O IMAX está à venda! Como assim?

Andre Luiz

A IMAX, uma das marcas mais fortes do setor cinematográfico atual, entrou oficialmente no radar do mercado financeiro após informações indicarem que a companhia está avaliando uma possível venda. A movimentação acontece em um momento estratégico para a empresa, que se consolidou como uma das poucas grandes vencedoras da indústria de cinemas no período pós-pandemia.

Mesmo com a queda da frequência do público nas salas tradicionais nos últimos anos, as experiências premium cresceram de forma significativa. Nesse cenário, a IMAX se tornou referência mundial em exibições de alto padrão, registrando US$ 1,2 bilhão em vendas de ingressos em 2025, enquanto o mercado global ainda operava abaixo dos níveis anteriores à COVID-19.

A expectativa da empresa agora é ainda maior. A meta para 2026 é alcançar US$ 1,4 bilhão em arrecadação, impulsionada por lançamentos aguardados como A Odisseia, de Christopher Nolan, e Duna: Parte Três, de Denis Villeneuve, ambos filmados com câmeras proprietárias da companhia.

Venda da IMAX ganha força nos bastidores

Segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, a IMAX está nos estágios iniciais de uma possível negociação de venda. A empresa ainda não comentou oficialmente o assunto, mas executivos já haviam sinalizado anteriormente que mudanças estruturais poderiam acontecer.

Durante uma reunião com investidores realizada em dezembro, o CEO Richard Gelfond afirmou que a companhia poderia se tornar um player incrivelmente valioso, seja como uma empresa pública totalmente diferenciada ou como parte de uma companhia maior com capacidade de desbloquear ainda mais valor”.

Apesar de Gelfond ter se afastado temporariamente da empresa em março para tratar um quadro grave de pneumonia, fontes afirmam que a possível venda não está relacionada ao estado de saúde do executivo.

Sucesso da IMAX chama atenção em Hollywood

A força da marca se tornou ainda mais evidente nos últimos anos graças ao crescimento do interesse do público por experiências cinematográficas diferenciadas. Diretores como Christopher Nolan e Denis Villeneuve ajudaram a impulsionar essa popularidade ao defenderem publicamente a experiência das telas gigantes e do sistema de som premium da empresa.

Agamenon e Ulisses em cena de A Odisseia, de Christopher Nolan
A Odisseia foi filmado em câmeras IMAX – Divulgação/Universal Pictures

Hoje, a IMAX possui 1.865 salas em 91 países, um número relativamente pequeno quando comparado às cerca de 200 mil telas espalhadas pelo mundo. Mesmo assim, a marca respondeu por 5,2% da bilheteria doméstica dos EUA e 3,8% da arrecadação global em 2025.

Esse crescimento também elevou o interesse de possíveis compradores. Analistas apontam que a companhia busca um parceiro capaz de acelerar sua expansão internacional e, ao mesmo tempo, aumentar seu valor de mercado.

Eric Wold, analista da Texas Capital Securities, afirmou que a empresa entende que seu valor atual na bolsa ainda não reflete os avanços conquistados após a pandemia.

“Se a IMAX está considerando vender a companhia, é porque sua avaliação não reflete os ganhos obtidos desde a pandemia.”

Ele acrescentou que “participação de mercado e receitas de bilheteria estão superando os níveis pré-pandemia”.

Quais empresas poderiam comprar a IMAX?

O valor de mercado atual da IMAX gira em torno de US$ 2,1 bilhões, tornando a aquisição financeiramente viável para diversos grupos do setor de entretenimento e tecnologia.

Entre os nomes apontados como possíveis interessados estão gigantes de Hollywood como Sony Pictures, Disney, além da futura união entre Paramount e Warner Bros. Discovery. Empresas de tecnologia como Amazon e Apple também aparecem entre as possibilidades devido aos investimentos crescentes no mercado audiovisual.

Outro cenário envolve companhias ligadas ao entretenimento ao vivo e até fundos de investimento privados.

No entanto, especialistas destacam que uma eventual compra por um grande estúdio poderia gerar preocupações no mercado. Isso porque rivais poderiam enxergar favoritismo na distribuição das salas premium para determinados lançamentos, principalmente em períodos concorridos do calendário cinematográfico.

Em relatório recente, a Texas Capital Securities destacou que “empresas de streaming ou entretenimento poderiam usar a IMAX para ampliar sua presença no mercado premium”.

O documento também citou nomes como Netflix e a rede AMC Theatres como potenciais interessadas.

Crescimento da marca pode transformar o setor de cinemas

Além da possível venda, o movimento da IMAX pode provocar uma nova onda de consolidação no mercado exibidor, que segue relativamente estável desde a pandemia.

A empresa acredita que ainda existe espaço para crescer sem saturar o mercado. Fontes ligadas à companhia afirmam que a rede poderia até dobrar sua presença global nos próximos anos sem comprometer a exclusividade da marca.

Mesmo com os altos custos de instalação das salas premium, exibidores continuam interessados devido ao retorno financeiro proporcionado pelos grandes lançamentos.

Enquanto negociações seguem nos bastidores, o futuro da IMAX passou a ser acompanhado de perto por Hollywood, investidores e exibidores de todo o mundo.

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