Poucas franquias dependem tanto de uma única pessoa. James Cameron comandou Avatar desde o primeiro roteiro, em 1994, e agora sugeriu que talvez não dirija os dois capítulos finais. A fala aconteceu durante entrevista após ele receber um prêmio de artes cênicas no Canadá.
O que ele disse
A declaração é mais reflexiva do que definitiva:
Existe um impulso no universo de Avatar há 21 anos a esta altura, porque a gente começou em 2005. Tem sido uma espécie de continuidade ininterrupta. Então este é o ponto em que eu olho para o cenário e pergunto: quais são as outras histórias que eu quero contar? Quantas delas eu preciso dirigir pessoalmente, em vez de escrever ou produzir com outros cineastas?
Vale registrar o que a fala é e o que não é. Ele não anunciou saída, não confirmou substituto e não descartou dirigir nada.
Por que a dúvida preocupa tanto
A digital dele está em cada detalhe da franquia. Cameron desenvolveu pessoalmente os sistemas de captura de movimento subaquática usados em Avatar: O Caminho da Água e Avatar: Fogo e Cinzas. O envolvimento vai muito além da direção. Ele participa da escalação de elenco, da supervisão de efeitos visuais e mantém controle final sobre a montagem.
Vale lembrar o histórico técnico dele. O primeiro filme é lembrado como pioneiro do cinema em três dimensões, além de ter sido a maior bilheteria da história por mais de uma década.
O contexto financeiro
Os números contam uma história de queda. O primeiro longa arrecadou cerca de 2,9 bilhões de dólares, o segundo ficou em 2,3 bilhões e o terceiro chegou a 1,4 bilhão. Ainda é altíssimo para qualquer produção. A trajetória descendente, porém, é evidente.
A recepção crítica acompanhou o movimento. Avatar: Fogo e Cinzas dividiu opiniões pela primeira vez na franquia, com apontamentos de que repetia estruturas do capítulo anterior.

O outro lado da questão
Existe argumento legítimo em favor da decisão. Aos 71 anos, Cameron passou mais de duas décadas em Pandora e dedicou boa parte da carreira a um único mundo. O legado do diretor vai muito além disso. Ele assina Titanic, O Exterminador do Futuro e Aliens: O Resgate, produções que definiram gerações inteiras de espectadores.
É preciso lembrar do porte daquelas conquistas. Ele dirigiu dois dos filmes que ocuparam o posto de maior bilheteria da história, algo que nenhum outro cineasta conseguiu.
O plano de cinco filmes, aliás, vem sendo ajustado desde o início. Nossa cobertura de 2017 já registrava um cronograma bem diferente do que acabou acontecendo, com datas que foram sendo empurradas ao longo dos anos.
Um alerta
A declaração não pode ser lida como decisão tomada. O próprio cineasta já havia levantado a hipótese antes. Ele nunca fechou questão sobre dirigir toda a série, e a conversa recente apenas retoma um tema antigo.
Avatar 4 está marcado para 21 de dezembro de 2029, e Avatar 5, para 19 de dezembro de 2031. Nenhum diretor foi confirmado para qualquer um deles.
O intervalo é enorme, aliás. Muita coisa pode mudar até lá, inclusive a própria disposição dele.





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