Desde o anúncio, a HBO vendeu a série de Harry Potter como uma adaptação mais fiel aos livros. A ideia é usar o espaço extra da TV para explorar histórias que os oito filmes originais nunca tiveram tempo de contar.
Casey Bloys, chefão da HBO, prometeu que cada temporada seria fiel à essência das obras originais. Isso aproveitaria uma década inteira de televisão para cobrir o que antes cabia em duas horas de cinema por livro. A própria J.K. Rowling, produtora executiva do projeto, reforçou publicamente o compromisso com a preservação da essência de suas histórias.
Cenas que nunca estiveram nas páginas
O problema é que o segundo trailer trouxe cenas que simplesmente não existem no primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Numa delas, Rony Weasley abre sua carta de Hogwarts cercado pela família, na Toca, casa que só aparece no segundo livro da saga. Noutra, Alvo Dumbledore, vivido por John Lithgow, conversa a sós com Minerva McGonagall, interpretada por Janet McTeer, sobre a impossibilidade de proteger as crianças, apenas prepará-las.
Nenhuma das duas cenas está escrita nos livros, e nem poderia estar. A Pedra Filosofal é narrada em terceira pessoa limitada, sempre pelo ponto de vista de Harry. Ele sequer estava presente em nenhuma das cenas. Ainda assim, essas adições fazem todo sentido dentro da lógica que a própria HBO já havia anunciado. O formato seriado abre espaço justamente para esse tipo de expansão que o cinema nunca permitiu.
Pirraça finalmente ganha vida nas telas
O executivo JB Perrette, da Warner Bros. Discovery, resumiu bem o motivo por trás dessas mudanças. Segundo ele, o formato permite se aprofundar mais e contar mais partes da história que não cabiam num filme de duas horas. É exatamente esse tipo de aprofundamento que traz de volta um personagem querido pelos fãs havia mais de duas décadas: Pirraça, o poltergeist, interpretado por Peter Serafinowicz, terá sua primeira aparição de fato na franquia.

Rik Mayall chegou a gravar cenas como Pirraça ainda em 2001. Todas, porém, acabaram cortadas da versão final do primeiro filme. Trazer o personagem de volta mostra que a equipe da série prestou atenção nas queixas mais antigas dos fãs. O Dumbledore de Lithgow também é descrito como mais caloroso e brincalhão do que a versão vivida por Michael Gambon nos cinemas, bem diferente daquela cena clássica em que o diretor de Hogwarts sacode Harry pelo colarinho.
O próprio John Lithgow comentou como foi receber o convite para viver Dumbledore:
Bom, foi uma surpresa total pra mim. Recebi a ligação lá no Festival de Sundance. Não foi uma decisão fácil, porque isso vai definir o último capítulo da minha vida, receio eu. Mas estou muito animado. Pessoas maravilhosas estão voltando a atenção para Harry Potter de novo. É por isso que foi uma decisão tão difícil. Eu vou ter uns 87 anos na festa de encerramento das filmagens, mas eu disse sim.
O precedente que tranquiliza os fãs mais desconfiados
Existe até um precedente animador para esse tipo de expansão criativa. Game of Thrones inventou os encontros entre Arya Stark e Tywin Lannister em Harrenhal. Essas cenas nunca aconteceram nos livros de George R.R. Martin. O próprio autor chegou a elogiar publicamente o resultado daquelas adições. A ideia de que novidades bem escritas não prejudicam o material original não é exatamente nova.
O projeto vinha sendo tratado com bastante cautela pela HBO desde o início. Como já contamos ao acompanhar a chamada de elenco original da produção, os primeiros rumores chegaram a ser oficialmente negados pelo próprio estúdio, como relembramos ao cobrir os boatos iniciais sobre o projeto. Com o lançamento se aproximando, parece que a espera valeu a pena. Isso vale principalmente para quem sempre sentiu falta de detalhes como os Marotos, cuja história nunca foi bem explicada nos filmes.





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