Poucos momentos na história do Homem-Aranha tiveram um impacto tão grande quanto a morte de Gwen Stacy. Publicada em 1973, a cena chocou os leitores e marcou os quadrinhos para sempre.
No entanto, o próprio roteirista responsável, Gerry Conway, admitiu anos depois que, se pudesse voltar atrás, não repetiria a história. A revelação reacende um debate antigo entre os fãs da Marvel.
O que Gerry Conway disse sobre a morte de Gwen Stacy
A declaração veio em uma entrevista de 1981 à revista The Comics Journal. Sucessor de Stan Lee à frente do Aranha, Conway defendeu a execução da trama, conhecida como A Noite em que Gwen Stacy Morreu, mas reconheceu um problema mais profundo. Em sua visão, o erro foi acreditar que mudanças permanentes eram sempre positivas:
Se eu tivesse que fazer de novo, acho que não faria. Hoje sei que o importante é manter a ilusão de mudança. Quando você altera profundamente uma série, não há como voltar atrás nem recuperar muitos dos elementos que a faziam funcionar.
Na prática, Conway explica que ele e os autores de sua geração queriam causar grandes reviravoltas nos personagens herdados de Lee. O que faltou perceber, porém, foi o talento do mestre em mexer temporariamente na fórmula de um herói, sem substituir de vez as peças que davam certo.
Resumindo bastante a história, Gwen Stacy foi o grande amor de Peter Parker por quase 100 edições, antes de Mary Jane Watson assumir esse posto. Sua morte ocorreu em The Amazing Spider-Man #121, uma edição que trazia na capa um aviso prometendo o momento mais inesperado da vida do Cabeça de Teia.
Reprodução/Marvel Comics
Diferente de outras tragédias dos quadrinhos, a personagem permaneceu morta, o que tornou o episódio ainda mais marcante.
A regra não escrita dos quadrinhos
A ideia de matar Gwen já circulava na Marvel no início dos anos 1970. Existe até uma lenda, possivelmente exagerada, de que a equipe teria esperado Stan Lee viajar para a Europa antes de executar a ousadia.
Outra versão sugere que Lee teria aprovado a trama meio sem convicção antes de embarcar. De todo modo, ficou famosa a ideia de que ele considerava a decisão um equívoco.
Vale lembrar que a morte da personagem aconteceu nas mãos do Duende Verde, um dos maiores algozes do herói. O vilão é responsável por inúmeras tragédias na vida de Peter Parker, como mostra a galeria de inimigos clássicos do Aranha.
A perda de Gwen, em especial, é frequentemente citada como o instante em que os quadrinhos de super-heróis amadureceram.
O legado da decisão em 2026
A ironia é que justamente esse período de mudanças radicais é hoje muito admirado pelos leitores. Em contrapartida, a falta de transformações reais é uma das principais reclamações em relação às HQs atuais da Marvel.
Ou seja, o que Conway via como um problema acabou se tornando um dos trechos mais celebrados da história do personagem.
O impacto foi tão grande que Gwen ganhou novas versões ao longo das décadas, como a popular Gwen-Aranha, que brilhou noAranhaverso. Mais de 50 anos depois, o eco daquela decisão segue presente nas histórias do herói.
E você, prefere mudanças permanentes ou a tal ilusão de mudança defendida por Conway? Conte nos comentários!
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