Atriz de God of War Laufey responde a ataques online

Vinicius Miranda

Deborah Ann Woll comentou a reação hostil ao anúncio do jogo durante uma convenção nos Estados Unidos. Segundo ela, ficar fora das redes sociais ajudou bastante.

O anúncio de God of War: Laufey foi um dos momentos mais comentados do último State of Play da Sony. O motivo é claro. Trata-se do primeiro título da franquia sem Kratos no papel principal, apresentado já com uma demonstração longa de jogabilidade. Contudo, parte da internet direcionou hostilidade à atriz Deborah Ann Woll, que empresta voz e semelhança física a Faye.

A resposta da atriz veio de forma inesperada. Ela não concedeu entrevista formal sobre o tema. O comentário aconteceu durante uma sessão de autógrafos na Florida Supercon, quando uma criadora de conteúdo do TikTok perguntou como ela lidava com as reações negativas. O registro do momento viralizou.

Sinceramente, eu achava que ficaria muito mais afetada por isso. Primeiro, não estou nas redes sociais, o que ajuda. Segundo, me sinto completamente tranquila porque sei que o jogo é ótimo. Tudo bem se não for do seu gosto, mas em nenhum universo ele é ruim (tradução livre)

@quinnphobic

LAUFEY/DEBORAH is turning the heat on you bitches come 2027… iconic by mistake fr… #fyp #karenpage #deborahannwoll #godofwarlaufey #godofwar

♬ sonido original – KATSNEWS

O que motivou a reação negativa

A crítica mais recorrente gira em torno da ausência de Kratos como personagem jogável. Existe um debate legítimo aí, envolvendo expectativa de franquia e identidade de série. Entretanto, veículos internacionais como TheGamer, GameSpot e Vice registraram que parte considerável das manifestações extrapolou o campo da análise e assumiu tom sexista, incluindo vídeos gerados por inteligência artificial que ridicularizavam a personagem.

É importante separar as duas coisas. Discordar de uma escolha criativa é normal em qualquer comunidade. Ataques pessoais dirigidos a uma profissional pelo fato de ela ser mulher pertencem a outra categoria, e foi exatamente essa distinção que motivou a pergunta feita à atriz na convenção.

Do que o jogo realmente trata

Segundo a descrição oficial divulgada pela Sony Santa Monica, a história começa após a morte de Faye, evento que abre o jogo de 2018. Ela desperta em um território estranho e descobre que os planos deixados para proteger Kratos e Atreus correm risco. Para salvar a família, precisa atravessar o Everywhen, o além-vida dos deuses, onde divindades de várias mitologias disputam poder.

Woll já havia defendido em outras ocasiões que o enredo não se organiza em torno de gênero. Na leitura dela, o eixo é o mesmo que consagrou os capítulos anteriores. Paternidade, maternidade, arrependimento e a tentativa de ser melhor do que se foi. A diferença está no ponto de vista, não na agenda.

Uma escolha com histórico dentro do estúdio

Vale registrar que a atriz não é uma novidade na franquia. Ela já havia atuado como Faye em God of War: Ragnarök, incluindo trabalho de captura de movimento. Portanto, a continuidade tem lastro produtivo.

Fora dos games, Woll é uma das figuras mais respeitadas da comunidade de RPG de mesa. Ela comanda mesas como narradora em séries de actual play, entre elas Relics and Rarities, Children of Éarte e Tales From Woodcreek. Ou seja, familiaridade com construção de mundos fantásticos não é exatamente um problema no currículo.

God of War Laufey – Divulgação / Santa Monica Studio

O episódio ilustra um padrão já conhecido na indústria. Sempre que uma série tradicional muda de protagonista, a discussão técnica costuma ser sequestrada por ruído. O próprio estúdio precisou se manifestar publicamente para lembrar que Kratos continua sendo o Deus da Guerra e que ainda há histórias planejadas para ele.

Para os fãs, a pergunta prática permanece em aberto. Não há data de lançamento confirmada, embora coberturas internacionais apontem expectativa de chegada em 2027. Enquanto isso, o interesse pela marca segue alto em outras frentes, como a adaptação televisiva em desenvolvimento. O resultado final, como sempre, será julgado quando o jogo estiver nas mãos do público.

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