaguchi falou sobre o desfecho da saga. Ele se mostrou animado para ver a reação dos fãs. Curiosamente, segundo o diretor, esse final já estava traçado desde o começo.
O produtor não revelou detalhes, claro. Mesmo assim, garantiu que a equipe sempre teve uma direção clara para a conclusão. O objetivo é amarrar as tramas e mistérios deixados ao longo da série.
Lançamento e melhorias
O jogo já tem data e plataformas definidas. “Final Fantasy 7 Revelation” chega na primavera de 2027, no hemisfério norte. A estreia será simultânea em PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
A Square Enix também ouviu as críticas ao excesso de minigames de “Rebirth”. Desta vez, o conteúdo de batalha dará recompensas de combate, enquanto os minigames renderão prêmios cosméticos. Haverá ainda uma opção para pular essas atividades. Para alegria dos fãs, a clássica briga de tapas entre Tifa e Scarlet também marcará presença.
A fala de Hamaguchi toca em um dilema real da indústria. Jogos muito lineares e narrativos podem, de fato, perder vendas para as transmissões. Por isso, apostar em escolhas e rejogabilidade soa como uma resposta inteligente.
Para o público, a promessa é de uma despedida rica e personalizada. Cada jogador poderá moldar parte da própria aventura rumo ao grande final.





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