Indiana Jones e a polêmica dos aliens do quarto filme

Andre Luiz

Poucos elementos da saga Indiana Jones geram tanta discussão entre os fãs quanto a presença de alienígenas em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Agora, novas declarações dos bastidores reacenderam essa polêmica, e há quem defenda que a escolha ousada de George Lucas foi, na verdade, um acerto.

Spielberg e Harrison Ford tinham dúvidas

O assunto voltou à tona após a produtora Kathleen Kennedy, que comandou a Lucasfilm por mais de uma década, comentar o processo de criação do longa de 2008. Em entrevista à publicação Vulture, ela revelou que nem todos estavam confortáveis com o rumo da história.

“Eles não estavam 100% de acordo.”

A resistência de Steven Spielberg e Harrison Ford era tanta, principalmente em relação à aparição dos seres extraterrestres no clímax, que o roteiro chegou a ser ajustado. Em vez de tratá-los abertamente como aliens, o texto passou a se referir a eles como “seres de outra dimensão”.

Apesar das ressalvas, foi a insistência de George Lucas que prevaleceu.

Por que o quarto filme precisava ousar

Essa decisão polêmica acabou sendo o ponto mais interessante do projeto. A análise lembra que um quarto Indiana Jones precisava justificar a própria existência, já que a trilogia original havia se encerrado de forma redonda em Indiana Jones e a Última Cruzada, sem pontas soltas.

Vale lembrar que o longa surgiu em um momento delicado para George Lucas. Para entender melhor o peso do cineasta na cultura pop e sua relação com o arqueólogo mais famoso do cinema, vale conferir esta retrospectiva sobre a trajetória da franquia de Harrison Ford.

Atrilogia prequel de Star Wars, lançada pouco antes, havia dividido opiniões. Isso colocava uma pressão extra sobre Lucas, que precisava provar com Indiana Jones que ainda era capaz de entregar algo grandioso e surpreendente, e não apenas um retorno nostálgico e sem propósito.

Alien em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal – Reprodução/Lucasfilm

A ousadia que faltou ao quinto filme

É justamente nesse ponto que entra a comparação mais interessante desse tema. Ainda que dividisse o público, o elemento sci-fi deu a Reino da Caveira de Cristal uma identidade e um motivo claro para existir.

Indiana Jones e a Relíquia do Destino, de 2023, dirigido por James Mangold, pode ter pecado exatamente por não ter essa mesma audácia. Embora a trama tentasse uma cartada ousada no terceiro ato, com direito a uma viagem no tempo, a execução não alcança o impacto esperado.

Curiosamente, é importante reforçar o outro lado: a própria Kathleen Kennedy considera Reino da Caveira de Cristal o mais fraco entre os filmes dirigidos por Spielberg. A insatisfação de Harrison Ford com esse resultado, aliás, teria sido o que o motivou a insistir em uma despedida que considerasse mais digna para o personagem.

O futuro do arqueólogo

Com a aposentadoria de Harrison Ford do chicote, o futuro da franquia segue indefinido, alimentando rumores sobre possíveis substitutos, como detalhamos na matéria em que um ator cotado se pronunciou sobre assumir o papel. Por enquanto, nada foi confirmado oficialmente pela Lucasfilm.

De um jeito ou de outro, o debate prova a força do legado criado por George Lucas e Steven Spielberg. Para quem quiser rever a polêmica e tirar suas próprias conclusões, toda a saga de Indiana Jones está disponível no Disney+.

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