ILL: diretor fala dos desafios de se fazer um terror brutal

Vinicius Miranda

O sanguinário jogo de terror da Team Clout roubou a cena na State of Play e já está entre os mais desejados da Steam. Conversamos com a equipe sobre o que vem por aí.

A Summer Game Fest de 2026 entregou uma das melhores temporadas de anúncios dos últimos anos, e os fãs de survival horror talvez tenham sido os mais bem servidos. Em meio a revelações de peso, um nome chamou atenção pela violência impressionante: “ILL”, o aterrorizante jogo da desenvolvedora Team Clout. Após brilhar na State of Play da PlayStation, conversamos com o diretor e cofundador do estúdio, Maxim Verehin, e com Christina Omelchenko, diretora de comunicação da publicadora Mundfish, sobre tudo o que esperar do título inspirado em “Resident Evil”.

De estúdio pequeno aos maiores palcos

A Team Clout começou modesta. Menos de dez desenvolvedores iniciaram o trabalho em “ILL”. Poucos anos depois, com o apoio da Mundfish, a equipe já soma 50 pessoas, e o projeto avança a todo vapor. Ainda assim, ver o jogo nos maiores eventos da indústria continua sendo motivo de orgulho para o time.

A quantidade de trabalho que precisamos fazer para preparar esses shows é absurda. É sempre uma jornada divertida e nunca fica chato. Motiva nossa equipe enormemente ver o projeto entre os maiores e perceber que estamos mostrando algo que deixa as pessoas tão animadas.

A escolha dos palcos, aliás, foi estratégica. Em 2025, o jogo apareceu no showcase de verão de Geoff Keighley. Já neste ano, a aposta foi a State of Play da Sony.

No ano passado, ver a resposta da comunidade PlayStation ao trailer foi um momento tão inspirador para toda a equipe. Depois disso, a PlayStation nos procurou e sugeriu que participássemos dos blogs deles. Seguimos a conversa, e aparecer na State of Play foi uma evolução natural para nós.

Entre os mais desejados da Steam

O retorno do público tem sido impressionante. Segundo Verehin, se a reação fosse medida como avaliações na Steam, ficaria entre “Muito Positivas” e “Extremamente Positivas”. Não à toa, “ILL” figura atualmente entre os dez jogos mais desejados da plataforma, segurando a concorrência contra pesos pesados. O diretor, porém, encara a expectativa com equilíbrio:

É extremamente legal de um lado, mas, de outro, coloca muita pressão sobre você. Estamos usando isso apenas como combustível. Nos motiva a seguir em frente e entregar o projeto mais incrível possível em tudo o que prometemos.

Inspirações e o lugar de ILL no terror

Embora não seja diretamente inspirado em “Resident Evil”, “ILL” tem um elo curioso com a série da Capcom: a voz de Nick Apostolides, o ator que dá vida a Leon S. Kennedy. A forma como a parceria surgiu é, no mínimo, inusitada.

É uma história engraçada de como conseguimos o Nick. Postamos algumas artes conceituais, e o Nick nos escreveu no Discord, dizendo: “Sou um grande fã de terror. Eu interpreto um personagem principal em Resident Evil”. E basicamente apertamos as mãos ali mesmo.

E ele não é o único nome de peso. Verehin provocou ao revelar que há mais surpresas guardadas, sem dar muitos detalhes:

Não vou citar nomes, mas alguns diretores de cinema pediram para fazer cenas no jogo, e nós dissemos: “claro”. Há também outro ator surpresa de peso, mas não posso contar agora porque a Christina vai me matar.

Quanto às influências, o diretor citou um leque variado. Embora todos no estúdio sejam fãs de “Resident Evil”, ele aponta “Dead Space” como grande inspiração, especialmente pela mecânica de desmembramento e pelo cenário único repleto de biomas. “Mouthwashing” e, principalmente, “Half-Life 2” também figuram entre as referências, este último pela física divertida e pela estrutura de jornada linear repleta de novos lugares.

Desmembramento realista é o grande trunfo

ILL – Divulgação / Team Clout

Falando em desmembramento, esse é um dos pilares de “ILL” e o foco dos trailers até agora. A equipe trabalha duro para que o sistema impressione de verdade. A proposta é ousada: criar uma estrutura óssea sob os inimigos, permitindo atingir cada parte do corpo até o esqueleto, que também pode ser despedaçado.

O objetivo, segundo Verehin, é que tudo seja divertido de jogar, com peso na animação, no design de som e na forma como o inimigo reage aos golpes. Manter essa interatividade sem sacrificar os gráficos de ponta, no entanto, tem sido o maior desafio técnico para o estúdio ainda pequeno. Muitos jogos modernos abrem mão da física conforme os visuais melhoram, e a Team Clout tenta justamente entregar as duas coisas.

Novidade e nostalgia na medida certa

Mais do que copiar fórmulas consagradas, “ILL” parece querer encontrar seu próprio espaço no gênero. A proposta de misturar ação baseada em física, terror visceral e uma jornada que lembra “Half-Life 2” soa fresca em um mercado dominado por nomes estabelecidos. Para os fãs, é o tipo de aposta que mantém o survival horror vivo e imprevisível.

Claro, há motivos para cautela. Tratar um estúdio relativamente pequeno como o próximo grande nome do terror cria uma pressão enorme, e a ambição do projeto pode esbarrar nas limitações de recursos. Mesmo assim, o equilíbrio entre o familiar e o inédito, somado ao entusiasmo da equipe, sugere que estamos diante de algo realmente promissor. Vale lembrar que “ILL” está confirmado para PlayStation 5, Xbox Series e PC via Steam, com lançamento previsto para 2027. Por ora, não há planos para o Nintendo Switch 2, embora a equipe tenha demonstrado interesse no futuro.

Quem quiser relembrar os outros destaques da temporada pode conferir nossa cobertura completa do State of Play de junho de 2026, o resumo de tudo o que rolou na Summer Game Fest e a revelação do remake de “Resident Evil Code: Veronica”.

E você, está pronto para encarar o terror visceral de “ILL”? Conte nos comentários.

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