Demolidor: Frank Miller explica seu sucesso com o herói nas HQs

Andre Luiz

Poucos autores marcaram tanto um personagem quanto Frank Miller marcou o Demolidor. Agora, ao divulgar sua nova autobiografia, o quadrinista revelou os dois segredos por trás de sua fase clássica com o Homem Sem Medo. O trabalho, publicado entre 1979 e 1983, redefiniu o herói para sempre.

Os dois segredos por trás do clássico

Em entrevista ao site ComicBook para promover o livro Push the Wall, Miller explicou o que guiou sua célebre passagem pelo personagem. O primeiro fator foi seguir os próprios instintos no momento certo.

Segundo ele, o público havia amadurecido e queria histórias mais sombrias e variadas, algo que ele estava pronto para entregar. Foi uma combinação de talento e timing, já que o mercado de quadrinhos vivia uma fase de transformação naquele período.

O segundo segredo foi sua paixão pelo gênero policial. Para Miller, o Demolidor era o personagem ideal para contar esse tipo de história.

Eu sempre amei o gênero policial, e o Demolidor era o veículo ideal.

A dor interior dos personagens

Ao longo da carreira, Miller deixou sua marca em vários personagens, tendo voltado ao Demolidor mais de uma vez. Vale lembrar que ele também é famoso por obras como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Sin CIty e 300.

Batman
Cavaleiro das Trevas, HQ clássica do Batman assinada por Frank Miller – Reprodução/DC Comics

Segundo o autor, entrar na mente desses heróis nunca foi difícil, pois ele se identificava com uma espécie de dor interior presente em todos eles. Curiosamente, ele citou o Superman como o exemplo máximo disso. Para Miller, nenhum outro personagem carrega um senso de perda tão grande, afinal, o herói perdeu um planeta e uma espécie inteira, e ainda tenta dar sentido a tudo.

O quadrinista acrescentou que, mesmo com personagens que ele mesmo cria, muitas vezes nem sabe de onde eles surgem, mas percebe que respondem a algo dentro de si.

A criação de Elektra

Entre as criações originais de Miller está Elektra Natchios, o eterno par romântico do Demolidor. De acordo com o quadrinista, ele queria dar ao herói uma figura que funcionasse quase como um espelho, uma imagem parecida, mas oposta ao mesmo tempo.

Para isso, ele buscou inspiração na mitologia grega e transformou a personagem em uma antiga namorada de Matt Murdock. A partir daí, como se costuma dizer, o resto é história. A assassina se tornaria uma das figuras mais marcantes ligadas ao universo do Demolidor, presente em quadrinhos e adaptações.

Sua estreia aconteceu ainda durante a fase de Miller no título e rendeu histórias inesquecíveis.

Elektra – Reprodução/Marvel Comics

Clássico é clássico (e vice-versa!)

A fase de Miller transformou o Demolidor no maior herói policial da Marvel e criou elementos que atravessaram décadas. O tom mais sombrio e personagens como Elektra influenciaram não apenas os quadrinhos, mas também as adaptações do personagem para outras mídias. Muitas das melhores histórias do herói publicadas depois só existem por causa do caminho aberto por ele naquele período.

Dessa forma, a autobiografia oferece uma visão rara sobre o processo criativo de um dos maiores nomes da história das HQs. Para os fãs, é uma oportunidade de entender melhor as decisões que moldaram um clássico. O livro Push the Wall já está disponível.

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